O que se sabe sobre chef italiano preso pela PF por desvio de mais de 96 mil euros de restaurante

 

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Na lista de procurados da Interpol, o chef de cozinha italiano Fabio Mattiuzzo foi detido pela Polícia Federal em Fortaleza no mês de março. O estrangeiro, que trabalhava em um restaurante da capital cearense, havia sido condenado em seu país natal por "falência fraudulenta". Segundo a acusação, ele teria utilizado dinheiro da empresa que dirigia para suas despesas pessoais, levando-a à falência.

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Em uma entrevista dada à Revista Mensch no ano passado, Fabio relatou que começou a trabalhar no ramo jovem e assumiu a primeira responsabilidade como chefe aos 27 anos. Ele conta também ter tido a oportunidade de trabalhar em cozinhas da Itália, Suíça, França e Espanha.

Ao explicar porque se mudara para Fortaleza, o chef de cozinha diz ter recebido em 2014 um "convite inesperado, mas muito especial". Ele acrescenta ter vindo ao país "em busca de novos desafios".

O pedido para prisão e extradição do governo italiano foi analisado pelo ministro do Flavio Dino. No dia 9 de março ele determinou a prisão preventiva e, após o cumprimento, o início do processo de extradição.

No dia 16 de março, a Polícia Federal comunicou oficialmente ao STF que a prisão fora cumprida. De acordo com o processo no STF, a última movimentação foi a intimação da Defensoria Pública da União, que vai defender o italiano.

De acordo com suas redes sociais, Mattiuzzo vinha trabalhando como chef do restaurante Allêz Brasserie, de culinária francesa, em Fortaleza. Em uma entrevista à Revista Mensch, no ano passado, ele explicou que recebeu o convite em 2014 e revelou que é casado com uma brasileira.

— Gosto de reimaginar clássicos sem perder sua essência, uma releitura leve, acessível, mas sempre sofisticada — afirmou Mattiuzzo na entrevista.

Mattiuzzo foi condenado por dois casos de fraudes. Primeiro, por ter desviado 96.118 mil euros, entre 2009 e 2010, da empresa Armani, homônima da marca de luxo. Também em 2010, ele foi acusado de desviar bens de capital, mobiliário e até um caminhão da marca Nissan, da empresa S.A.P. Segundo o processo, ele ocultou e destruiu registros e livros.

Em uma das condenações ele recebeu pena de pouco mais de 3 anos, e em outra de mais de 2 anos, totalizando 6 anos. Ambas empresas foram à falência após as fraudes cometidas pelo italiano.

Mas, em 2024, quando a Promotoria Pública de Udine expediu o mandado de prisão, Mattiuzzo não foi encontrado. Em seguida, foi expedido, em fevereiro de 2025, um mandado de Detenção Europeu. Com o seu sumiço, Fabio Mattiuzzo foi inserido no sistema da Difusão Vermelha (Red Notice) da Interpol, “considerado fugitivo procurado para cumprimento de pena pela prática do(s) crime(s) de falência fraudulenta” perante a justiça italiana.