O que são os atóis das Maldivas, local de tragédia com a morte de cinco turistas italianos

 

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Destino conhecido pelas águas cristalinas e belas paisagens, as Maldivas atraem turistas que buscam explorar e conhecer de perto recifes de corais e ilhas submersas. Os mergulhos, comuns na região, acontecem nos atóis, mas é preciso ter cuidado durante a expedição, pois um descuido pode ser fatal.

Tragédia nas Maldivas: apenas uma pessoa do grupo de turistas mortos em mergulho saiu viva

Especialistas: toxicidade do oxigênio e pânico generalizado podem ter levado a tragédia com cinco mortes nas Maldivas

Nas Maldivas, existem mais de 20 atóis, que são ilhas oceânicas circulares que cresceram em volta de uma antiga ilha vulcânica submersa, num processo que leva milhares de anos. Com o tempo e a subida gradual do nível do mar, a ilha afunda lentamente, mas os corais continuam crescendo em direção à superfície.

Cada atol possui recifes de corais e uma lagoa no centro. Eles chamam a atenção pela diversidade da vida marinha, além das cavernas submersas. Os anéis de coral funcionam como defesas naturais, criando águas rasas, quentes e perfeitas para a vida marinha. Eles são santuários para tubarões de recife, raias-manta e tartarugas.

O Atol de Malé Norte é um dos mais conhecidos, pois abriga a capital do país (Malé) e concentra resorts luxuosos e pontos de mergulho famosos, como o Banana Reef. Os atóis funcionam como ecossistemas vibrantes e barreiras de proteção natural, atraindo visitantes do mundo todo para a prática de mergulho e turismo de luxo, além de biólogos em estudos.

As cavernas nos atóis das Maldivas são formadas principalmente por um processo geológico chamado carstificação, impulsionado pela variação histórica do nível do mar (eras glaciais) e pela dissolução química do carbonato de cálcio. Ao contrário de cavernas vulcânicas ou rochosas tradicionais, as estruturas submersas do arquipélago, com passagens e muitas saliências, formaram-se durante etapas bem específicas ao longo de milênios.

Cinco turistas italianos mortos durante arriscado mergulho nas Maldivas

Reprodução/X

O atol de Vaavu tem cerca de 55 quilômetros de extensão e é um dos mais conhecidos pela diversidade em espécies marinhas e, recentemente, ganhou destaque midiático após as mortes de cinco turistas que realizavam um mergulho. O caso levantou uma bandeira sobre o perigo de mergulhar nos atóis.

Atol de Vaavu, nas Maldivas

Reprodução / Ministério das Pescas e da Agricultura das Maldivas

Veja abaixo alguns dos perigo de mergulhar nos atóis das Maldivas:

Correntes fortes: os atóis possuem canais que ligam a lagoa interna ao oceano e, nestes lugares, é preciso ficar atento pois a variação das marés pode provocar correntes fortes que colocam a vida do mergulhador em risco; podendo levá-los para o mar aberto ou jogá-los contra recifes.

Cavernas e túneis subaquáticos: os atóis têm cavernas com grandes profundidas e com formações rochosas irregulares. Esses ambientes podem ser perigosos pois o mergulhador tem uma visibilidade baixa.

Tetos rochosos: os túneis, além de estreitos, também possuem tetos rochosos que impedem uma subida rápida em caso de emergência. Nestes casos, o mergulhador pode ficar preso lá dentro.

Mudança de profundidade: durante o mergulho, é possível que exista uma mudança repentina de profundidade que obrigue o mergulhador a ultrapassar os limites de segurança. Nos atóis das Maldivas, o limite recreativo é de cerca de 30 metros.

Ataque de pânico: durante o ataque de pânico é comum que os mergulhadores fiquem agitados. Os movimentos rápidos podem deixar a água turva, o que prejudica a visibilidade do mergulhador e pode ser um erro fatal.

Imagem meramente ilustrativa

Reprodução / Agência O Globo

Toxidade do oxigênio: em mergulhos muito profundos, o oxigênio pode se tornar tóxico por causa da pressão. Além disso, o que também pode causar a toxidade do oxigênio é o uso de nitrox, que tem uma concentração maior de oxigênio - geralmente, o ar comprimido do cilindro é de 21% e oxigênio e 79% de nitrogênio - para aumentar o tempo de permanência do mergulhador na água. Os especialistas alertam que inalar concentrações elevadas de oxigênio pode ser fatal.

(*) Estagiária sob supervisão de Fernando Moreira.