Na visão dos principais CEOs de bancos brasileiros, o equilíbrio fiscal é visto pelos principais CEOs de bancos brasileiros como uma 'urgência absoluta', que está ligada à estabilidade macroeconômica, à competividade do país, queda dos juros e ao desenvolvimento social.
Num painel durante a Febraban Tech, feira de tecnologia voltada para o sistema financeiro, realizada em São Paulo, cada um dos executivos falou sobre a agenda econômica necessária para o Brasil:
Galípolo: Banco Central quer que população faça uso responsável dos serviços financeiros e mostra preocupação com endividamento
Rio de Janeiro (RJ), 29/04/2025 - Rio Web Summit - Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, durante terceiro dia do Rio Web Summit realizado no Riocentro na Barra da Tijuca, nesta terça-feira, dia 29.
Lucas Tavares / Agência O GLOBO
Milton Maluhy, CEO do Itaú
O presidente do Itaú Unibanco destaca a necessidade de o país focar em reformas estruturais e fazer planejamento de longo prazo, em vez de se perder em debates políticos polarizados.
Na visão de Maluhy, o social e o fiscal andam de mãos dadas.
Ele defendeu que, para sustentar uma agenda social importante e gerar empregos, o país precisa prosperar economicamente
O executivo alertou que o endividamento do Brasil deve subir cerca de 12 pontos percentuais nos últimos quatro anos, e avaliou que a trajetória da dívida nesse ritmo é insustentável
— O debate público deve parar de focar apenas em superávit ou déficit primário e passar a discutir o déficit nominal.
Com uma dívida de R$ 10 trilhões e juros a 14%, essa conta é extremamente complexa no longo prazo — disse.
Maluhy definiu a inflação como o "pior imposto para as famílias", pois reduz diretamente o poder de compra.
Além disso, ele afirmou que os juros altos são um sintoma (e não a causa) do problema fiscal, alertando que esse cenário restritivo é prejudicial ao próprio sistema financeiro, pois eleva a inadimplência e reduz a concessão de crédito.
Ele criticou o foco excessivo no embate político e defendeu que o país precisa superar a polarização para discutir um plano concreto de desenvolvimento
— O período de eleições é uma oportunidade para debater propostas reais para o futuro, cobrando dos candidatos planos econômicos claros e diretrizes para áreas essenciais como educação e saúde — explicou.
O CEO do Itaú defendeu uma agenda focada na produtividade e na criação de um ciclo virtuoso composto por juros baixos, crescimento do crédito e expansão da economia de forma sustentável, sem pressões inflacionárias
— O grande desafio do Brasil é melhorar internamente para continuar competitivo globalmente, cobrando disciplina coletiva para a construção de um país melhor.
Marcelo Noronha, presidente do Bradesco
Egberto Nogueira/Divulgação
Marcelo Noronha, CEO do Bradesco
O presidente do Bradesco disse que com a dívida pública atingindo quase 82% do PIB, são exigidas medidas urgentes para conter essa proporção.
Ele revelou que a área econômica do Bradesco identificou cerca de nove a dez lmedidas que ajudam o governo a fazer ajustes fiscais, que totalizam uma potencial economia de aproximadamente R$ 580 bilhões (cerca de 5% do PIB).
— Existem alternativas viáveis, mas sua implementação depende diretamente de vontade política — afirmou.
O executivo defendeu a urgência de alcançar o equilíbrio fiscal e estabilizar a relação da dívida em relação ao PIB para evitar que ela suba desordenadamente.
Noronha ressaltou que a geração de superávit primário ainda é fundamental para conter o crescimento da dívida pública e reinserir o país em uma trajetória de crescimento perene.
Noronha pediu que a sociedade e as organizações civis cobrem os candidatos à presidente (e não seus assessores econômicos) para que apresentem e debatam de forma aberta suas propostas para a política fiscal.
Ele disse que isso deve acontecer, independente de posições políticas.
Gilson Filkenstain, que deixou a B3, para assumir a presidência do Santander Brasil
Divulgação
Gilson Finkelsztain, presidente do Santander Brasil
O novo presidente do Santander Brasil avaliou que o ambiente geopolítico global tem poucas chances de se acalmar nos próximos anos.
O executivo disse que o Brasil e as empresas precisarão aprender a conviver com um mundo mais tenso, marcado por conflitos ativos e barreiras tarifárias comerciais, que não devem ceder no curto prazo.
— Há uma intensa disputa global por informação, dados e pelo protagonismo tecnológico, que envolve e impacta setores altamente estratégicos como a saúde e a inovação de medicamentos — destacou.
Ele sinalizou que há um movimento amplo de expansão fiscal no mundo todo, o que tem empurrado as taxas de juros para cima de forma generalizada — inclusive em países que passaram anos operando com taxas zeradas.
— Esse aumento global de juros gera uma forte competição global por capital entre os países
Diante da complexidade e hostilidade do cenário externo, Gilson afirmou que a agenda macroeconômica do Brasil passa a ser duplamente relevante.
— O Brasil precisa agir rápido para "botar ordem na casa", exigindo o dobro de esforço e rapidez no ajuste fiscal para que o país consiga competir e atrair recursos nesse novo ambiente global mais adverso — disse.
Roberto Saloutti, CEO do BTG: aumento de impostos reduz PIB potencial e traz perda de eficiência ao país
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Roberto Saloutti, CEO do BTG Pactual
Roberto Saloutti, presidente do BTG Pactual, argumentou que, embora as agendas de segurança pública, tributária e de produtividade demandem prazos mais longos (de quatro a 15 anos) para serem resolvidas, a questão fiscal é algo que pode ser solucionado em apenas um ano, desde que haja um projeto claro de nação.
— A questão do ajuste fiscal é estritamente técnica e de governança, e a gente resolve em um ano.
Ele apontou que os excessos fiscais globais pós-pandemia e os investimentos massivos em inteligência artificial elevaram as taxas de juros no mundo.
Diante disso, se o Brasil não fizer o seu ajuste fiscal, perderá a disputa global por investimentos produtivos, citando que o país já ficou para trás em relação a mercados como Coreia e Taiwan
Ele comparou o cenário nacional com a Argentina, que garante estabilidade de alíquota tributária por 30 anos para atrair capital estrangeiro.
Saloutti citou a produtividade como um esforço que precisa de dez a quinze anos para ser alcançado, sendo o pilar indispensável para melhorar a vida do brasileiro médio.
— O país não pode mais contar apenas com o crescimento populacional para expandir seu potencial econômico.
O aumento da produtividade deve ser conquistado por meio de reformas na educação, uso de tecnologia e infraestrutura — afirmou.
O executivo afirmou que as elevadas taxas de juros de longo prazo cobradas no Brasil são uma consequência direta de fragilidades na nossa governança fiscal.
— Em um cenário de governança adequada, o custo de capital brasileiro medido pela NTN-B (título federal) deveria operar entre 150 e 200 pontos-base (bps) acima da taxa americana.
No entanto, sob as condições atuais, o país opera sob forte pressão, situando-se de 500 a 550 pontos-base acima do referencial americano
Carlos Antônio Vieira Fernandes, presidente da Caixa
Brenno Carvalho
Carlos Vieira, presidente da Caixa
Carlos Vieira, presidente da caixa, disse que por estar à frente de um banco público, possui a vantagem de ter um acesso mais direto ao governo, participando de discussões "olhando de perto para a perspectiva de quem está decidindo as políticas".
— Existe uma preocupação real e direta do Ministério da Fazenda e do presidente da República em buscar o equilíbrio fiscal do país, mas de forma conciliada com o aumento da produtividade e a geração de empregos.
A economia é a "ciência do equilíbrio"
Ele apontou que a produtividade é um dos principais problemas que o país enfrenta e precisa encarar diretamente e defendeu que a política de investimentos será o grande elemento impulsionador para a virada econômica no ciclo que se aproxima.
Livia Chanes, CEO da Nubank.
Gabriel Reis/ Valor
Livia Chanes, CEO do Nubank para a América Latina
A CEO do Nubank para a América Latina, Livia Chanes, disse que o Brasil precisa "continuar trabalhando nos fundamentos econômicos" para se fortalecer.
Ela argumentou que o mundo vive um momento de volatilidade extrema, impulsionado pela dinâmica global e pelas rápidas transformações tecnológicas das últimas décadas.
— A instabilidade e os "altos e baixos" econômicos — que historicamente sempre foram a realidade do Brasil e da América Latina — agora se tornaram uma realidade mundial.
Diante desse universo onde "nada é muito estável", ela defende que a melhor estratégia para as empresas é utilizar a tecnologia para criar modelos de atuação extremamente resilientes.
Ela apontou que a adaptação para modelos de negócios mais flexíveis e robustos é uma necessidade urgente nesta nova realidade.
O que pensam os CEOs dos principais bancos brasileiros sobre o ajuste fiscal, juros e produtividade
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