O que o ‘índice da pizza’ tem a ver com o ataque à Venezuela? Entenda teoria que viralizou nas redes

 

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Uma teoria curiosa e amplamente compartilhada nas redes sociais liga um aumento nos pedidos de pizza próximos ao Pentágono, em Washington, à iminência de grandes eventos geopolíticos, como o recente ataque dos Estados Unidos à Venezuela. A chamada “Pentagon Pizza Index” ou “teoria da pizza do Pentágono” parte da observação informal de que picos súbitos de entregas de pizza em áreas próximas ao local podem coincidir com preparação para crises internacionais.

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Nas redes sociais, internautas monitoram dados de restaurantes próximos a instalações como o Pentágono e a CIA. No contexto do ataque à Venezuela, usuários notaram, nas primeiras horas de 3 de janeiro, um aumento no tráfego de pedidos de pizza nas imediações da sede do Departamento de Defesa, coincidindo aproximadamente com relatos de explosões em Caracas e a subsequente operação militar: uma publicação informou que pedidos na Papa Johns mais próxima estavam 770% maiores que o usual.

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Especialistas enfatizam que não há evidência oficial de que picos de pedidos de pizza sejam um indicador confiável de ações militares: trata-se de uma correlação informal e anedótica que ganhou vida própria na internet. Ainda assim, a teoria persiste como um exemplo de “indicadores improváveis” utilizados por entusiastas de análise aberta de dados para interpretar situações de tensão global, mesclando curiosidade e especulação em momentos de incerteza geopolítica.

O perfil Pentagon Pizza Report, com mais de 290 mil seguidores, se dedica a monitorar o “pizza index”, e notou que essa movimentação de pedidos de pizza próximos ao Pentágono esteve em alta nas últimas 24 horas. Além disso, o perfil sinalizou que bares na região como o Freddies Beach Bar, e o Crystal City Sports Pub tiveram público reduzido na madrugada de sábado.

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Antecedentes

A chamada teoria do “índice da pizza” circula há décadas entre observadores atentos aos bastidores do governo dos Estados Unidos. Ela já foi citada, por exemplo, antes da invasão americana a Granada, no início dos anos 1980, e durante a crise do Panamá, em 1989.

Em agosto de 1990, a revista americana Time relatou que os pedidos de pizza na sede da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) aumentaram de forma significativa na noite anterior à entrada das tropas do Iraque no Kuwait.

Entenda o ataque

Bases militares em Caracas e ao menos outros três estados foram bombardeadas durante a madrugada, enquanto a divisão de elite realizava a infiltração para captura de Maduro. Líderes chavistas afirmaram que houve baixas civis, mas não se referiram a nenhum número em particular. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram helicópteros das Forças de Operações Especiais dos EUA sobrevoando Caracas durante a madrugada de sábado, enquanto múltiplas explosões iluminam o céu da capital venezuelana. Segundo relatos não confirmados, as aeronaves seriam helicópteros CH-47G Chinook, projetados para operações secretas, e teriam atuado durante os ataques.

Ao menos sete explosões e ruídos semelhantes ao sobrevoo de aviões foram relatados por volta das 02h (03h em Brasília), em Caracas. De acordo com fontes locais ouvidas pelo GLOBO, alguns dos alvos seriam a base militar de La Carlota, da Força Aérea venezuelana, e o Forte Tiuna, maior complexo militar do país. Outro alvo do ataque foi o Quartel da Montanha, mausoléu onde está enterrado o ex-presidente Hugo Chávez.

O passo a passo do ataque americano à Venezuela

Editoria de Arte/O Globo

O secretário de Estado americano, Marco Rubio — apontado como o principal defensor da atuação americana na América Latina —, limitou-se a republicar uma mensagem escrita nas redes sociais em julho do ano passado, em que afirmava que Maduro não era o presidente legítimo da da Venezuela e que seu governo também não era legítimo. A sinalização foi apontada por observadores como um possível sinal para dirimir futuros questionamentos quanto a legalidade do ataque.

O senador republicano Mike Lee, de Utah, disse à rede americana CNN ter conversado com Rubio após o ataque. O secretário teria garantido ao parlamentar que o objetivo da missão era a captura de Maduro, que a ação cinética — bombardeio e emprego de meios militares — teria sido empregada para defender os agentes que realizavam a captura e que não estariam previstas novas ações militares contra Caracas.

— Essa ação provavelmente se enquadra na autoridade inerente do presidente, conforme o Artigo II da Constituição, para proteger o pessoal dos EUA de um ataque real ou iminente — afirmou Lee.

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Pedidos de calma e de mobilização

Em Caracas, as autoridades alternaram mensagens de condenação aos EUA, pedidos de calma e convocações à mobilização popular. Delcy, que classificou a ação americana como um "ataque brutal" e uma "agressão imperial", anunciou a ativação dos planos integrais de defesa, que segundo ela teriam sido ordenados por Maduro.

— Povo na rua, ativação da milícia [Nacional Bolivariana] e de todos os planos de defesa integral da nação — disse a vice-presidente.

Em declarações televisionadas, o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, considerado um dos principais aliados de Maduro, pediu calma e instou o povo a confiar na liderança chavista.

— Que ninguém se desespere. Que ninguém facilite as coisas para o inimigo invasor — disse Cabello, acrescentando, sem apresentar provas, que bombas atingiram prédios civis.

O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, também falou ao vivo na televisão, condenando os ataques dos EUA.

— Vítimas inocentes foram gravemente feridas e outras mortas por este ataque terrorista criminoso — disse ele, repetindo os pedidos de prova de vida e para que as pessoas fossem às ruas "com calma e vigilância".