O que falta saber sobre a morte do cão Orelha, que vivia na Praia Brava, em Santa Catarina
A morte do cão comunitário conhecido como Orelha, espancado na Praia Brava, em Florianópolis, segue sob investigação da Polícia Civil de Santa Catarina. O caso, que provocou comoção entre moradores e ganhou repercussão nacional, ainda tem pontos centrais a serem esclarecidos, como a dinâmica exata das agressões, o grau de envolvimento dos suspeitos e a eventual participação de adultos em tentativas de interferir no inquérito.
Homem é preso em flagrante por apologia ao nazismo ao guiar carro com adesivo de suástica em Santa Catarina
Polícia de Santa Catarina prende contador investigado por furto eletrônico de R$ 107 milhões
Até o momento, a polícia aponta quatro adolescentes como suspeitos de envolvimento nos maus-tratos que levaram à morte do animal. Dois deles, que estão em Florianópolis, foram alvos de mandados de busca e apreensão cumpridos na segunda-feira (26). Os outros dois se encontram nos EUA, em viagem previamente programada, e devem retornar ao Brasil nos próximos dias, segundo a corporação.
A investigação também apura se adultos teriam atuado para coagir testemunhas durante o andamento do caso, hipótese que, se confirmada, pode resultar em pedidos de prisão preventiva. O inquérito corre sob sigilo por envolver menores de idade, e a Polícia Civil afirma que ainda há diligências em andamento.
Entre as principais frentes da apuração estão a coleta de novos depoimentos, a análise de imagens de câmeras de segurança da região e a perícia em celulares e outros dispositivos eletrônicos apreendidos durante as buscas. A polícia também busca esclarecer se o crime foi premeditado, quantas pessoas participaram diretamente das agressões e se houve omissão ou tentativa de acobertamento posterior.
Outra linha de investigação, tenta confirmar se o mesmo grupo envolvido na morte de Orelha tentou matar outro cão da região no mesmo dia. De acordo com a Polícia Civil, um vira-lata caramelo teria sido levado ao mar em uma tentativa de afogamento, mas conseguiu escapar. O animal sobreviveu e foi posteriormente adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, que declarou acompanhar pessoalmente o andamento do caso.
Caso fique comprovado o envolvimento dos adolescentes, eles poderão responder por ato infracional e estarão sujeitos a medidas socioeducativas. Já no caso de adultos, a eventual confirmação de coação de testemunhas pode levar à responsabilização criminal.
A apuração é conduzida pela Delegacia de Proteção Animal, com apoio do Departamento de Investigação Criminal (DIC). O governador Jorginho Mello (PL) determinou prioridade para o caso. O Ministério Público de Santa Catarina acompanha o inquérito, e um novo magistrado passou a analisar os pedidos judiciais após a juíza inicialmente responsável se declarar impedida.
O que se sabe sobre o caso
O desaparecimento de Orelha foi percebido por moradores no dia 16 de janeiro. Dias depois, uma das pessoas que cuidavam do cachorro o encontrou caído em área de mata, com ferimentos graves e em estado de agonia. O animal foi levado a uma clínica veterinária, mas, diante da gravidade das lesões, os profissionais optaram pela eutanásia. A principal suspeita é de que ele tenha sido espancado.
Orelha viveu cerca de dez anos na Praia Brava, uma das regiões mais valorizadas de Florianópolis. Considerado um mascote local, era alimentado por moradores e comerciantes e circulava livremente pela área, onde outros cães comunitários também recebem cuidados espontâneos da população.
Desde a morte do animal, moradores, protetores independentes e organizações ligadas à causa animal têm realizado manifestações pedindo punição aos responsáveis. Protestos ocorreram na Praia Brava nos dias 17 e 24 de janeiro, reunindo dezenas de pessoas com cartazes e camisetas com pedidos de justiça. As mobilizações também se estenderam às redes sociais, com a hashtag #JustiçaPorOrelha.
O caso chegou ainda à Assembleia Legislativa de Santa Catarina. O deputado estadual Mário Motta (PSD) propôs a criação de uma estátua em homenagem ao cachorro e lançou um abaixo-assinado para viabilizar a iniciativa, como forma de preservar a memória do animal e reforçar o debate sobre a violência contra animais.
Em nota, a Associação de Moradores da Praia Brava destacou o vínculo afetivo criado com o cachorro ao longo dos anos.
— Orelha fazia parte do cotidiano do bairro e era cuidado espontaneamente pela comunidade, tornando-se um símbolo da convivência e do cuidado com os animais — afirmou a entidade.
Initial plugin text
