O que está por trás da escolha do sapato Oxford da Florsheim por Donald Trump
No universo político, onde cada gesto e escolha de figurino carregam significado, um detalhe tem chamado atenção nos pés da ala mais próxima de Donald Trump: o modelo Oxford da Florsheim. Criado no século XIX e historicamente associado à formalidade masculina e à tradição corporativa, o sapato voltou ao centro das atenções ao ser adotado — e distribuído como presente — entre integrantes de sua equipe, transformando um clássico do vestuário em marcador de pertencimento e reabrindo discussões sobre linguagem de poder.
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O Oxford é, por definição, o ápice da formalidade masculina. Nascido nas universidades britânicas do século XIX, o modelo cruzou o oceano para se tornar o uniforme de Wall Street e do meio jurídico. Para Paula Acioli, pesquisadora e analista de moda, a escolha de Trump pela Florsheim é uma extensão direta de seu discurso político.
"A marca carrega um valor simbólico importante, representando o ideal clássico de sucesso americano. Como Trump frequentemente enfatiza produtos e símbolos nacionais, a escolha reforça seu discurso e o slogan 'MAGA' (make America great again) de exaltação ao país", explica Paula.
Embora o sapato seja tecnicamente impecável em sua proposta atemporal, especialistas apontam que a obsessão de Trump em presentear sua equipe com pares idênticos aos seus revela uma faceta de comportamento e controle. Fábio Monnerat, consultor de branding de moda, destaca que o Oxford é "talvez o mais formal dos modelos", mas nota uma intenção de uniformização que vai além da estética.
"O que me estranha é o fato de que todos precisam passar a mesma mensagem, mantendo essa formalidade que distancia dos demais. É a criação de uma linguagem onde esse homem uniformizado deixa claro quem é do time dele. A moda, aqui, está no lugar da manutenção do poder masculino", afirma Monnerat.
Para a stylist e consultora de moda Manu Carvalho, o movimento não deve ser confundido com uma tendência de estilo, mas sim como uma dinâmica de grupo.
"O que enxergo aqui não é sobre moda, é sobre comportamento: controle e nivelamento. É a ideia de um cacique com seu modelo preferido e a tribo seguindo. Trump sendo Trump e levando os seus a serem seus followers", pontua Manu.
De Luís XIV à Casa Branca
A estratégia de padronizar a vestimenta de aliados não é nova, mas carrega um peso histórico de monarquia absoluta. Paula Acioli traça um paralelo direto entre o comportamento de Trump e o de Luís XIV, o "Rei Sol".
No universo político, onde cada gesto e cada escolha de figurino carregam significado, um detalhe tem chamado atenção nos pés da ala mais próxima de Donald Trump
Getty Images
"Luís XIV, para garantir que os nobres da corte francesa se vestissem conforme seu gosto, costumava presenteá-los com acessórios, tornando-os distintivos de sua corte", relembra a pesquisadora.
Ao calçar sua equipe com a Florsheim, Trump não está somente sugerindo um estilo; ele está carimbando sua marca pessoal em cada passo de seus aliados.
