O que esperar do novo Michelin Rio e São Paulo, que será lançado logo mais, em noite de gala no Copa
Hoje saem os contemplados do novo Guia Michelin, eixo Rio e São Paulo. Não faltarão estrelas pelos salões do Copa, com os grandes nomes da mesa brasileira circulando em peso por lá. É sempre um belo acontecimento. Mas as cobiçadas estrelinhas do Guia, e aqui sem querer desbotar a festa, andam sendo concedidas com bastante parcimônia pelos inspetores franceses. Franceses? Dizem que eles são espanhóis, um mistério. As três estrelas, melhor não contar com elas. É pouco provável que alguma casa do Rio ou de São Paulo leve a cotação máxima . Mas vamos por etapas, como nos menus degustação dos grandes estrelados Michelin: diversão está a assegurada e a noite, e que noite, promete fortes emoções.
O Rio tem hoje oito restaurantes estrelados, entre uma e duas estrelas. São Paulo tem 17, incluindo três com duas estrelas . Ano passado, perdemos uma das duas estrelas do Oteque, restaurante do chef Alberto Landgraf. O quadro agora é: Lasai e Oro com duas estrelas; Oteque, Mee, San Omakase, Oseille, Casa 202 e Cipriani, com uma estrela cada um. Há risco de se perder alguma delas? Existe sempre a possibilidade, mas em se tratando de Rio, não creio que ocorra: ao contrário até, as casas andam afiadas e podem se destacar na publicação. Talvez o Cipriani, o italiano do Copacabana Palace, e aqui não por demérito do chef Nello Cassese, mas por se encontrar fechado há dois anos para obras. No mesmo Copa, o seu restaurante Pérgula, que esse ano se voltou mais para o público externo, pode sair da noite com algum reconhecimento. E o seu asiático Mee, deverá manter a estrela que ganhou logo na primeira edição do Guia brasileiro e segue firme .
Um detalhe curioso da premiação e que é prática no mundo todo: os restaurantes rebaixados pelo Guia jamais são citadas na festa. Questão de elegância . Para conhecê-los, só mesmo conferindo a relação oficial do Guia, que sai por aqui na versão online
" Não me fale em perder as nossas estrelas, pelo amor de Deus! Trabalhamos muito para que elas sigam com a gente", disse Rafa Costa e Silva, que estava em Nova York cozinhando com o chef Daniel Boulud. Animado, ainda complementou "Sabe quantas estrelas tem e Boulud? Uma!. O Lasai, de 50m2 e dez lugares, tem duas. Não é um feito espetacular?"
O Rio tem oito restaurantes com estrela Michelin, São Paulo tem 17, incluindo três casas com duas estrelas
Divulgação
Oseille, de Thomás Troisgros e a Casa 201, do João Paulo Frankenfeld, foram conquistas da última edição do Guia, quando faturaram uma estrela cada. " A estrela mudou tudo para a gente, tivemos que aumentar o número de lugares e incluir mais pratos com ingredientes brasileiros, porque os turistas internacionais apareceram", conta Frankenfeld.
Oteque pode pegar de volta a estrela que perdeu (" foi um problema no serviço, uma noite complicada que lembro bem que os inspetores estavam na casa", me contou Landgraf). O japonês Haru, de Menandro Reis pode se juntar ao San Omakse e levar uma estrela; o veterano Giuseppe Grill merecia uma estrela e quanto ao chef Claude Troisgros, está mais do que na hora de ter uma estrela Michelin para chamar de sua. "Dedicamos 90% do nosso trabalho para conquistar essa estrela, um reconhecimento não só ao meu trabalho, mas também ao da Jessica Trindade", diz Troisgros. Ele deve levar esse ano com o Madame Olympe.
Claude Troisgros pode ganhar esse ano a sua primeira estrela Michel, com o novo Madame Olympe
Ana Branco
Mas Michelin não é só as estrelas que concede. O Guia traz outras distinções importantes. É o caso do Bib Gourmand, o bonequinho que destaca os restaurantes com melhor custo-benefício, que ganha cada vez mais relevância. É a chancela Michelin para restaurantes onde se come bem com preços camaradas. Aliás, é para eles que corro quando viajo. O Rio tem 11 restaurantes com Bib e esse número deve aumentar. " O Bib é importantíssimo, nos coloca na cena internacional com foco no turista mediano, que quer estar numa casa Michelin mas sem precisar gastar mil euros por um almoço", diz Elia Schramm, do Babbo.
Outra categoria do Guia que merece atenção. A dos Indicados. Não é Bib, não tem estrela, mas quem não quer aparecer indicado pelo Guia? O Rio tem 27 indicados e essa noite a lista deve ser turbinada. " O importante mesmo e é estar no Guia Michelin, com ou sem estrela. Faz uma diferença enorme" atesta o chef Nelson Sult, Bib no Rio e Indicado com a filial de Portugal.
A nona edição do Guia Michelin ainda terá a estreia de uma nova categoria na premiação: a de melhor mixólogo, o barman mais afiado do Rio ou de São Paulo. Só um profissional levantará a taça para brindar. E se as estrelas escassearem logo mais, nós sempre teremos os "Bibs" e os restaurantes "Indicados" para alegrar a festa.
