O que é polilaminina? Conheça a substância que pode reverter paralisia por lesão medular

 

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A polilaminina, uma molécula descoberta no Brasil, pode reverter casos de paralisia por lesões medulares. A substância é estudada há quase três décadas no país e, no momento, está em fase inicial de estudos clínicos — após autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O desenvolvimento da pesquisa é realizado no Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular, do Instituto de Ciências Biomédicas, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob liderança da professora e bióloga Tatiana Coelho de Sampaio.


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O que é a polilaminina?


A polilaminina é uma derivação feita em laboratório da laminina, proteína produzida no corpo humano — especialmente na placenta — para sustentar a estrutura de tecidos, auxiliar na adesão de células, realizar a comunicação celular e atuar na regeneração e cicatrização após lesões. A molécula descoberta no Brasil é uma alternativa mais barata, fácil e segura ao uso de células-tronco, segundo a pesquisadora Tatiana Sampaio, em entrevista à Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). “Estamos apenas imitando a natureza, pois a proteína é produzida pelo organismo naturalmente no processo de desenvolvimento do sistema nervoso”, disse.


Essa substância é considerada uma proposta inovadora para o tratamento de lesões na medula, conforme o pesquisador Gildomar Lima Valasques Júnior, em editorial publicado na Revista Científica Eletrônica do Conselho Regional de Farmácia da Bahia. “Para a utilização de uma substância como medicamento, é necessária a aprovação em estudos clínicos de Fases I, II e III, além do acompanhamento contínuo por meio dos estudos de Fase IV, ou Farmacovigilância”, explica. No momento, a polilaminina está na primeira etapa de estudos clínicos, autorizada pela Anvisa.


Como a polilaminina é feita?


A polilaminina é feita pelos pesquisadores por meio da extração de laminina da placenta humana. O vice-presidente de Pesquisa e Desenvolvimento da farmacêutica Cristália — parceira da UFRJ no desenvolvimento do estudo —, Rogério Almeida, afirmou à BBC Brasil que o trabalho é feito em colaboração com gestantes que fazem o pré-natal em hospitais do interior de São Paulo. “A gente apresenta um projeto para essas parturientes, e elas se dispõem a doar a placenta. A gente acompanha a saúde dessas mulheres para entender que a placenta que elas vão doar é saudável, para garantir que não vou trazer nenhum vírus dessas doadoras para o produto final”, falou.


Após a coleta da placenta, a laminina é extraída e purificada. Ao ser separado de outras substâncias, o material purificado é misturado com diluente no centro cirúrgico e aplicado no paciente. Assim, surge a polilaminina.


Quais os efeitos do uso da polilaminina?


A pesquisadora Tatiana Sampaio, juntamente à equipe responsável pelo estudo na UFRJ, fez testes em parceria com a farmacêutica Cristália. Nos experimentos, os profissionais aplicaram a polilaminina diretamente na medula espinhal de pacientes durante cirurgias. Os resultados foram diversos: alguns apresentaram evolução no quadro e outros tiveram recuperação notória dos movimentos.