Quem acompanha partidas, treinamentos ou comemorações de jogadores provavelmente já reparou em uma peça curta e justa usada por baixo da camisa.
Por lembrar o formato de um top esportivo, o acessório ganhou apelidos como “sutiã de jogador” e “sutiã tech”, mas sua função vai além da aparência: ele serve de suporte para um pequeno sensor que monitora o desempenho do atleta em campo.
O dispositivo pode registrar dados como distância percorrida, velocidade máxima, número de sprints, acelerações, desacelerações e intensidade do esforço.
As informações ajudam preparadores físicos, fisiologistas e treinadores a ajustar cargas de treino, acompanhar a recuperação dos jogadores e comparar o desempenho ao longo da temporada.
Nas linhas a seguir, entenda como funciona o “sutiã tech”, quais são seus principais recursos e se é possível comprar o equipamento no Brasil.
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Harry Kane apresenta o sensor encaixado no colete de monitoramento da STATSports, usado para registrar dados de desempenho durante treinos e partidas.
Reprodução/STATSports
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O que é o “sutiã tech”? Veja como funciona o colete
O TechTudo reuniu as principais informações sobre o acessório usado por jogadores de futebol.
Confira os tópicos abordados:
O que é o “sutiã tech”?
Para que serve o dispositivo?
Quais são os principais recursos do colete?
Como funciona na prática?
Quais são as principais marcas?
É possível comprar no Brasil?
Vale a pena para qualquer atleta?
O que é o “sutiã tech”?
O chamado “sutiã tech” é um colete de compressão usado para manter um pequeno sensor de desempenho preso ao corpo do jogador.
A peça costuma ser curta, elástica e ajustada para evitar que o equipamento balance ou mude de posição durante corridas, saltos, frenagens e disputas de bola.
Apesar do apelido, a tecnologia não fica no tecido.
O colete possui um bolso na parte superior das costas, entre as escápulas, onde é encaixado um módulo removível conhecido como pod.
É esse pequeno aparelho que registra e armazena os dados do atleta.
Comprar apenas a peça de roupa, portanto, não permite medir distância, velocidade ou qualquer outra informação.
Neymar usa um colete de monitoramento esportivo, peça que mantém o sensor preso ao corpo do jogador durante a atividade
Reprodução/X
O conjunto faz parte de uma categoria chamada Electronic Performance and Tracking System, ou EPTS.
A depender do modelo, o sensor pode reunir GPS ou GNSS, acelerômetro, giroscópio e magnetômetro, além de oferecer integração com monitores de frequência cardíaca.
A posição nas costas ajuda a manter o módulo estável, favorece a recepção dos sinais de satélite e reduz a exposição do equipamento a impactos.
Por isso, o colete aparece geralmente sob o uniforme durante as partidas, embora também possa ser usado sobre a camiseta nos treinamentos.
Para que serve o dispositivo?
O “sutiã tech” serve para transformar o esforço do jogador em dados que podem ser analisados pela comissão técnica.
Em vez de avaliar apenas se o atleta “correu muito” ou aparentou estar cansado, o sistema mostra informações como distância percorrida, velocidade máxima, número de sprints, acelerações, desacelerações e intensidade da atividade.
Esses dados ajudam preparadores físicos, fisiologistas e treinadores a ajustar a carga dos treinos.
Um jogador que disputou os 90 minutos e acumulou muitas corridas em alta velocidade, por exemplo, pode receber uma atividade mais leve no dia seguinte.
Já um reserva que entrou apenas no fim da partida pode fazer exercícios adicionais para alcançar um volume de trabalho mais próximo ao dos titulares.
Colete da STATSports é usado junto ao corpo e possui espaço para acomodar o sensor responsável pela coleta dos dados
Reprodução/STATSports
O equipamento também é utilizado no retorno de atletas lesionados.
A comissão pode aumentar gradualmente a distância, a velocidade e a quantidade de arrancadas, comparando os resultados com o histórico do próprio jogador antes de liberá-lo para treinos completos ou partidas.
Apesar disso, o dispositivo não prevê nem evita lesões sozinho.
Os números precisam ser analisados junto de fatores como histórico médico, dores relatadas pelo atleta, sono, calendário de partidas, percepção de esforço e avaliações físicas.
Quais são os principais recursos do colete?
Os recursos variam de acordo com a marca e o modelo, mas os sistemas mais completos conseguem registrar distância percorrida, velocidade máxima, número de sprints, acelerações, desacelerações e intensidade do esforço.
Com esses dados, a comissão técnica consegue entender não apenas quanto o jogador correu, mas também como essa movimentação aconteceu ao longo do treino ou da partida.
O GPS ou GNSS acompanha a trajetória do atleta e calcula a distância total percorrida, enquanto sensores como acelerômetro, giroscópio e magnetômetro identificam arrancadas, frenagens e mudanças rápidas de direção.
Isso é importante porque nem todo esforço intenso aparece apenas na velocidade máxima, especialmente em jogadas realizadas em espaços curtos.
Atletas treinam com coletes da Catapult, que acompanham métricas como distância, velocidade, acelerações e intensidade do esforço
Reprodução/Catapult
Os aplicativos também podem dividir a movimentação em zonas de velocidade, mostrar quantos sprints foram feitos e gerar mapas de calor com as regiões mais ocupadas pelo jogador.
Alguns sistemas ainda registram ou recebem dados de frequência cardíaca, o que ajuda a comparar a carga física com a resposta do organismo.
Como funciona na prática?
Antes do treino ou da partida, o sensor precisa estar carregado e associado ao perfil correto do jogador.
O atleta veste o colete, encaixa o módulo no bolso localizado na parte superior das costas e liga o aparelho.
A partir daí, o dispositivo começa a registrar a movimentação durante toda a atividade.
Os dados podem ser analisados de duas formas.
Em sistemas individuais, o aparelho armazena as informações para serem sincronizadas com um aplicativo depois da partida.
Já em soluções profissionais, os números podem ser enviados em tempo real para um tablet ou computador utilizado pela comissão técnica.
Sistema da Polar combina monitoramento da frequência cardíaca com rastreamento por GPS durante a prática esportiva
Reprodução/Polar
Após a sincronização, a plataforma organiza os resultados em gráficos, mapas e comparações com treinos anteriores.
O acompanhamento se torna mais útil quando o jogador utiliza sempre o mesmo sistema, pois isso permite criar um histórico e observar mudanças no desempenho ao longo do tempo.
Quais são as principais marcas?
Entre as empresas mais conhecidas do setor está a Catapult, que oferece soluções como Vector Core, Vector Pro e Vector 8.
Os equipamentos são voltados principalmente a clubes e podem combinar posicionamento por satélite, sensores de movimento, frequência cardíaca, análise ao vivo e integração com vídeos.
A contratação costuma ser feita diretamente com a fabricante, por meio de demonstração e orçamento.
A STATSports também possui sistemas profissionais, além de uma opção destinada a jogadores individuais.
O STATSports Academy inclui colete, sensor e aplicativo, com acompanhamento de métricas como distância, velocidade máxima, sprints e intensidade.
Segundo a empresa, o produto registra 24 indicadores e não exige uma assinatura obrigatória.
Plataforma da STATSports reúne os dados coletados pelo sensor e permite acompanhar o desempenho do atleta pelo celular
Reprodução/STATSports
Outra alternativa é o Polar Team Pro, que combina GPS, sensores de movimento e monitoramento da frequência cardíaca.
A plataforma permite que treinadores acompanhem vários atletas ao vivo por um iPad e revisem os dados depois da atividade.
A Polar possui atendimento comercial no Brasil, mas não divulga um preço fixo para o conjunto profissional.
Também aparecem nesse mercado a Hudl, responsável pelo WIMU PRO, a Fitogether e a KINEXON.
As três oferecem soluções direcionadas principalmente a clubes, com recursos como monitoramento em tempo real, posicionamento em ambientes internos e integração com vídeos.
É possível comprar no Brasil?
Sim, mas é importante verificar se o anúncio inclui apenas o colete ou o kit completo com sensor.
A peça de tecido sozinha não registra nenhuma informação: ela serve somente para manter o módulo preso às costas do jogador.
O STATSports Academy, voltado a atletas individuais, pode ser comprado na loja internacional da fabricante por US$ 320.
O pacote inclui colete, rastreador e acesso ao aplicativo, sem assinatura obrigatória.
Como a compra é internacional, o consumidor brasileiro também precisa considerar frete, variação cambial e possíveis impostos de importação.
O mesmo kit aparece em varejistas brasileiros por meio de vendedores internacionais.
No Magazine Luiza, por exemplo, há anúncios por aproximadamente R$ 2,6 mil.
A Amazon Brasil também apresenta páginas de versões anteriores dos sensores da STATSports.
Colete vendido separadamente em marketplace pode não incluir sensor, carregador ou acesso a um aplicativo de monitoramento
Reprodução/Mercado Livre
Também é recomendável desconfiar de coletes vendidos por valores muito baixos.
Produtos anunciados por R$ 80, R$ 100 ou R$ 200 geralmente incluem apenas a roupa com o bolso traseiro.
Antes de finalizar a compra, confira se o pacote traz sensor, carregador, aplicativo compatível e informações sobre assinatura, garantia e suporte no Brasil.
Vale a pena para qualquer atleta?
Depende do objetivo e da frequência de uso.
Para clubes profissionais, categorias de base estruturadas e equipes semiprofissionais, o colete pode ser bastante útil para acompanhar a carga dos jogadores, comparar treinos e planejar períodos de recuperação.
O investimento faz mais sentido quando há um preparador físico ou outro profissional capaz de interpretar os dados.
Atletas amadores que treinam com regularidade também podem aproveitar o equipamento para acompanhar distância, velocidade, sprints e intensidade ao longo da temporada.
Ainda assim, o dispositivo não melhora o desempenho sozinho.
Os números precisam servir de base para decisões práticas, como reduzir a carga, aumentar o tempo de recuperação ou ajustar os exercícios.
Para quem joga futebol apenas de vez em quando, um sistema profissional tende a ser desnecessário.
Relógios esportivos e celulares conseguem registrar informações básicas de corrida por um custo menor, embora não ofereçam o mesmo nível de fixação, detalhamento e análise específica para partidas.
Com informações de Outside, FIFA, IFAB, Catapult, STATSports, Polar, Fitogether, KINEXON
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