O que é o hantavírus letal e como ele se espalhou em um navio de cruzeiro?
Um conjunto de infecções por hantavírus ligadas a um navio de cruzeiro no Oceano Atlântico deixou três pessoas mortas e várias outras gravemente doentes, levando a um alerta da Organização Mundial da Saúde (OMS) e levantando questões sobre como uma doença rara transmitida por roedores pode se espalhar em um cenário tão incomum.
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O surto ocorreu a bordo do Hondius, um navio de expedição polar que navegava da Argentina em direção a Cabo Verde. Passageiros e tripulantes desenvolveram sintomas respiratórios graves, e alguns foram evacuados para hospitais na África do Sul. As autoridades ainda investigam como o vírus foi transmitido a bordo.
A OMS trabalha em estreita colaboração com Estados-membros e com os operadores do navio em resposta a casos suspeitos de hantavírus detectados a bordo de um navio de cruzeiro, disse o diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em publicação na rede social X:
“A OMS está facilitando a evacuação médica de dois passageiros sintomáticos, conduzindo uma avaliação completa de risco e apoiando os afetados”.
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Veja abaixo o que se sabe sobre o hantavírus e os riscos representados por este surto.
O que é o hantavírus?
Os hantavírus são um grupo de vírus transmitidos por roedores que podem causar doenças graves em humanos.
Dependendo da cepa, podem provocar a síndrome pulmonar por hantavírus, que afeta os pulmões, ou a febre hemorrágica com síndrome renal, que afeta os rins.
Embora as infecções sejam raras, podem ser graves. Algumas formas da síndrome pulmonar por hantavírus têm taxas de letalidade de até 40% ou mais.
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O que se sabe sobre o surto de hantavírus no navio de cruzeiro?
O surto foi associado ao Hondius, que transportava cerca de 150 passageiros em uma viagem que incluía paradas na Antártida e em ilhas remotas do Atlântico Sul.
O primeiro caso conhecido envolveu um passageiro de 70 anos que desenvolveu sintomas como febre e doença gastrointestinal antes de morrer quando o navio se aproximava da ilha de Santa Helena.
Sua esposa, de 69 anos, também adoeceu posteriormente e morreu em um hospital na África do Sul, enquanto a AFP informou que o corpo de uma terceira vítima ainda estava a bordo do navio.
Outro passageiro está em terapia intensiva em Joanesburgo, enquanto casos adicionais suspeitos estão sob investigação.
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Dois tripulantes também necessitam de atendimento médico urgente, segundo a operadora do navio, Oceanwide Expeditions BV.
Até o domingo, autoridades de Cabo Verde ainda não haviam aprovado o desembarque de passageiros doentes nem a realização de triagem médica mais ampla, informou a empresa holandesa.
Como o hantavírus se espalha?
O vírus é transmitido principalmente de roedores para humanos. A infecção geralmente ocorre quando pessoas inalam partículas contaminadas com urina, fezes ou saliva de roedores, muitas vezes em espaços fechados ou mal ventilados.
Também pode ocorrer por contato direto com materiais contaminados ou, mais raramente, por mordidas de roedores.
A transmissão entre humanos é extremamente incomum, embora uma cepa conhecida como hantavírus Andes — encontrada na América do Sul — tenha demonstrado capacidade de transmissão entre pessoas em surtos limitados.
Isso torna o surto no navio de cruzeiro incomum, já que a exposição costuma estar ligada a ambientes rurais ou ao ar livre, onde há contato com habitats de roedores.
Quais são os sintomas?
Os sintomas iniciais muitas vezes se parecem com os da gripe, incluindo febre, fadiga, dores musculares e dor de cabeça. Pacientes também podem apresentar náusea, vômito e dor abdominal.
Em casos graves, os sintomas podem evoluir rapidamente para insuficiência respiratória, com acúmulo de líquido nos pulmões, característica da síndrome pulmonar por hantavírus.
Os pacientes podem precisar de cuidados intensivos, incluindo suporte de oxigênio ou ventilação mecânica. O período de incubação, tempo entre a infecção e o surgimento dos sintomas, pode variar de cerca de uma a oito semanas após a exposição.
Por que este surto é preocupante?
As infecções por hantavírus são raras e geralmente ocorrem em casos isolados, e não em surtos, especialmente em ambientes controlados como navios.
O surto levanta questões sobre onde ocorreu a exposição — se antes da viagem, durante excursões em terra, ou a bordo da embarcação.
Investigadores estão rastreando contatos e tentando determinar a cepa do vírus por meio de sequenciamento genômico.
O ambiente confinado de um navio de cruzeiro também dificulta a resposta, incluindo o isolamento de pacientes, a evacuação dos doentes e a prevenção de novos casos.
A doença ganhou atenção pública mais ampla no ano passado após a morte de Betsy Arakawa, esposa do ator Gene Hackman, por síndrome pulmonar por hantavírus no Novo México.
Hackman morreu dias depois por doença cardíaca, com a doença de Alzheimer como fator contribuinte, segundo autoridades.
Existe tratamento ou vacina?
Não há tratamento antiviral específico nem vacina amplamente disponível para infecções por hantavírus.
O cuidado é principalmente de suporte, focado no manejo dos sintomas e complicações, como baixos níveis de oxigênio ou falência de órgãos.
O atendimento médico precoce melhora os desfechos, especialmente em casos respiratórios graves.
O que acontece agora?
A OMS afirmou que está coordenando com autoridades nacionais e com a operadora do navio para gerenciar o surto, incluindo evacuações médicas e avaliações de risco para passageiros e tripulação.
Novas atualizações são esperadas à medida que testes laboratoriais confirmem novos casos, e investigadores determinem como o vírus se espalhou.
As conclusões podem influenciar a forma como autoridades de saúde avaliam riscos em contextos semelhantes de viagem no futuro.
