O que é o ‘Clube dos 6%’ da IA, grupo de empresas que já transforma a tecnologia em resultado financeiro - QTU Questões do Universo

O que é o ‘Clube dos 6%’ da IA, grupo de empresas que já transforma a tecnologia em resultado financeiro

Fonte: Bandeira da fonte

A inteligência artificial já ajuda profissionais a trabalhar mais, mas transformar esse ganho de produtividade em resultado financeiro para as empresas ainda é um desafio.
Um novo estudo global da McKinsey mostra que 80% dos entrevistados dizem que a IA melhorou sua produtividade individual, enquanto apenas 37% atribuem algum impacto positivo no EBIT – lucro antes de juros e impostos – de suas organizações ao uso da tecnologia.
É nesse intervalo entre produtividade e resultado financeiro que aparece um grupo bem mais restrito: os “AI high performers”, ou o “Clube dos 6%” da IA.
São os respondentes que atribuem 5% ou mais do EBIT de suas organizações ao uso de IA e dizem que a tecnologia já gera valor “significativo” para a companhia.
Eles representam apenas 6% dos participantes da pesquisa, proporção que não mudou em relação a 2025.
A pesquisa The state of AI in 2026: On the road to ROI ouviu 1.719 participantes, de diferentes níveis hierárquicos, entre 4 de maio e 8 de junho de 2026.
O levantamento mostra que o uso da tecnologia continua avançando: quase nove em cada dez entrevistados afirmam que suas organizações usam IA regularmente em pelo menos uma função de negócio, e 44% dizem que a tecnologia já está sendo escalada pela empresa, ante 38% no ano anterior.
Para Yran Dias, sócio sênior da McKinsey e líder de Transformação AI & Tech na América Latina, o grande desafio agora é transformar ganhos de produtividade individual em resultado financeiro para a empresa.
"As empresas líderes não estão simplesmente automatizando processos existentes: estão redesenhando seus fluxos de trabalho e usando IA tanto para eficiência quanto para crescimento e inovação", diz.
O que o “Clube dos 6%” faz de diferente?
A diferença não está simplesmente em usar IA.
Segundo a McKinsey, as empresas de alto desempenho são mais propensas a usar a tecnologia para transformar a organização, adotar um conjunto mais amplo de boas práticas, implementar uma variedade maior de tecnologias e administrar ativamente os riscos relacionados à IA.
Um dos principais sinais dessa diferença aparece nos objetivos.
Cerca de 80% tanto dos chamados high performers quanto dos demais buscam eficiência com IA.
Mas 74% dos líderes também perseguem crescimento com a tecnologia, ante 47% dos demais.
Quando o objetivo é inovação, são 65% contra 49%.
Os high performers também são 3,3 vezes mais propensos a afirmar que pretendem usar IA para transformar fundamentalmente seus negócios nos próximos três anos.
Outra diferença está em mexer na maneira como o trabalho é realizado.
Quase três quartos dos high performers dizem ter redesenhado fundamentalmente seus fluxos de trabalho por causa da IA, percentual que era de 55% no ano passado.
Entre os demais entrevistados, apenas um quarto relata uma transformação desse tipo.
As empresas do grupo de alto desempenho são duas vezes mais propensas a afirmar que seus líderes seniores demonstram comprometimento com as iniciativas de IA e que possuem processos definidos para medir o impacto dessas iniciativas.
Elas também são mais de duas vezes mais propensas a destinar pelo menos 15% do orçamento corporativo de tecnologia da informação e comunicação à IA.
A pesquisa identifica ainda práticas que aparecem com mais frequência nesse grupo, como determinar quando os resultados produzidos pelos modelos precisam de supervisão humana, administrar custos de tokens, computação e armazenamento, fazer planejamento estratégico da força de trabalho, redesenhar fluxos, medir o impacto das iniciativas e envolver a alta liderança.
Além dos 80% que dizem ter aumentado sua produtividade, cerca de metade dos entrevistados afirma que a IA ajudou a desenvolver novas habilidades e tomar decisões melhores.
Mas o percentual que atribui algum impacto positivo da IA no EBIT continua em 37%, praticamente inalterado em relação a 2025.
Os ganhos financeiros aparecem de maneira mais clara quando a análise é feita por áreas específicas.
As reduções de custos são relatadas com maior frequência em gestão da cadeia de suprimentos, operações de serviços e manufatura.
Os aumentos de receita, por sua vez, aparecem principalmente em marketing e vendas, desenvolvimento de produtos e serviços e engenharia de software.
A conta dos tokens começa a aparecer
Conforme a IA se espalha pelas empresas, seu custo operacional também começa a entrar na equação.
Um em cada cinco entrevistados afirma que sua organização já limitou o uso da IA por causa dos custos operacionais relacionados à tecnologia, incluindo tokens.
O fenômeno aparece em empresas de diferentes portes e em vários setores.
Ainda assim, os investimentos continuam avançando.
28% dos entrevistados dizem que suas organizações já gastam mais de 10% de todo o orçamento corporativo de tecnologia da informação e comunicação com tecnologias de IA.
E 60% esperam que os investimentos em inteligência artificial aumentem no próximo ano.
E as demissões provocadas pela IA?
O levantamento também coloca em perspectiva as previsões sobre o impacto da IA no emprego.
No ano passado, 32% dos entrevistados esperavam uma redução da força de trabalho provocada pela tecnologia.
Na prática, apenas 14% dos respondentes de organizações que usam IA afirmam agora que ela contribuiu para uma queda no número total de funcionários nos últimos 12 meses.
A expectativa, porém, voltou a crescer.
Agora, 39% esperam que a IA reduza o número total de funcionários de suas organizações no próximo ano, enquanto 43% projetam pouca ou nenhuma mudança.
Dois terços dos entrevistados relatam que houve pouca ou nenhuma alteração no emprego total de suas empresas relacionada à IA no último ano.
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