A harmonização glútea ganhou espaço entre famosas e influenciadoras que compartilham nas redes sociais resultados de procedimentos feitos para modificar o contorno, a projeção e a aparência dos glúteos.
A ex-BBB Jordana Morais foi uma das que mostrou recentemente o resultado de um tratamento realizado há cerca de um mês.
"Bumbum polêmico", escreveu ao publicar as imagens.
Bumbum de Virginia Fonseca: quanto custa chegar ao resultado? Especialistas explicam
De bioestimuladores à harmonização glútea: por que famosas investem cada vez mais no bumbum
Apesar de o nome sugerir uma técnica única, a chamada harmonização glútea reúne diferentes procedimentos, que podem ser escolhidos de acordo com as características e os objetivos de cada paciente.
As opções vão de substâncias injetáveis a tecnologias e cirurgias, com propostas que incluem tratar flacidez, corrigir irregularidades, melhorar o contorno e acrescentar volume.
"A harmonização glútea compreende todos os recursos utilizados para melhorar principalmente a forma, mas também o volume do glúteo.
É possível melhorar desde as irregularidades, como a celulite, até o formato e questões anatômicas, como a concavidade lateral, chamada de hip dip.
Outro desejo é o de elevar o glúteo.
Tudo isso entra como indicação para a harmonização glútea", explica o cirurgião plástico Carlos Manfrim.
Jordana mostrou resultado de harmonização de glúteos
Reprodução Instagram
Entre os recursos utilizados está o preenchimento com ácido hialurônico, incluindo formulações desenvolvidas para aplicação corporal.
De acordo com a cirurgiã plástica Maria Roberta Martins, também membro titular da SBCP, a escolha do produto deve levar em conta as características do tecido e a região a ser tratada.
"O preenchedor corporal precisa apresentar propriedades reológicas compatíveis com volumização, capacidade de sustentação e comportamento previsível no tecido.
É justamente essa adequação entre produto, anatomia e indicação que diferencia um preenchedor desenvolvido para o corpo de simplesmente utilizar um produto facial em uma área maior", esclarece.
O objetivo, segundo ela, não precisa ser necessariamente aumentar o tamanho dos glúteos.
O procedimento também pode ser utilizado para trabalhar a projeção posterior, definir o contorno, suavizar transições entre regiões e corrigir algumas assimetrias ou depressões, como os chamados hip dips.
"A proposta não deve ser simplesmente aumentar o tamanho dos glúteos, mas melhorar a relação entre volume, projeção, cintura, quadril e coxa, respeitando a anatomia individual.
Em outras palavras, buscamos proporção e harmonia, e não um padrão único de glúteo", avalia Maria Roberta.
Bioestimuladores atuam na produção de colágeno
Outra possibilidade são os bioestimuladores de colágeno, como o ácido polilático e a hidroxiapatita de cálcio.
Injetadas na região, essas substâncias provocam uma reação inflamatória controlada que estimula os fibroblastos, células responsáveis pela produção de colágeno.
"Essa reação inflamatória estimula os fibroblastos a produzirem colágeno, aumentando a quantidade dessas fibras na derme do local tratado", detalha a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro da SBCP.
Embora sejam frequentemente associados a tratamentos faciais, os bioestimuladores também podem ser empregados no corpo.
Nos glúteos, a proposta é melhorar a firmeza e atuar sobre a flacidez.
"No caso dos glúteos, a intenção é dar mais firmeza e tratar a flacidez", acrescenta a cirurgiã plástica Heloise Manfrim, também membro titular da SBCP.
PMMA exige atenção
Entre os materiais utilizados para preenchimento, o polimetilmetacrilato (PMMA) é o que desperta maior preocupação entre os especialistas citados.
Diferentemente de substâncias absorvíveis, trata-se de um material permanente, que não é produzido pelo organismo.
"Quando aplicado na região do glúteo, ele confere turgor, aumenta o volume e melhora o formato.
Mas esse é um preenchedor definitivo e alógeno, ou seja, um material que não é do próprio corpo da paciente.
Ao longo do tempo, a substância pode provocar uma reação do sistema imune, inflamando a região", afirma Carlos Manfrim.
Em casos de complicações, a retirada do material pode exigir cirurgia.
"A ressecção cirúrgica é, então, necessária, acometendo o formato e gerando cicatrizes.
Essas cirurgias têm caráter reparador e reconstrutor, para melhorar a saúde física da paciente, porque não há um antídoto, a não ser a ressecção cirúrgica", completa.
Tecnologias podem tratar flacidez
Também existem alternativas que não envolvem aplicação de substâncias para melhorar a aparência da região.
Entre elas estão tecnologias voltadas ao estímulo de colágeno e ao tratamento da flacidez.
O ultrassom microfocado, por exemplo, atua nas camadas mais profundas da pele por meio do aquecimento dos tecidos.
A dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que a tecnologia pode estimular a produção de colágeno e contribuir para a firmeza e o contorno corporal.
Em alguns casos, também pode ser utilizada para atuar sobre a gordura localizada.
Outra opção é a radiofrequência microagulhada.
O equipamento utiliza microagulhas para levar energia às diferentes profundidades da pele, promovendo aquecimento controlado e estimulando a produção de colágeno.
A técnica pode contribuir para a firmeza e a remodelação do contorno.
Estímulo muscular é outra estratégia
Quando o objetivo envolve a musculatura dos glúteos, além da musculação existem tecnologias que utilizam estímulos para provocar contrações musculares intensas.
A proposta é favorecer o desenvolvimento da região e, consequentemente, contribuir para sua projeção.
O dermatologista Abdo Salomão Jr., membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, cita equipamentos desenvolvidos para áreas maiores do corpo.
"O tratamento funciona por estímulo da musculatura.
São até 50.000 contrações supramáximas a cada tratamento, o que proporciona o desenvolvimento da musculatura e induz a redução da gordura", diz.
Cirurgia pode usar gordura da própria paciente
Entre as opções cirúrgicas, a lipoenxertia utiliza gordura retirada do próprio corpo para acrescentar volume e modificar o formato dos glúteos.
Por ser um tecido do próprio paciente, o risco de rejeição é menor.
Ainda assim, parte da gordura enxertada pode ser reabsorvida pelo organismo.
"As taxas de reabsorção giram em torno de 30%.
E também é importante lembrar que a gordura funciona exatamente como gordura.
Ou seja, o volume aumenta se a paciente engordar e diminui se ela emagrecer", alerta Carlos Manfrim.
Pele também entra nos cuidados
Além do volume e do formato, a qualidade da pele pode influenciar a aparência da região.
Procedimentos estéticos voltados à limpeza e à renovação cutânea podem ser utilizados para melhorar esse aspecto.
A dermatologista Lilian Brasileiro cita tratamentos que promovem limpeza profunda, removem células mortas e auxiliam no controle da oleosidade.
Segundo ela, esses cuidados também podem ajudar a reduzir a recorrência da foliculite, inflamação que pode atingir os glúteos.
Avaliação individual é essencial
A variedade de recursos disponíveis reforça que não existe uma única técnica capaz de atender a todos os casos.
O procedimento escolhido depende das características anatômicas, das condições da pele, da presença de gordura ou flacidez e do resultado pretendido.
Para Heloise Manfrim, a avaliação médica é indispensável antes da escolha do tratamento.
"Muitas técnicas podem ser associadas, atuando sinergicamente para potencializar resultados", finaliza.
O que é harmonização glútea? Entenda como é possível mudar o formato do bumbum
Fonte:
