A dificuldade de falar com desconhecidos, o medo de ser julgado em apresentações ao público e a preocupação excessiva com o que os outros pensam são situações que fazem parte da experiência de muitas pessoas. Quando esse receio se torna intenso, persistente e começa a interferir na rotina, porém, pode ser sinal de fobia social, também conhecida como transtorno de ansiedade social. A condição ganhou atenção após o influenciador Felca afirmar que convive com o problema. Após quase um ano fora da internet, ele publicou um vídeo no YouTube nesta terça-feira, 20, no qual compartilha que recebeu o diagnóstico de fobia social e descreve como a condição o deixou meses sem sair de casa.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) inclui o transtorno de ansiedade social entre os diferentes tipos de transtornos de ansiedade, marcados por medo e preocupação excessivos que podem prejudicar a vida cotidiana. “Se tem algo que eu sinto mais falta é conexão com pessoas. Mesmo com a minha fobia social controlada, me relacionar ainda é um desafio”, desabafou Felca. O que é fobia social? A fobia social é um transtorno de ansiedade em que a pessoa sente medo intenso de ser observada, avaliada negativamente, constrangida ou rejeitada pelos outros. É diferente de ficar nervoso antes de uma apresentação ou de sentir desconforto ao conhecer alguém novo. O receio pode ser tão forte que leva a pessoa a evitar determinadas situações, mesmo quando gostaria de participar delas, incluindo oportunidades profissionais e encontros com amigos.
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Segundo o Manual MSD, o medo costuma estar relacionado à possibilidade de passar vergonha, ser humilhado ou demonstrar sinais de ansiedade diante de outras pessoas. Em alguns casos, a preocupação envolve até mesmo a possibilidade de que os outros percebam o nervosismo. O transtorno pode aparecer em diferentes contextos, como falar em público, participar de reuniões, conversar com desconhecidos, comer diante de outras pessoas ou frequentar festas. Para algumas pessoas, o desconforto fica concentrado em situações específicas. Para outras, pode afetar boa parte das interações sociais. Quais são os principais sintomas? Os sintomas variam e podem envolver reações emocionais, pensamentos e manifestações físicas. Segundo o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), a ansiedade pode surgir antes, durante e depois de uma situação social, fazendo com que a pessoa passe muito tempo antecipando possíveis constrangimentos ou revivendo mentalmente o que aconteceu.
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Entre os sinais mais comuns estão:
Medo excessivo de ser criticado, julgado ou motivo de piada; Dificuldade para iniciar ou manter conversas; Receio de conhecer pessoas novas ou falar ao telefone; Evitação de festas, reuniões e outras situações sociais; Preocupação intensa antes de compromissos que envolvam outras pessoas; Suor excessivo, tremores, rubor no rosto e palpitações; Náusea, tensão e dificuldade para organizar os pensamentos em momentos de ansiedade.
No caso de Felca, o influenciador citou, por exemplo, que em gravações externas seu coração ficava acelerado do começo ao fim, a 138 batimentos por minuto.
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Nem todas as pessoas apresentam os mesmos sintomas. Além disso, sentir um ou outro desses sinais ocasionalmente não significa, por si só, que alguém tenha fobia social. O que merece atenção é a intensidade e a persistência do medo, principalmente quando ele provoca sofrimento ou limita atividades importantes. Quais são as causas? Não existe uma causa única para o transtorno de ansiedade social. Segundo as informações do NHS e do Manual MSD, o quadro pode estar relacionado à combinação de fatores biológicos, psicológicos e ambientais. Bullying, experiências de humilhações, rejeição e situações sociais constrangedoras podem aumentar o medo de passar por novas experiências semelhantes.
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Ter familiares com transtornos de ansiedade ou características relacionadas à ansiedade também pode aumentar a vulnerabilidade, embora não determine que a pessoa desenvolverá o transtorno. Além disso, fatores psicológicos como baixa autoestima e medo excessivo de críticas podem contribuir para o desenvolvimento da condição. No relato de Felca, o bullying aparece como um elemento central de sua história. O influenciador descreveu anos de agressões e exclusão no ambiente escolar, além do sentimento de não ser aceito pelos colegas. Quando procurar ajuda? A OMS ressalta que existem tratamentos eficazes para os transtornos de ansiedade, mas muitas pessoas ainda enfrentam barreiras para receber atendimento, incluindo o desconhecimento sobre a condição e o estigma associado à saúde mental.
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Quando o medo de interagir com outras pessoas começa a limitar a rotina, prejudicar relacionamentos ou impedir atividades importantes, vale buscar avaliação profissional. O diagnóstico deve ser realizado por um profissional, a partir da avaliação dos sintomas, do histórico da pessoa e dos impactos da ansiedade em sua rotina. De acordo com o Manual MSD, o medo precisa ser persistente, desproporcional à ameaça real e capaz de causar sofrimento significativo ou prejuízos à vida social, profissional ou a outras áreas importantes. Os critérios clínicos também consideram a duração dos sintomas e a tendência de evitar as situações que provocam ansiedade. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma das principais opções de tratamento para a condição. Ela ajuda a identificar pensamentos que intensificam a ansiedade, questionar interpretações negativas e desenvolver maneiras de lidar com situações sociais difíceis. Outra estratégia utilizada é a exposição gradual a situações sociais temidas, feita de forma planejada, com o objetivo de ajudar a pessoa a enfrentar esses cenários pouco a pouco, sem exigir que ela supere todas as dificuldades de uma só vez. Em determinados casos, o profissional de saúde também pode recomendar medicamentos, como antidepressivos específicos utilizados no tratamento de transtornos de ansiedade. A escolha depende das necessidades de cada paciente e deve ser feita com orientação médica.
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