O que é antissemitismo? Entenda significado do termo em meio ao aumento de casos no Brasil
A recente divulgação de casos de antissemitismo no Brasil pela Confederação Israelita do Brasil (Conib) aponta um aumento de 150% nas ocorrências desde 2022 e reacende o debate sobre o significado do termo. De acordo com os números, apesar da queda em relação ao pico de 2024, o cenário permanece crítico na série histórica. No campo político, propostas como a da deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), apresentada na semana passada, buscam estabelecer parâmetros para identificar esse tipo de conduta e orientar políticas públicas.
Leia: Deputados do PT retiram assinaturas de projeto sobre antissemitismo que cita críticas a Israel
Veja também: Antissemitismo no Brasil cresce 150% em meio a conflitos internacionais, aponta levantamento
Antissemitismo é o preconceito, a discriminação ou o ódio contra judeus, com base em sua origem étnica, religiosa ou cultural. Ao longo da história, essa população foi frequentemente retratada como uma ameaça coletiva — visão que alimentou perseguições e violências, incluindo o genocídio promovido pelo regime nazista, liderado por Adolf Hitler na Alemanha entre 1933 e 1945.
Antissemitismo no Brasil cresce 150% em meio a tensões internacionais
Governo do Estado de São Paulo
Segundo a coordenadora de enfrentamento ao antissemitismo da Conib, Anelise Fróes, o grau de agressividade desse tipo de discurso varia conforme a forma como os judeus são retratados em cada contexto histórico.
— No Brasil, o antissemitismo contemporâneo é muito diferente do antissemitismo estatal dos anos 1930 e 1940, mas ainda está baseado no ódio irracional e incapacidade de convívio e aceitação de qualquer diferença — explica Anelise.
Antissemitismo e os conflitos internacionais
O cenário internacional também influencia o aumento dos casos. O conflito entre Israel e Palestina, intensificado em outubro de 2023, e as tensões mais recentes envolvendo o Irã são apontados por especialistas como fatores que ajudam a explicar o crescimento do antissemitismo no país.
— A relação com o sionismo ou com o não gostar ou não aceitar que Israel tenha direito à sua existência, são discussões muito densas, muito importantes e que acabam recaindo, sim, numa responsabilização coletiva de todos os judeus do mundo por ações do seu governo — defende a coordenadora e alerta:
— Nenhum povo do mundo pode responder pelas ações dos seus governantes. As pessoas que moram em São Paulo, em Porto Alegre, os judeus e judias de Belo Horizonte, não podem ser responsabilizados, culpabilizados e cobrados por ações de um governo.
Anelise alerta que “o ponto mais importante é que as ondas de ódio que começam contra judeus não ficam restritas a eles”. Quando um país tolera ou incentiva esse tipo de comportamento, segundo ela, “deve estar ciente de que está colocando em risco todas as pessoas, todas minorias, todos os cidadãos, além de fragilizar a democracia e todas as duas estruturas institucionais e republicanas”.
