O que é a mineração de criptomoedas, prática investigada no Complexo do Lins
A Polícia Civil realiza, nesta sexta-feira, mais uma fase da Operação Contenção no Complexo do Lins, na Zona Norte do Rio, para prender traficantes do Comando Vermelho (CV) investigados por manter o domínio armado da região, além de envolvimento em outros crimes. Na ação, os agentes encontraram uma fazenda de criptomoedas que funcionava no interior de um mercado. O espaço abrigava dezenas de computadores usados para minerar bitcoins e outras moedas digitais por meio de ligações improvisadas de energia.
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Até agora, oito pessoas foram presas. O centro de mineração encontrado pelos policiais estava equipado com diversos computadores utilizados no processamento e validação de transações de criptomoedas.
O que são criptomoedas?
As criptomoedas só existem virtualmente: não há moedas ou cédulas físicas. Elas foram criadas como alternativa ao dinheiro tradicional, que é controlado por órgãos oficiais e instituições financeiras. No caso das criptomoedas, esse poder é descentralizado e distribuído por todos os computadores plugados ao sistema.
Fazenda de criptomoedas funcionava em merdado do Complexo do Lins
Reprodução/Polícia Civil
Mais de 16.500 criptomoedas já foram criadas. As principais são: bitcoin, ethereum, litecoin e ripple. O valor é definido por oferta e demanda.
Como é feita a mineração?
Operações desse tipo costumam ter alto consumo de energia elétrica. No imóvel alvo da ação, todos os equipamentos estavam ligados a uma rede improvisada.
São essas máquinas, também chamadas de 'mineradoras', que validam e registram cada transação com criptomoedas. Como ela é espalhada pela rede, nenhum órgão ou governo pode interferir em uma operação: enquanto houver computadores conectados, a rede continua de pé.
O processo de mineração das bitcoins tem dois objetivos. O primeiro é gerar novos bitcoins e garantir sua justa distribuição. O segundo é confirmar transações na moeda e as registrar numa espécie de "livro de contabilidade virtual", representado pela tecnologia blockchain.
Para criar novas bitcoins, são necessárias equações altamente complicadas resolvidas por supercomputadores em milésimos de segundo, ligados por uma rede paralela na internet. Por isso, há a necessidade de um sistema complexo como o que foi encontrado no Lins.
De dez em dez minutos, novas equações matemáticas são propostas aos supercomputadores, que tentam decodificá-las. O primeiro que as resolver recebe um lote de 6,25 bitcoins.
A resposta das equações (conhecida como hash, ou prova de trabalho) serve para organizar as "entradas" do livro de contabilidade (blockchain), ordenando os blocos de transações de dinheiro digital e conferindo a eles uma característica única, que impede códigos maliciosos (malwares) de fraudarem a operação.
Com todos esses cuidados, o minerador garante a continuidade do processo de geração de bitcoins, e inclusive recebe taxas pagas pelos usuários ao validar uma mineração.
A mineração de criptomoedas acontece non-stop, 24 horas por dia. Por isso, consome altíssimo nível de energia, justamente pelo uso de supercomputadores, que exigem alimentação constante. Segundo dados da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, anualmente, o gasto com a mineração virtual já está em 113 TeraWatts/hora (TW/h).
Operação mira núcleo criminoso
Um dos procurados nesta ação é o traficante Emanuel dos Santos Carvalho, conhecido como Mata Rindo. Além da ofensiva contra o tráfico, agentes também cumprem mandados contra integrantes de uma organização criminosa especializada no golpe conhecido como “falsa central telefônica”.
A ação é resultado de investigações conduzidas pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) e pela 26ª DP (Todos os Santos). A operação conta com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e de equipes dos departamentos-gerais de Polícia da Capital (DGPC), da Baixada (DGPB), do Interior (DGPI) e de Polícia Especializada (DGPE).
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Segundo a Draco, as investigações identificaram um núcleo criminoso altamente estruturado que atuava no tráfico de drogas, em roubos de veículos, assaltos a transeuntes e ataques a instituições bancárias. De acordo com as apurações, o grupo também mantinha vigilância armada nos acessos à comunidade, monitorando em tempo real a movimentação das forças de segurança e repassando informações sobre deslocamentos de viaturas, blindados e aeronaves.
Ainda conforme a investigação, os criminosos promoviam a contenção armada do território controlado pela facção e utilizavam grupos restritos de comunicação para compartilhar ordens operacionais, alertas sobre ações policiais e coordenar atividades ligadas ao tráfico de drogas e à atuação armada da organização.
Paralelamente, a 26ª DP identificou suspeitos envolvidos em roubos de veículos e celulares, além de extorsões e outras práticas violentas que, segundo a polícia, tinham o objetivo de sustentar o poder bélico e financeiro da facção no Complexo do Lins.
De acordo com a Polícia Civil, os elementos de inteligência reunidos apontam um elevado grau de organização e divisão de tarefas dentro do grupo criminoso, que atuaria de forma permanente para impor medo à população, assegurar o domínio territorial da facção e dificultar a atuação das forças de segurança.
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'Falsa central telefônica'
Além da ofensiva contra o tráfico, agentes cumprem mandados no Complexo do Lins contra integrantes de uma organização criminosa especializada no golpe conhecido como “falsa central telefônica”. Os investigados são apontados como participantes da estrutura financeira da fraude e responsáveis pelo recebimento dos valores obtidos ilegalmente. A investigação é conduzida pela 26ª DP em conjunto com a Polícia Civil do Estado do Piauí.
Segundo as apurações, os criminosos se passavam por funcionários do setor de segurança de bancos para enganar as vítimas. Durante as ligações, criavam uma falsa situação de urgência, alegando que a conta bancária havia sido comprometida e induziam as vítimas a entrar em contato com uma central clandestina controlada pela quadrilha.
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Com isso, os suspeitos conseguiam assumir o controle de contas bancárias e aplicativos financeiros, realizando transferências e outras movimentações fraudulentas.
