Uma pessoa caminha tranquilamente enquanto olha para o celular.
Segundos depois, objetos começam a voar, o corpo desafia a gravidade e uma situação aparentemente cotidiana se transforma em uma sequência digna de um filme publicitário.
Tudo isso sem que nada tenha realmente acontecido.
Essa é a proposta da chamada “Chaos Trend”, tendência que vem ganhando versões nas redes sociais a partir do uso de ferramentas de inteligência artificial generativa capazes de transformar imagens estáticas em vídeos.
Apesar do nome, produzir o “caos” exige planejamento.
Criadores podem começar com uma fotografia ou uma imagem produzida por IA e fornecer ao modelo instruções detalhadas sobre o que deve acontecer nos segundos seguintes.
A partir daí, ferramentas de geração de vídeo sintetizam os movimentos e os novos elementos da cena.
Em uma das versões compartilhadas nas redes, por exemplo, o prompt determina que a câmera permaneça imóvel enquanto uma pessoa salta, alcança o teto e fica pendurada de cabeça para baixo.
As instruções chegam ao detalhe de exigir que “cada rotação seja gradual e contínua”, que não existam mudanças instantâneas de posição e que cabeça, ombros e coluna permaneçam alinhados.
Há diferentes maneiras de produzir os vídeos.
Em publicação sobre sua própria experiência com a trend, o criador de conteúdo Gil Pinna afirma ter utilizado o modelo Seedance 2.5 e imagens separadas dos elementos que apareceriam na sequência, incluindo cenário, objetos e fichas dos personagens.
Em outro exemplo compartilhado nas redes, a orientação é carregar uma fotografia da pessoa e imagens dos objetos que participarão da cena antes de fornecer o prompt ao gerador de vídeo.
Os comandos também revelam algumas das dificuldades atuais da geração de vídeos por IA.
Há instruções explícitas para preservar rosto, cabelo, roupas e proporções corporais, manter o mesmo ambiente durante toda a sequência e impedir deformações do corpo.
Também são especificados elementos cinematográficos, como ângulo da câmera, iluminação e motion blur.
Como fazer a Chaos Trend?
Não existe uma fórmula única para entrar na trend.
Uma das maneiras compartilhadas por criadores é começar escolhendo uma foto que servirá como primeiro quadro do vídeo.
Também é possível fornecer separadamente imagens dos objetos que deverão aparecer ou “invadir” a cena.
Depois, as imagens são carregadas em uma ferramenta de geração de vídeo por IA, acompanhadas de um prompt descrevendo tanto o caos desejado quanto as regras que o modelo deve respeitar.
Nos exemplos publicados nas redes, os comandos dão atenção especial à preservação do rosto e do corpo da pessoa, à continuidade do cenário, aos movimentos da câmera e à física dos objetos.
Um prompt básico, que pode ser adaptado à situação desejada, seria:
“Use a imagem anexada como primeiro quadro do vídeo.
Preserve o rosto, cabelo, roupas e proporções corporais da pessoa durante toda a sequência.
Mantenha o mesmo cenário e iluminação.
Crie uma única tomada contínua, sem cortes ou mudanças de câmera.
Aos poucos, transforme a cena cotidiana em caos: os objetos presentes começam a voar e cair ao redor da pessoa, enquanto ela reage naturalmente ao que acontece.
Os movimentos devem ser contínuos, com gravidade, colisões, sombras e motion blur realistas.
Não deforme o corpo ou os objetos e não faça elementos desaparecerem entre os frames.
O resultado deve parecer uma filmagem real feita por smartphone de uma situação impossível.”
A partir daí, vale trocar a descrição genérica do “caos” pela ação desejada – uma caneca voando, óculos atravessando o quadro ou até uma pessoa terminando pendurada no teto, como nos exemplos que circulam nas redes.
Quanto mais detalhadas forem as instruções sobre o que acontece, em que ordem e como cada elemento deve se movimentar, maior o controle do criador sobre a sequência gerada.
Veja abaixo alguns exemplos:
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