O que acontece se Prestianni for condenado? Entenda a possível punição a caso de racismo contra Vini Jr
A partida entre Benfica e Real Madrid pela ida dos playoffs da Champions League foi marcada por denúncias de racismo - que ofuscaram a vitória merengue por 1 a 0. Nesta quarta-feira (25), às 17h, as duas equipes se enfrentam na capital espanhola pelo confronto de volta, o que reacende o caso.
Semana passada, o atacante Vinícius Júnior relatou ao árbitro ter sido alvo de insultos por parte do meia argentino Gianluca Prestianni após a comemoração de um gol. Imagens da TV mostram o jogador do time português com a camisa sobre a boca para esconder o que dizia na direção do brasileiro. O protocolo antidiscriminação foi acionado, e o jogo ficou paralisado por cerca de dez minutos. Após o jogo, Mbappé disse que escutou o argentino falar ‘mono’ (macaco em espanhol) cinco vezes para Vini.
A UEFA abriu procedimento disciplinar para apurar uma denúncia de conduta discriminatória durante a partida. Além disso, Prestianni foi suspenso preventivamente do jogo de volta enquanto o caso é analisado.
Segundo o Regulamento Disciplinar da UEFA, condutas que “insultem a dignidade humana” por motivos raciais, étnicos ou similares preveem suspensão mínima de dez jogos, podendo haver sanções adicionais conforme a gravidade.
Em depoimento à entidade, o jogador argentino admitiu ter utilizado a expressão 'maricón', termo em espanhol considerado homofóbico. A UEFA avaliará se a conduta se enquadra como discriminação, independentemente da natureza específica da ofensa.
Além da investigação sobre o atleta, imagens registradas nas arquibancadas mostram torcedores do Benfica fazendo gestos de cunho racista. Caso seja confirmada a participação de público em atos discriminatórios, o clube pode sofrer punições como fechamento parcial do estádio e multa.
O regulamento prevê agravamento das sanções em caso de reincidência.
O regulamento não detalha outras penalidades além da mínima, mas ressalta que 'o racismo e outras formas de discriminação têm de ser expulsas do futebol, de uma vez por todas', e que 'têm de ser impostas sanções mais severas a todos os tipos de comportamentos racistas que afetem o futebol'.
Ou seja, caso a investigação conclua que houve injúria racial, Prestianni pode receber uma punição ainda maior que dez jogos a depender do resultado da investigação em andamento e da gravidade do caso.
O processo disciplinar segue em fase de coleta de provas, incluindo imagens, relatório da arbitragem e depoimentos. Ainda não há prazo oficial para decisão.
A UEFA já aplicou suspensão mínima de dez partidas ao defensor Ondřej Kúdela, do Slavia Praga, em 2021, por ofensa racista contra Glen Kamara, do Rangers. Em ligas nacionais, federações também adotaram punições semelhantes em episódios recentes.
Punição pode se estender ao clube e à torcida
A punição pode se estender ao clube e à torcida caso sejam comprovadas práticas discriminatórias por parte dos torcedores. Imagens mostram torcedores do Benfica fazendo gestos imitando macaco em direção ao campo.
De acordo com o regulamento da Uefa, o fechamento parcial de setores do estádio é a primeira punição prevista nesses casos. Em caso de reincidência, pode haver fechamento total do estádio e aplicação de multa. Torcedores identificados como responsáveis por atos criminosos devem ser impedidos de frequentar jogos no futuro.
Ou seja, na prática, só haveria o risco do Benfica ser punido caso haja registro de novos casos de racismo por parte da torcida.
Casos de racismo contra Vini Jr não são novidade
Esta é a primeira vez que um atleta é denunciado por racismo contra Vinícius Júnior. Até então, os ataques denunciados haviam partido de torcedores.
A primeira condenação por insulto racista ocorreu em 2024, quando torcedores do Valência foram condenados a oito meses de prisão por ataques direcionados ao atacante do Real Madrid. Desde então, o jogador foi vítima de ao menos 17 casos denunciados de racismo — número que ainda não considera a acusação contra Prestianni.
Protocolo antirracista
O protocolo antirracista foi criado em maio de 2024. Segundo o Observatório da Discriminação Racial no Futebol, o número de denúncias aumentou desde então. Foram registrados 109 casos no futebol brasileiro no ano retrasado e 124 em 2025. Entre atletas brasileiros que atuam no exterior, 16 denunciaram ter sido vítimas de racismo em 2024, número que subiu para 20 no ano passado.
Do total de 36 episódios nesses dois anos envolvendo jogadores brasileiros no exterior, 17 foram ligados a Vinícius Júnior. Desde 2014, o número de ocorrências só não aumentou entre 2023 e 2024.
