A Braskem anunciou nesta segunda-feira (24) que entrará com um pedido de recuperação extrajudicial, com o objetivo de renegociar os prazos para a sua dívida, que atualmente soma cerca de US$ 10 bilhões.
A empresa é uma produtora de primeira e segunda gerações de resinas termoplásticas, com unidades industriais no Brasil, Estados Unidos, Alemanha e México.
Sua produção é focada nas resinas polietileno (PE), polipropileno (PP) e policloreto de vinila (PVC), além de insumos químicos básicos como eteno, propeno, butadieno, benzeno, tolueno, solventes, entre outros.
A empresa foi fundada em agosto de 2002, por meio da fusão da Copene, OPP, Trikem, Proppet, Nitrocarbono e Polialden, empresas da Organização Odebrecht e do Grupo Mariani.
No segundo trimestre de 2026, a Braskem registrou um lucro de R$ 3,32 bilhões, revertendo o prejuízo de R$ 267 milhões obtido no mesmo período do ano passado.
A receita líquida subiu 21,6%, na mesma base de comparação, para R$ 21,72 bilhões.
Já a dívida bruta corporativa era de US$ 10,3 bilhões.
No ano, as ações da Braskem acumulam perdas de 39,3%.
Por causa do pedido de recuperação extrajudicial, a B3 informou que a empresa seria excluída dos seus índices, incluindo o Ibovespa, a partir do fechamento do pregão de amanhã.
Quem é dono da Braskem?
A Braskem é uma empresa de capital aberto e os seus acionistas controladores são a Petrobras, que é sócia da companhia desde a sua fundação e que hoje detém 36,15% do total de ações da companhia, e o fundo de investimentos Shine, da gestora IG4 Capital, que tem uma participação de 34,32%, segundo o formulário de referência divulgado em 19 de agosto.
A IG4 Capital assumiu essa participação na Braskem após o seu fundo adquirir os créditos de bancos contra a Novonor, antiga Organização Odebrecht, que tinham ações da petroquímica como garantia.
Problemas ambientais
Em 2019, a Braskem foi alvo de críticas, após bairros de Maceió, em Alagoas, afundarem por conta de décadas de exploração subterrânea de sal-gema na região.
Esse material é considerado uma matéria-prima essencial para a indústria petroquímica.
Essa exploração causou uma instabilidade geológica nos bairros Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto, o que obrigou 55 mil pessoas a abandonarem suas casas, diante do risco de colapso estrutural.
Desde então, a Braskem interrompeu as suas atividades com sal-gema na cidade, iniciou medidas de reparo socioambiental e fez acordos com as autoridades para indenização e realocação de moradores.
Em 2024, a Polícia Federal indiciou 20 pessoas por exploração e sal-gema pela empresa e seus colaboradores e, em junho deste ano, a Justiça Federal aceitou uma denúncia do Ministério Público Federal sobre o caso.
