O perigo de atender chamadas desconhecidas no WhatsApp

O perigo de atender chamadas desconhecidas no WhatsApp

Fonte: Bandeira



Atender uma ligação de um número desconhecido no WhatsApp pode parecer um gesto inofensivo, mas esse primeiro contato também pode ser explorado por criminosos.

Embora a maior parte dos golpes dependa da conversa para convencer a vítima a fornecer informações ou realizar alguma ação, uma chamada também pode servir para confirmar que um número está ativo, reunir dados que ajudam na preparação de novas fraudes e até capturar amostras de voz usadas em esquemas de clonagem por inteligência artificial (IA).

Para explicar quais riscos realmente existem e como se proteger, o TechTudo conversou com Lucas Galvão, CEO da Open Cybersecurity, e Igor Baliberdin, fundador e diretor de Design da LOOOP.

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O perigo de atender chamadas desconhecidas no WhatsApp

Mariana Saguias/TechTudo

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Índice

O risco real de atender números desconhecidos

A estratégia dos criminosos para identificar vítimas

IA e o avanço da clonagem de voz

Os golpes mais comuns nas chamadas do WhatsApp

O que fazer se você atender uma ligação suspeita

Como se proteger e evitar cair em fraudes

O risco real de atender números desconhecidos

Receber uma ligação de alguém que não está na agenda não significa, automaticamente, que você caiu em um golpe.

Ainda assim, os especialistas recomendam cautela.

Dependendo da intenção de quem está do outro lado da linha, a chamada pode fazer parte de um disparo em massa ou marcar o início de uma abordagem mais elaborada.

Lucas Galvão chama atenção para um aspecto pouco conhecido.


Como as ligações individuais do WhatsApp utilizam uma conexão ponto a ponto (P2P), os aparelhos precisam trocar informações para que a chamada seja estabelecida.


"O simples ato de atender uma chamada individual já pode expor o seu endereço IP, porque o WhatsApp usa conexão ponto a ponto: os dois aparelhos precisam 'se enxergar' na rede para a ligação acontecer, e isso ocorre ao atender", explica o especialista.


Para Igor Baliberdin, porém, o principal risco continua sendo a conversa que acontece depois que a ligação é aceita.

Segundo ele, os golpes atuais exploram principalmente a engenharia social.

Em vez de recorrer a técnicas sofisticadas de invasão, o criminoso conduz o diálogo para que a própria vítima revele informações, confirme dados ou realize alguma ação.

Esse foi um dos motivos que levaram o WhatsApp a criar a função Proteger endereço IP nas ligações, disponível nas configurações de privacidade do aplicativo.

Quando ativada, a ferramenta faz com que as chamadas passem pelos servidores da Meta, reduzindo a exposição do IP ao outro participante.


A plataforma também oferece a opção Silenciar chamadas de desconhecidos, que impede que ligações de números fora da agenda toquem no aparelho.

Ainda assim, os especialistas ressaltam que a principal porta de entrada para esse tipo de golpe continua sendo a interação com o criminoso, e não apenas uma possível vulnerabilidade técnica.

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A estratégia dos criminosos para identificar vítimas

Nem sempre o objetivo de uma ligação é aplicar um golpe imediatamente.

Em muitos casos, ela serve apenas para separar números ativos daqueles que nunca respondem.

Baliberdin explica que atender uma chamada pode indicar aos golpistas que aquele contato está em uso, embora isso não signifique que um ataque acontecerá na mesma hora.


"Atender pode indicar que aquele número pertence a uma pessoa que utiliza o WhatsApp regularmente.

Isso pode fazer com que o contato seja mantido em listas de potenciais vítimas para novas tentativas de golpe", afirma.


Segundo o especialista, durante essas abordagens, respostas aparentemente simples, hábitos de fala e demonstrações de insegurança ajudam os criminosos a construir golpes mais convincentes em contatos posteriores.

Já Galvão afirma que essa estratégia geralmente é aplicada em larga escala.

"Cada telefone que toca é uma aposta barata, e cada pessoa que atende se promove sozinha de 'número aleatório' para 'alvo vivo e confirmado'.

Número que responde vira ativo, entra em novas listas, é revendido."

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IA e o avanço da clonagem de voz

Ferramentas de IA capazes de reproduzir vozes estão cada vez mais acessíveis e já passaram a ser exploradas por criminosos em diferentes tipos de golpe.

Com poucos segundos de áudio, esses sistemas conseguem imitar características da fala de uma pessoa e criar mensagens capazes de enganar familiares, amigos ou colegas de trabalho.

Galvão explica que até mesmo as chamadas em que ninguém responde podem fazer parte dessa estratégia.

"Em muitos casos, o silêncio não é falha de sinal, é gravador ligado", afirma.


Segundo o especialista, o objetivo é incentivar a vítima a dizer frases simples, como "alô" ou "quem está falando?", que depois podem servir de base para ferramentas de clonagem de voz.

Baliberdin pondera que a eficiência desse tipo de fraude depende da tecnologia utilizada e da quantidade de material disponível.

Ainda assim, ele destaca que as ferramentas evoluíram rapidamente e já conseguem gerar vozes bastante convincentes a partir de poucos segundos de um áudio limpo, principalmente quando o objetivo é produzir mensagens curtas para criar uma situação de urgência.

No entanto, os dois especialistas concordam que esse tipo de golpe costuma atingir pessoas próximas da vítima.

Depois de reproduzir a voz com IA, o criminoso pode alegar um acidente, pedir uma transferência via Pix ou inventar qualquer outra emergência para convencer familiares a enviar dinheiro sem confirmar a história.

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Os golpes mais comuns nas chamadas do WhatsApp

As ligações feitas pelo WhatsApp servem de porta de entrada para diferentes fraudes, mas quase todas seguem um padrão: criar um senso de urgência para que a vítima aja antes de verificar se a história é verdadeira.

Baliberdin explica como funcionam as abordagens mais comuns.


"Os golpes mais comuns envolvem pessoas se passando por bancos, empresas conhecidas, suporte técnico ou órgãos públicos para obter códigos de verificação, senhas ou outras informações sensíveis", explica.


O especialista acrescenta que também há casos em que a vítima é convencida a compartilhar a tela do celular ou instalar apps que permitem o acesso remoto ao aparelho.

Galvão lembra que os pedidos de dinheiro em nome de parentes ou amigos continuam entre as fraudes mais recorrentes e ganharam um novo impulso com a clonagem de voz.

O especialista também cita falsas centrais de atendimento, chamadas utilizadas apenas para expor o endereço IP da vítima e tentativas de deepfake em videochamadas, tecnologia que ainda está dando os primeiros passos no Brasil, mas que já desperta a atenção de especialistas em segurança digital.

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O que fazer se você atender uma ligação suspeita

Se perceber que a chamada faz parte de uma tentativa de golpe, a principal recomendação é encerrá-la imediatamente.

Quanto menor for a interação com o criminoso, menores serão as chances de ele obter informações que possam ser usadas em novas fraudes.

Galvão recomenda agir rapidamente caso exista qualquer suspeita de que a conversa tenha sido usada para coletar dados ou capturar amostras de voz.


"Faça o que quase ninguém pensa em fazer: avise imediatamente a sua família de que a sua voz pode ter sido capturada", afirma.


Ele também orienta criar uma palavra de segurança entre familiares e amigos para confirmar pedidos urgentes de dinheiro ou ajuda.

Se houver perda financeira, a recomendação é registrar um boletim de ocorrência e acionar o banco responsável pela conta envolvida na fraude.

Baliberdin acrescenta que a vítima não deve fornecer dados pessoais nem prolongar a conversa por curiosidade.

Segundo o especialista, também é importante bloquear o contato, denunciá-lo dentro do próprio WhatsApp e, caso alguma informação sensível tenha sido compartilhada, alterar senhas e revisar os dispositivos conectados às contas mais importantes.

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Como se proteger e evitar cair em fraudes

Entre as medidas mais importantes está ativar o recurso Proteger endereço IP nas ligações, que faz com que as chamadas sejam roteadas pelos servidores da Meta, reduzindo a exposição desse dado durante conversas com desconhecidos.

Outra configuração útil é Silenciar chamadas de desconhecidos, impedindo que ligações de números que não estão salvos interrompam a rotina do usuário.

O WhatsApp também passou a oferecer nomes de usuário, recurso que permite iniciar conversas sem divulgar o número de telefone e reduzir a exposição dessa informação.

Também vale a pena manter a verificação em duas etapas ativada, restringir quem pode visualizar informações do perfil e nunca compartilhar códigos de autenticação ou dados bancários durante ligações.

Essas medidas não impedem todas as tentativas de golpe, mas dificultam a ação dos criminosos e reduzem o impacto caso um contato malicioso aconteça.

Baliberdin resume que, apesar dos recursos de segurança disponíveis, a prevenção ainda depende principalmente do comportamento do usuário.


"A tecnologia ajuda, mas a principal proteção continua sendo o senso crítico.

Sempre desconfie de contatos inesperados, confirme a identidade da pessoa por outro canal antes de compartilhar informações ou enviar dinheiro e nunca tome decisões sob pressão", orienta.

A avaliação de Galvão segue na mesma direção.

Para o especialista, golpes desse tipo exploram momentos de distração, urgência ou confiança excessiva.

Por isso, antes de atender pedidos incomuns ou realizar qualquer transferência, vale interromper a conversa por alguns instantes e confirmar a situação por outro meio de contato.


Veja como se proteger para não cair em golpes

Mariana Saguias/TechTudo

Com informações de TechTudo (1 e 2)

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