O Pão de Açúcar vai fechar? O número de lojas vai encolher?
Com o acordo de recuperação extrajudicial anunciado pelo Grupo Pão de Açúcar nesta terça-feira para reestrutura uma dívidade R$ 4,5 bilhões, muitas dúvidas surgem em torno da operação da rede varejista, que além das redes Pão de Açúcar, Minuto Pão de Açúcar e Pão de Açúcar Fresh, o controla as bandeiras Extra e Mini Extra. O grupo ainda possui marcas próprias vendidas em suas lojas, como Qualitá, Taeq, Pra Valer e Club des Sommeliers. Veja o que dizem os analistas:
O Pão de Açúcar vai fechar lojas? Vai demitir funcionários?
No comunicado feito ao mercado, o grupo afirmou que lojas não serão fechadas e nada muda para os funcionários. Os problemas, segundo a rede, são financeiros e não operacionais. Mas analistas avaliam que o GPA, além de alongar sua dívida, terá que continuar cortando custos e mexer em sua operação, por exemplo, avaliando unidades que não são lucrativas. Isso pode implicar em fechamento de lojas e redução de pessoal, dizem os analistas. Presente em todo o território nacional, o grupo tem 728 lojas e 37 mil colaboradores diretos.
Muda alguma coisa no dia a dia da operação?
O comunicado diz que não há mudanças na operação das lojas, que deverão seguir funcionando normalmente. O GPA informou ainda que está em dia com suas obrigações junto a fornecedores, clientes e parceiros.
Por que a empresa chegou a essa situação?
Os analistas dizem que o GPA tem problemas de geração de caixa há alguns anos. O grupo começou uma reestruturação em 2021 vendendo ativos, como lojas, postos de gasolina e parte da operação que tinha na Colômbia, na rede Exito. Obteve R$ 1,5 bilhão, mas os problemas continuam com prejuízos seguidos. As dívidas com credores foram crescendo e o prazo de vencimento encurtando. Este ano, por exemplo, há vencimentos de R$ 1,7 bilhão, mas a empresa tem capital circulante negativo de R$ 1,2 bilhão. Com a taxa Selic de 15% ao ano, o GPA paga juros muito altos e não consegue baixar o endividamento dos atuais R$ 4,5 bilhões.
O que esperar da recuperação extrajudicial?
De acordo com o fato relevante da companhia, o plano tem efeitos imediatos. Ou seja, prevê a suspensão das obrigações da companhia junto aos credores afetados e cria um ambiente seguro e estável para a continuidade das negociações por 90 dias. Nesse período, um comitê de avaliação vai definir a estratégia para reduzir a dívida com os credores.
Quem são os principais credores da empresa?
Os principais credores incluem o Itaú Unibanco, o banco holandês Rabobank, a Vórtx, o BTG Pactual, o HSBC e a Pentágono.
Só o alogamento do vencimento da dívida vai melhorar a situação de caixa?
Analistas avaliam que apenas a reestruturação da dívida não resolve os problemas financeiros da companhia. Será preciso continuar cortando custos, e avaliando a operação, inclusive mix de produtos vendidos e pontos de venda. Alguns analistas avaliam que os principais acionistas terão que injetar algum capital na empresa.
O que vai resultar desse processo?
Embora sejam casos diferentes, analistas avaliam que o GPA terá que fazer o mesmo trabalho realizado na Americanas, que resultou num grupo muito menor. No caso do GPA, também se espera que ao final desse processo, a empresa fique mais enxuta.
