São Paulo e Corinthians se enfrentarão na 34ª rodada do Brasileirão hoje, 31 de outubro, na Vila Belmiro, devido à indisponibilidade do Morumbi. A escolha pelo estádio em Santos reflete um afastamento crescente do antigo Pacaembu, que já foi considerado a segunda casa de grandes clubes como Corinthians, Palmeiras e São Paulo.
O Pacaembu, que antigamente recebia clássicos do futebol paulista, passou por privatização, reformas e agora é conhecido como Mercado Livre Arena Pacaembu. Apesar de ter abrigado eventos importantes, como a final da Copinha e a Taça das Favelas, sua utilização para jogos de futebol se tornou raríssima nos últimos anos.
Nos jogos de 2026, o Pacaembu já recebeu algumas partidas, como Juventus x União São João em 12 de setembro, com apenas 2.488 torcedores presentes. O próximo jogo profissional está agendado para 17 de novembro, com Santos e São Paulo se enfrentando pelo Paulistão Feminino, representando apenas o quarto jogo profissional do ano no estádio.
A queda do Pacaembu como opção para os grandes times se deve a vários fatores. Primeiramente, a modernização dos estádios pós-2014 levou clubes a construírem arenas próprias, como a Neo Química Arena do Corinthians e o Nubank Parque do Palmeiras.
Estas têm capacidades muito maiores, sendo capazes de receber 66 mil torcedores no Morumbi, enquanto o Pacaembu, reformado, tem capacidade reduzida a 26 mil. Outro fator que afasta os clubes do Pacaembu é o gramado sintético.
Corinthians, São Paulo e Santos preferem jogar em gramados naturais. Embora o Palmeiras utilize um gramado artificial em sua arena, a resistência dos jogadores ao campo sintético é evidente.
Recentemente, houve discussões sobre a possibilidade de troca do gramado do Pacaembu para um piso natural, mas a administração ainda considera os custos e condições necessárias para essa mudança. A falta de tecnologia adequada para jogos de Série A, como o impedimento semiautomático exigido pela CBF, também representa um desafio.
Enquanto alguns clubes já realizam jogos em outras sedes, como Santos jogando na Neo Química Arena e no Morumbi, a recomendação da Allegra, administradora do Pacaembu, é de que as portas ainda estão abertas para uma possível utilização do estádio no futuro. Por outro lado, a resistência da comunidade local também precisa ser considerada.
O Coletivo Pró-Higienópolis demonstra preocupações sobre a transformação do Pacaembu em um espaço predominantemente comercial, se distanciando de suas finalidades públicas originais. Eles defendem a necessidade de um planejamento adequado para controlar os impactos sonoros dos eventos realizados no estádio, expressando seu desejo de que a utilização do terreno mantenha seu caráter público.
Enquanto o Pacaembu enfrenta desafios significativos, a esperança é de que ele ainda possa recuperar alguma de sua relevância no cenário esportivo paulistano. Com um calendário repleto de shows e eventos, espera-se que novas adaptações e parcerias possam trazer de volta os grandes jogos ao histórico estádio, preservando sua importância na memória coletiva dos torcedores.
Diário do Estado GO