O novo Anthrax? droga sintética em papel envenenado provoca mortes em prisão e alerta autoridades nos EUA

 

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Uma série de mortes de detentos em uma prisão de Chicago, nos Estados Unidos, foi associada a uma nova e alarmante forma de tráfico de drogas: papel impregnado com substâncias sintéticas altamente tóxicas, capaz de ser fumado dentro das celas e difícil de detectar pelas autoridades.

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O caso veio à tona após a morte do detento Thomas Diskin, de 57 anos, encontrado sem vida em janeiro de 2023 no Centro Correcional do Condado de Cook. Não havia sinais de violência ou queda que explicassem o óbito — apenas pequenos pedaços de papel queimado espalhados pela cela.

“Eu disse: ‘Precisamos testar isso e descobrir o que está acontecendo’”, lembrou Brad Curry, chefe de gabinete do escritório do xerife local, para o jornal New York Post ao se referir aos fragmentos encontrados. Exames laboratoriais confirmaram que o papel estava embebido em um canabinoide sintético chamado Pinaca, substância que se mostrou letal quando fumada.

Antes que as autoridades conseguissem conter a prática, outros presos morreram em circunstâncias semelhantes. Em menos de duas semanas após o primeiro caso, um jovem de 23 anos foi encontrado morto. Menos de um mês depois, outro detento, de 35 anos, também morreu. Ao longo de 2023, seis presos morreram após consumir o papel contaminado, geralmente utilizando um pavio improvisado com papel higiênico ou tecido.

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A cadeia do Condado de County

Reprodução: Welsh Group

“Nós não sabíamos o que havia [no papel na cela de Diskin], mas sabíamos que era uma droga”, afirmou Curry. “E era uma corrida contra o tempo… tínhamos uma nova droga que é muito, muito tóxica e muito, muito letal, e aparentemente o Narcan não funcionava nela.”

As autoridades passaram a alertar os presos com mensagens diretas espalhadas pela unidade, que abriga cerca de 6 mil detentos: “Não use drogas na prisão se você quer viver”. Também intensificaram a inspeção de correspondências e revistas nas celas, buscando sinais como manchas ou descoloração no papel.

Apesar dos esforços, a droga continuou a entrar no presídio. Os pedaços são pequenos e difíceis de detectar — nem mesmo cães farejadores conseguem identificar o canabinoide sintético, segundo Curry. Como o papel é essencial para a comunicação dos detentos com familiares e para atividades administrativas, sua proibição total foi descartada.

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Com o aumento da vigilância, traficantes passaram a usar métodos mais sofisticados, como impregnar documentos jurídicos ou páginas de livros enviados por correio, disfarçados como encomendas legítimas. Uma única folha pode valer até US$ 10 mil (Aproximadamente R$ 50 mil), valor que, segundo as autoridades, levou até funcionários a participarem do esquema.

“Se você é um agente corrupto, [detentos que atuam como traficantes] vão dar uma certa quantidade disso toda vez que você trouxer uma folha de papel… então eles fazem isso pelo dinheiro. É muito lucrativo”, disse Curry.

Visitantes também são usados para o contrabando. Imagens de vigilância registraram, em maio de 2024, uma visitante arremessando discretamente um pequeno pedaço de papel ao detento durante uma visita.

Desde 2023, cerca de 130 prisões por crimes graves foram realizadas envolvendo contrabandistas e detentos ligados ao esquema. A adoção de máquinas capazes de identificar substâncias além de tinta em folhas ajudou a reduzir os casos: em 2024, apenas uma morte foi registrada. Ainda assim, há suspeitas de novos óbitos relacionados à prática em 2025 e 2026, aguardando confirmação oficial.

Outro fator de preocupação é a evolução das substâncias utilizadas, que se tornaram mais potentes ao longo do tempo. “Acho que o tipo de droga que estão usando agora, a potência dessa droga, provavelmente será um fator que contribui para vermos um aumento [nas mortes] este ano”, explicou Curry.

Embora o problema já tenha atingido outras prisões no país, autoridades temem que a técnica se espalhe para fora do sistema prisional. A dificuldade de identificação e o alto valor de mercado poderiam transformar o tráfico.

“Se você é um policial e aborda alguém… e há uma pilha de papel de escritório em uma embalagem aberta, você não faz ideia de que aquilo pode valer US$ 1 milhão (aproximadamente R$ 5 milhões) em drogas, e seus cães não vão detectar. Ninguém vai saber… até educarmos todos os policiais”, alertou.

“As consequências, se isso chegar às ruas, são enormes. Esta seria a maior guerra às drogas que você já viu na vida… haveria muitos novos traficantes milionários, porque ninguém perceberia por um bom tempo”, afirmou. “E como você mantém isso fora das escolas, se está em pedaços de papel? É aterrorizante. Seria pior do que o fentanil nas ruas.”