'O Médico à Força' marca reencontro do Cena Aberta com o público paraense

 

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O grupo Cena Aberta retorna aos palcos com o espetáculo “O Médico à Força”, adaptação satírica da clássica obra de Molière. A montagem presta homenagem à atriz, encenadora e ativista Zélia Amador de Deus, doutora em Ciências Sociais, cofundadora do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (CEDENPA) e uma das principais fundadoras do grupo teatral. “Celebrar a trajetória de Zélia é também reconhecer a força do teatro paraense como instrumento de transformação social e política”, destaca a produção do espetáculo.


Na trama, o público acompanha Sganarelo, um lenhador preguiçoso que, após uma vingança da própria esposa, é obrigado a fingir ser médico, mesmo sem possuir qualquer conhecimento sobre medicina. A partir daí, ele assume a missão de curar a misteriosa mudez da filha de um nobre, envolvendo-se em situações absurdas, farsas e confusões marcadas pelo humor afiado característico de Molière.


A adaptação expõe, de maneira crítica e cômica, uma sociedade em que títulos têm mais valor do que competência, as aparências facilmente enganam e a verdade se molda de acordo com interesses e conveniências. “Mesmo sendo um texto clássico, a obra dialoga diretamente com questões ainda presentes na sociedade contemporânea”, ressalta a equipe artística.


O Grupo de Teatro Cena Aberta surgiu em 1976, formado inicialmente por Luís Otávio Barata, Margaret Refkalefsky, Walter Bandeira e Zélia Amador de Deus. Desde então, construiu uma das trajetórias mais relevantes do teatro paraense, produzindo, entre 1976 e 1991, 23 espetáculos e consolidando forte presença na cena cultural do Pará.


Durante o período da Ditadura Militar no Brasil, o Cena Aberta também se destacou como um importante espaço de resistência artística e política em Belém. Em meio à censura e à repressão impostas pelo regime, o grupo utilizava o teatro como ferramenta de crítica social, levantando discussões sobre liberdade, desigualdade e direitos humanos por meio de encenações marcadas pela experimentação estética e pelo posicionamento político. “O palco era também um espaço de enfrentamento e reflexão coletiva em tempos de repressão”, relembra a produção.


A atuação do grupo contribuiu para fortalecer a cena cultural paraense em um momento de silenciamento de artistas e intelectuais. Ao lado de outros movimentos culturais da época, o Cena Aberta ajudou a transformar o teatro em um território de resistência simbólica na Amazônia. “O legado do grupo permanece vivo justamente por unir arte, pensamento crítico e compromisso social”, afirma a equipe do espetáculo.


A homenagem a Zélia Amador de Deus atravessa toda a montagem como reconhecimento à sua contribuição histórica para o teatro e para a universidade pública. Sua trajetória segue inspirando artistas e fortalecendo o compromisso do Cena Aberta com uma arte crítica, coletiva e política.


“O Médico à Força” será apresentado nos dias 16 de maio, às 20h, e 17 de maio, às 18h, no Curro Velho. A direção é de Margaret Refkalefsky, com design e divulgação assinados por Rafaela Takemura e apoio da Fundação Cultural do Pará (FCP).


O elenco reúne Rafaela Takemura, Joseph Cruz, Ste Ribeiro, Paula Basttos, Isabel Lopes, Amanda Macêdo, Eduardo de Moraes, Mauricio Panzera, Amanda Marthins e Tatiana Marques.


SERVIÇO


Espetáculo “O Médico à Força”


Datas e horas: dia 16, às 20h, e 17/05 às 18h

Local: Fundação Curro Velho (R. Prof. Nelson Ribeiro, 287, bairro do Telégrafo)

Direção: Margaret Refkalefsky

Desing e mídia: Rafaela Takemura

Apoio: Fundação Curro Velho