O lendário cantor que é como uma "entidade ou ser superior" segundo Sting do The Police

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Por Gustavo MaiatoPostado em 21 de outubro de 2026 Stevie Wonder ocupa um lugar à parte no panteão pessoal de Sting.

Em texto publicado pela revista britânica Far Out, o jornalista Tim Coffman relembra a devoção do ex-líder do The Police pelo cantor, que participou da gravação de "Brand New Day". A faixa já estava praticamente resolvida quando Wonder chegou ao estúdio, mas ter o ídolo em um disco seu teve outro peso para o britânico.

Na leitura da Far Out, a presença do convidado soou para Sting como a visita de uma divindade musical. O próprio cantor tratou de confirmar a impressão, com uma reverência rara entre astros do rock: "[Ele é] meu professor, meu guru, minha inspiração, você é um ser superior, e eu te amo.

E quando ele entra numa sala, é como um ser superior. Ele é uma entidade poderosa, espiritual."

A carreira solo de Sting ajuda a entender esse tipo de admiração. Segundo Coffman, o músico encarava cada álbum de Paul Simon como um teste para os próprios limites, e o exemplo do norte-americano, capaz de se reinventar em trabalhos como "Graceland", mostrou que era possível abandonar a fórmula do The Police.

Foi esse caminho que o afastou da nostalgia e o aproximou de nomes do jazz e da world music. Simon, por sua vez, também se curvou a Wonder.

"Alguém consegue imaginar o que teriam sido os últimos 25 anos da música popular americana sem Stevie Wonder? Ele é o compositor de sua geração", afirmou. A admiração veio com uma pitada de ironia: no ano em que levou um Grammy, Simon agradeceu ao colega, em tom de brincadeira, por não ter lançado disco naquela temporada.

Sting, ao contrário, preferiu apenas desfrutar da chance de gravar ao lado dele. Para o autor, elogiar a voz de Wonder é chover no molhado.

O que o distingue é a cabeça harmônica: seja cantando, seja na gaita, ele transforma progressões de acordes pouco convencionais em canções definitivas, como provou em "Songs in the Key of Life". Coffman ressalta ainda que a fama nunca foi o objetivo do artista, mais interessado em fazer as pessoas felizes e em escolher o amor em vez do ódio, mesmo nas composições mais melancólicas.

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