O lado oculto de um paraíso australiano: conheça a história da ilha onde campistas dormiam sobre sepulturas

 

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A cerca de 19 quilômetros da costa de Fremantle, no sudoeste da Austrália, uma colina azulada surge no horizonte para quem observa o mar a partir de Perth. Ali fica a Ilha Rottnest, conhecida pelos povos aborígenes Noongar como Wadjemup, um destino que hoje recebe mais de 800 mil visitantes por ano.

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Com praias de areia branca, águas cristalinas e os simpáticos quokkas, pequenos marsupiais famosos por “sorrirem” em fotos, a ilha se tornou um dos locais turísticos mais populares da região. Mas, por trás da paisagem paradisíaca, há uma história marcada por sofrimento.

De local sagrado a prisão colonial

De acordo com a CNN Portugal, para o povo Noongar, Wadjemup sempre foi um lugar espiritual. Segundo o ancião Len Collard, a tradição diz que os espíritos dos mortos viajam para o oeste, em direção às ilhas. Esse significado se intensificou no período colonial, quando o local passou a abrigar uma prisão para indígenas.

Criada em 1838, a unidade recebeu homens e meninos aborígenes acusados principalmente de roubar gado ou alimentos. Muitos foram julgados em um idioma que não compreendiam e enviados para a ilha, onde realizavam trabalhos forçados na construção de estruturas locais.

Ao longo de 93 anos, quase quatro mil indígenas passaram pela prisão. Pelo menos 373 morreram no local e foram enterrados em sepulturas sem identificação.

O contraste com o turismo atual

Após o fechamento da prisão, em 1902, a ilha começou a se reinventar como destino turístico. Em 1911, o antigo bloco de celas foi transformado em hospedagem, e um cemitério indígena acabou sendo usado por décadas como área de camping, prática encerrada apenas em 2007.

Nos últimos anos, iniciativas buscam reconhecer esse passado. O Projeto Wadjemup, iniciado em 2020, inclui ações de memorialização e cerimônias culturais para honrar os indígenas que morreram no local.

Hoje, passeios guiados por membros da comunidade Noongar ajudam visitantes a conhecer tanto a beleza natural da ilha quanto sua história. Para muitos descendentes, Wadjemup continua sendo um espaço de memória.

“Meu povo está enterrado lá”, disse Collard. “E gosto de ir até eles e dizer olá.”