O ilustre desconhecido.
Você pode até não ter
escutado o nome do Paulinho
da Costa, mas com certeza já ouviu os nomes de Michael Jackson, Madonna, Quincy
Jones, Elton John, Prince, Céline Dion, Bob Dylan, Eric
Clapton, Whitney Houston,
Stevie Wonder, will.i.am, Rod
Stewart, Miles Davis, Aretha
Franklin, Ella Fitzgerald, Ray
Charles, Barbra Streisand,
Djavan, Roberto Carlos e Sérgio Mendes, para citar
alguns.
Esta é uma pequena parte
da lista dos músicos com
quem o Paulinho da Costa
colaborou em canções que
marcaram a história. Foram
mais de 6 mil canções, com
bem mais de 900 artistas que
fizeram parte da sua vida.
Certamente você já dançou,
cantou, ouviu e viveu muitas delas.
Quer um exemplo? No álbum mais vendido da história da música, Thriller, do eterno Rei do Pop, Michael Jackson,
tem o ritmo do Paulinho. E não para por aí, não. São dezenas de hits e vencedores no Grammy, o maior prêmio
da música mundial, em
categorias como Álbum,
Single e Revelação. Paulinho
participou da construção
de cada um desses hits.
Tornou-se com isso o músico
com mais participações na história do prêmio.
Mas os passos de Paulinho não se limitam aos mais de 186 álbuns de ouro e platina
em sua carreira. Eles também
ecoam no cinema. Jurassic Park, Missão Impossível, Star Wars, Indiana Jones, A Cor Púrpura, Dirty Dancing, para citar um ou outro. Filmes que marcaram gerações e que
ajudaram a garantir 12 Oscars
de Melhor Trilha Sonora
para projetos que levam um pouco do seu ritmo. Sim, o ritmo do Paulinho ajudou a embalar tudo isso.
E então volta a pergunta
inevitável: como eu nunca
ouvi esse nome antes? Porque
você ainda não conhecia sua história. Seus passos. Uma caminhada que começou longe dos holofotes.
Irajá, anos 50. Paulinho da Costa nasce em uma família simples. Cercada de
música, samba e festa. Mas
sem dinheiro para comer,
muito menos para comprar instrumentos.
“Meu primeiro instrumento, para ser sincero, foi a mesa da
minha casa”, conta Paulinho,
sempre com o sorriso no rosto. “E quando eu tocava,
minha mãe começava a
cantar o hino da Portela.” Foi ali que tudo começou.
Depois da separação dos pais,
ainda criança, Paulinho
encontrou na música um
refúgio. Um caminho. Tocava
na Festa da Penha, um dos
festivais de samba e percussão
mais importantes da época. Aos 16 anos, foi selecionado
para uma turnê na Europa. Nem precisou tocar uma nota. Alguém disse:
“É esse garoto que tem que ir.” E ele foi. Depois de três meses viajando pela Europa, Paulinho voltou ao Rio para o que viria a ser o show mais importante da sua vida. Não pelo palco, mas pela plateia.
Em 13 de março de 1970, na boate Katakombe, ao lado da então iniciante Alcione, ele avistou Arice na plateia. Amor à primeira vista. Um amor improvável aos olhos
de muitos: ele, músico negro,
viajando sem parar; ela,
estudante, branca, família próspera.
Mesmo assim, deram um passo
juntos rumo ao desconhecido.
Fugiram para uma turnê na Europa. A viagem virou lua de mel. Na volta, Paulinho era um homem casado — e a
caminho de ser pai. Quando
tudo parecia se encaixar, surgiu um convite que quase parou seus passos.
Sérgio Mendes o chamou para integrar sua banda em Los Angeles. Arice grávida. Paulinho sem falar inglês. Medo de deixar o Brasil. Ainda assim, eles seguiram. Foram três anos nos maiores palcos dos Estados Unidos.
E foi ali que o talento de
Paulinho começou a chamar a
atenção de músicos que ainda
estavam escrevendo o início de suas próprias histórias.
Voltando de uma turnê no Japão, Paulinho conheceu alguém que mudaria sua
trajetória para sempre.
Tímido, Michael Jackson
perguntou se ele era o
percussionista brasileiro de quem todos falavam. Dias depois, o convidou para
tocar com The Jacksons.
Foi nesse momento que Paulinho saiu dos palcos
e entrou definitivamente
nos estúdios. Seu rosto
desapareceu. Seu nome
também. Mas seus passos — e seu ritmo — começaram a viver dentro da música de alguns dos maiores artistas
da história. Quase todos, aliás.
E então vieram Off the Wall, Thriller, Bad, Give Me the Night, Rhythm of the Night, Like a Virgin, All Night Long, para citar alguns. Hits que
atravessaram décadas. Todos
com algo em comum:
Paulinho da Costa.
Mais do que participar desses
hinos, Paulinho inspirou
gerações. will.i.am agradece a ele pelo próprio sucesso. O primeiro hit do Black Eyed Peas sampleia Love Till the End of Time, parte do disco solo de Paulinho da Costa.
“Esse homem nos deu as passagens para viajar o
mundo.” Whitney Houston
disse: “Certamente Deus tocou
esse mestre percussionista”.
Quincy Jones resumiu:
“Paulinho é a essência do Brasil. A essência da música negra”.
E por causa de tudo isso,
dando seus passos com as mãos, Paulinho da Costa
acabou de ser escolhido
como a primeira pessoa
nascida no Brasil a ter seu nome eternizado na Calçada
da Fama de Hollywood.
Agora, além de ter seu nome ao lado dos maiores artistas
da história em fichas técnicas, estará também na calçada
mais famosa do planeta.
Já era hora de você conhecer o nome do maior percussionista do mundo. Chegou
a hora de você conhecer o Paulinho da Costa.
Porque alguns passos
mudam o mundo. Outros, mudam o ritmo.
“Meu primeiro
instrumento
foi a mesa da
minha casa.”
