Por Gustavo MaiatoPostado em 21 de outubro de 2026 "Blow by Blow", lançado por Jeff Beck em 1975, ganhou um admirador de peso logo após chegar às lojas: Jimmy Page.
Em texto publicado neste sábado (17) pela revista britânica Far Out, o jornalista Tim Coffman relembra como o guitarrista do Led Zeppelin deixou de lado as rusgas com o antigo parceiro para exaltar o trabalho instrumental. A história dos dois começa nos Yardbirds, grupo que também revelou Eric Clapton e que, segundo a Far Out, formou uma geração inteira de guitarristas.
Quando Page e Beck dividiram a banda, o talento do colega era tamanho que Page acabava deslocado para o baixo nas apresentações ao vivo. Mais tarde, os primeiros discos do Led Zeppelin, com Robert Plant e John Bonham, levaram adiante ideias que Beck perseguia, o que o deixou irritado.
A resposta veio com "Blow by Blow". Na avaliação de Coffman, Beck passou a fazer a guitarra soar como uma voz, enquanto outros músicos a usavam apenas como tempero entre as melodias.
O texto destaca "Cause We've Ended As Lovers" como um dos ganchos mais puros já tirados do instrumento e "Scatterbrain" pela velocidade com que Beck toca sem deixar a música perder o embalo. George Martin trabalhou nos bastidores, mas as decisões eram do guitarrista.
Mesmo com uma relação de altos e baixos, Page não escondeu o respeito pelo disco na época do lançamento. "Ouvi recentemente umas coisas do LP solo do Beck que eram brilhantes pra caralho.
Muito bom. Mas não sei, é todo instrumental e é um LP de guitarrista para guitarristas, eu acho.
Ele está muito suave, e o Beck no seu melhor pode ter muito bom gosto", declarou. Para a Far Out, esse bom gosto é justamente a lição que Beck deixou.
Em vez de buscar apenas os licks mais rápidos, como faz quem começa no instrumento, ele sabia dosar a técnica, sobretudo quando atuava como convidado em discos alheios. Coffman conclui que, embora Beck já não esteja vivo, seus álbuns seguem lembrando aos músicos que evoluir é condição para fazer grande arte.
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