Trump, o anfitrião cúmplice dos Bolsonaro, corre o risco de ver ruir sua maioria no Congresso nas eleições de meio de mandato desta terça-feira, 3 de outubro. Diante da ameaça de derrota republicana nas urnas, o fugitivo Flávio Bolsonaro não demora a enfrentar a ironia do próprio destino e de um possível “Fora daqui.”
A Justiça brasileira estará à espera do foragido que queria se esconder atrás de Trump e Rubio. Um derrotado nas urnas, nas redes e nas ruas brasileiras que transformou o Código Penal numa lista de tarefas cumpridas.
Ou, como circula também nas ruas e nas redes: Flávio gabaritou o Código Penal. A aproximação das eleições de meio de mandato (midterms) nos Estados Unidos colocou em curso um relógio regressivo para a milionária fuga de Flávio Bolsonaro.
Se a projeção de vitória dos democratas se confirmar nas urnas nesta terça-feira, 3, a permanência do Bolsonaro Flávio em solo americano deixará de ser um ato de compadrio sob a chancela da Casa Branca e se tornará um impasse institucional de altíssimo custo para Donald Trump. Embora a legislação norte-americana reserve ao Poder Executivo — via Departamento de Estado e de Segurança Interna — a prerrogativa formal de conceder vistos ou executar deportações, a mudança da maioria no Congresso altera drasticamente o cenário.
Com o controle dos Comissões e o poder legal de emitir intimações (subpoenas), a oposição democrata não hesitará em transformar a proteção ao fugitivo em munição contra a Casa Branca. O santuário imaginado pelos Bolsonaro na Flórida ameaça se converter, em ritmo acelerado, na mais incômoda armadilha diplomática.
Bastidores da fuga A reconstrução dos bastidores da fuga milionária de Flávio expôs o enredo de uma desesperada operação transnacional.
Reportagem do Clarin descreve minuciosamente que, para escapar das ordens judiciais e burlar o monitoramento da Polícia Federal, o candidato derrotado enfrentou mais de 20 horas de carro a partir de Brasília até a fronteira em Puerto Iguazú, trocando de veículos e despistando autoridades.
O plano esbarrou em momentos de tensão na Argentina. Foi necessária a intervenção do governo de Javier Milei e a articulação diplomática expressa vinda de Washington para destravar a saída do jato por um acesso secreto do aeroporto.
Segundo o The New York Times, a operação teve a articulação direta de Jason Miller, conselheiro sênior de Trump, em alinhamento constante com o ex-deputado Eduardo, outro Bolsonaro que atua em solo americano como traidor da pátria e despachante do clã junto ao trumpismo. O custo milionário da rota de fuga
A dimensão financeira da escapatória escancara cifras que exigem investigação imediata. O Gulfstream G400, matrícula argentina LV-JQW, da empresa Baires Fly, custa R$ 187 milhões.
O fretamento do jato executivo para a rota Puerto Iguazú–Miami (com escala no Equador) custou US$ 150 mil (cerca de R$ 800 mil), pagos por um intermediário nos EUA. O dono do jatinho, Luis Grande, em entrevista à AFP, disse que recebeu o pagamento de um broker (intermediário) que mora nos EUA, de uma conta empresarial americana para uma conta argentina.
A pergunta central permanece: quem bancou essa fatura milionária? Trata-se de caixa dois, do Dark Horse e de outros “investimentos” de Vorcaro? Dinheiro não declarado ou o patrocínio escancarado de grupos de interesse estrangeiros dispostos a comprar a soberania do Brasil que Flávio oferecia se fosse eleito?
“O hemisfério é nosso” O acolhimento em Miami não foi mero ato de solidariedade ideológica; é a engrenagem de uma versão repaginada da Doutrina Monroe.
Marco Rubio, à frente do Departamento de Estado, resumiu essa geopolítica na frase: “O hemisfério é nosso”. Trata-se da obsessão em dominar a América Latina e desestabilizar por fora o que a extrema-direita perdeu nas urnas por dentro.
No entanto, o pragmatismo de Washington nunca conheceu lealdade. Na política externa americana, aliados cooptados duram exatamente até o momento em que se tornam um transtorno contábil ou eleitoral.
E a ilusão de que a Flórida seria um santuário inexpugnável pode ruir diante da calculadora fria dos midterms, a eleição desta terça-feira, 3 de novembro.
Brasil 247