'O fogo te devora', diz morador deslocado pelo incêndio sem precedentes perto de Madri

Fonte: Bandeira



"O fogo te devora.

Ou você sai correndo ou ele queima suas calças", relata Ecologio Cabrera sobre o incêndio que obrigou milhares de pessoas no oeste de Madri a se deslocarem, e alerta sobre o "perigo da fumaça" para a respiração.

Segundo as autoridades regionais, cerca de 6.000 hectares já foram carbonizados desde quinta-feira.

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Em seus 29 anos vivendo em Aldea del Fresno, a cerca de cinquenta quilômetros do centro da capital espanhola, "nunca vivi nada parecido", afirma o aposentado de 86 anos.

Moradores ajudam bombeiros a combater um incêndio florestal na região de Cebreros, perto de Ávila, a 80 km a oeste de Madri, em 24 de julho de 2026

CESAR MANSO / AFP

Em declarações à AFP, Cabrera conta como os bombeiros o tiraram às pressas de casa.

— Eles chegaram, mandaram todos para fora, saímos só com a roupa do corpo e aqui estamos só com a roupa do corpo.

Ou seja, não deu tempo de pegar nada.

Corremos perigo lá por causa da fumaça.

Então aqui estamos, aguentando — afirma de um ginásio de Villamanta.


O octogenário também diz ter sentido muito "medo" por sua filha, moradora de um município próximo, "onde tudo pegou fogo".


— Tenho uma filha em Villa del Prado.

Tudo queimou — relata.

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Ele descreve uma corrida contra o relógio para evitar que as chamas alcançassem a casa da filha, que esperou a chegada dos bombeiros enquanto borrifava água, "com mangueiras de jardim", em sua casa e nos arredores com a família.

— Ainda bem que estavam lá com mangueiras, jogando água até os bombeiros chegarem.

Eles se salvaram por isso — conta.

Comovidos

Mercedes García, dona de casa de 69 anos, também está entre as deslocadas.

A polícia e a Guarda Civil a retiraram de sua residência no começo da tarde de quinta-feira.

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Ela tem dificuldades de locomoção e usa um andador.

No ginásio municipal onde foi acolhida, passou a noite em um colchão inflável de piscina, enquanto seu marido adormeceu em uma cadeira.

— O que aconteceu aqui é inacreditável — ressalta, ainda abalada com os acontecimentos.

Bombeiros combatem um incêndio florestal na região de Cebreros, perto de Ávila, a 80 km a oeste de Madri, em 24 de julho de 2026

CESAR MANSO / AFP

— Todo o povoado foi deslocado, (ou seja,) cerca de 3.500 habitantes — explica o vereador Félix Hernández, expressando seu "temor" diante dos acontecimentos.

— Tenho 53 anos e já vi incêndios importantes, mas um tão grande como este, não.

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Está tudo preto

A poucos quilômetros dali, o povoado de Villa del Prado (cerca de 8.000 habitantes) não foi deslocado, mas permanece confinado, aguardando com ansiedade uma melhora da situação, que piorou ao meio-dia com a junção dos dois incêndios da região.

— As lágrimas caem não só por mim, mas por todos — lamenta Mariano González, aposentado de 67 anos, contatado por telefone pela AFP, descrevendo o cenários de "desolação" que o cerca.

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Ao acordar, "era como se tivesse havido um dia de neblina", conta depois de levar o cachorro para passear.


— É muito difícil de descrever, todo mundo usava máscaras — conta.

— Tudo o que eu vejo, olho para cima, olho para baixo, atrás, na frente, e está tudo preto.

E acrescenta, com a voz trêmula:

— Havia um bosque de oliveiras centenárias na minha frente: pegou fogo, os troncos desabaram.

Havia pinheiros centenários na frente (...) estão todos carbonizados.

É uma dor enorme.