O Flamengo de Leonardo Jardim precisa dar uma resposta imediata
Ainda que esteja com um jogo a menos, os oito pontos que separam o Flamengo do Palmeiras (22 a 14) conferem ao confronto com o Santos, neste domingo, no Maracanã, relevância distinta a um simples duelo da décima rodada do Campeonato Brasileiro.
O time de Leonardo Jardim precisa de resposta imediata aos 3 a 0 impostos pelo Bragantino, na quinta-feira passada, dia 2 de abril, em Bragança Paulista, e o confronto em casa, com apoio dos torcedores rubro-negros, oferece um ambiente propício — sob risco de cobranças indesejadas das arquibancadas.
Sendo bem direto: não há espaços para o tropeço, e o treinador português já deve ter sido avisado de que os torcedores não estão 100% satisfeitos com o estilo de jogo do Flamengo, mais equilibrado entre o proativo e o reativo.
Em condições normais de temperatura e pressão, a vitória em casa sai com naturalidade, em função da maior qualidade e do encaixe coletivo do atual campeão brasileiro. Ocorre que isso, por si só, não satisfaz o torcedor — o que aumenta a exigência e o risco.
Filipe Luís não abria mão de marcar os adversários no campo de ataque, e por isso exigia que os jogadores se doassem ao máximo na aplicação, avançando as linhas defensivas e ocupando a faixa de campo do oponente com dez jogadores.
Leonardo Jardim prefere que o Flamengo se defenda melhor em bloco baixo, administrando o condicionamento e explorando com eficácia os espaços que o adversário oferecerá ao subir as linhas médias para ocupar o campo rubro-negro.
Não há certo ou errado, principalmente quando o elenco oferece opções para as variações táticas. E ainda mais num ano atípico, em que a preparação física exige cuidados redobrados para o cumprimento três competições num espaço de tempo menor do que o habitual.
Ou seja: muito provavelmente, a queda de produção do time e a consequente perda da Supercopa do Brasil e da Recopa Sul-Americana, fundamental para a demissão de Filipe Luís, estejam relacionadas à necessidade não percebida de mudança na forma alcançar as metas.
No entanto, o torcedor do Flamengo não aceita o pragmatismo e a frieza que, por exemplo, mantêm o Palmeiras no topo (e Abel Ferreira no cargo!) por tanto tempo: do lado de cá, a vitória tem de vir acompanhada do sofrimento adversário.
O culpado disso tem nome, sobrenome e a mesma nacionalidade de Leonardo Jardim. Acho que vocês sabem de quem se trata.
