O final você decide: peça interativa que transforma público em júri popular tem sessão única na Barra
Este mês, os cariocas serão convocados a participar do julgamento de um empresário envolvido no atropelamento de um ciclista, que acabou morrendo. A história é fictícia, mas a experiência promete provocar emoções reais. A peça interativa “The jury experience — Morte pela IA: quem paga o preço?” terá uma apresentação única na Barra no próximo dia 21, na Ribalta. Ao longo do espetáculo, o público faz as vezes de júri popular e vota em decisões que vão mudando o rumo da história, até condenar ou absolver o réu.
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— As pessoas se sentem de fato parte do julgamento. Canalizamos isso para uma experiência emocionalmente muito envolvente, que cruza com a moralidade, a justiça e a complexidade humana — explica Bárbara Fantini, líder de equipe de produções originais da Fever, produtora do espetáculo.
No palco estão juiz, promotor, advogado de defesa, réu e vítima; público faz juramento
Divulgação/Patrick Sampaio
“The Jury Experience” está completando um ano do seu lançamento mundial. Primeiramente, foi lançada nas cidades de Madri, Dublin, Toronto e Chicago. No Brasil, chegou em setembro último, e, atualmente faz apresentações em nove cidades. No Rio, a primeira apresentação foi no ano passado, na Zona Sul. A ideia da produtora é ter uma data por mês na cidade ou na vizinha Niterói. A estreia na Ribalta veio a convite da administração da casa de espetáculos, que já pensa em novas edições.
— Vamos medir a aderência do público, entender o que os frequentadores desejam ver, mas já estamos sentindo um grande interesse — diz Neyre Freixo, superintendente de operações da Ribalta Hospitalidade.
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Ao longo da apresentação, a plateia pode votar, por exemplo, se uma prova deve ser considerada válida ou não. A votação ocorre por um link, acessado através de um QR Code. Funcionários da equipe ajudam quem não tem familiaridade com tecnologia.
A história que será apresentada é de um carro autônomo, dirigido por uma inteligência artificial, que atropela e mata um ciclista em Los Angeles, fazendo com o que dono da empresa do veículo se torne réu por homicídio. No tribunal montado no palco, o público vê a viúva e o promotor de um lado, contra o empresário e seu advogado do outro. No meio deles, o juiz conduz o enredo.
— Recebemos comentários de pessoas da área do direito que querem debater (a forma como a trama se desenrola). A equipe de criação tem consultoria jurídica, mas o objetivo não é discutir legislação. O foco é no dilema moral. Percebemos o público muito atento no gênero true crime hoje em dia — explica Bárbara, que conta que novas histórias são testadas ao redor do mundo, incluindo uma de roubo de joias já apresentada no Rio.
Elenco da versão de 'The jury experience' exibida na Zona Sul em novembro passado
Divulgação/Patrick Sampaio
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Por fazer o público se confrontar com este dilema, as votações são sempre acirradas; não há uma indicação clara para condenar ou absolver o réu. Mas há tendências observadas de acordo com a praça. Até agora, São Paulo, por exemplo, tende para a condenação, enquanto o Rio inocenta mais. Diretor do elenco do Rio, Patrick Sampaio conta que trabalha para incentivar os atores a lidarem com as situações de cada sessão e até a improvisarem.
— Quando falamos em humanizar personagens, queremos que o público de fato tenha dificuldade e que a votação seja acirrada. Busco tirar dos atores um envolvimento em primeira pessoa — diz Sampaio, contando que a rivalidade saudável chega também ao elenco, que luta para “ganhar” cada sessão. — Outro dia, o ator que faz o advogado disse para o que faz o promotor: “Se prepara, hoje você vai ver!” . Eles apostam e têm até placar de quem está na frente.
Elenco carioca da edição passada de 'The jury experience'
Divulgação/Patrick Sampaio
Antes de cada apresentação, diretor e atores fazem uma bateria de ensaios. Eles contam ainda com dois atores substitutos, que estudam mais de um personagem. Sampaio percebe que sua equipe se sente mesmo em um jogo, e se mostra satisfeita ao ver o público continuar refletindo mesmo depois de as cortinas se fecharem.
— Muitas vezes as pessoas ficam do lado de fora, nos esperando sair, e perguntam se votaram certo ou não. Digo que não tem como saber. Tem até uma palavra do juiz sobre conseguirem conviver com a decisão que tomaram — conta o diretor.
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