O empresário que vendeu companhia e deixou R$ 1,2 bilhão para seus funcionários

 

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A venda da fabricante americana Fibrebond por US$ 1,7 bilhão (ou R$ 8,6 bilhões) deixou centenas de funcionários com um bônus de vários dígitos, distribuídos ao longo de cinco anos como parte integrante do acordo. Graham Walker, CEO e herdeiro da empresa, exigiu que 15% do valor da transação fosse distribuído entre os trabalhadores antes de aceitar a oferta de compra da Eaton.

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A história da Fibrebond começou em 1982 em Minden, na Louisiana, quando Claud Walker, pai de Graham Walker, fundou a empresa focada em estruturas elétricas industriais.

Durante décadas, a empresa resistiu a incêndios, crises no setor de telecomunicações e demissões em massa decorrentes do estouro da bolha da internet no início dos anos 2000. No entanto, a empresa conseguiu manter-se operacional e, posteriormente, encontrou um novo negócio relacionado à infraestrutura de energia para data centers.

Em 2013, a Fibrebond abriu uma divisão especializada em estruturas modulares para sistemas elétricos altamente complexos, de acordo com o The Wall Street Journal. Dois anos depois, Graham Walker assumiu o cargo de CEO. Sob sua liderança, a empresa investiu US$ 150 milhões para expandir a capacidade de produção, com foco no crescimento global de data centers. Essa medida aumentou o valor do negócio justamente quando as gigantes da tecnologia estavam aumentando os investimentos em infraestrutura digital.

Quando a Eaton fez a oferta de aquisição, Walker incluiu uma condição obrigatória. Como explicou ao jornal americano, ele não aceitaria a aquisição sem essa cláusula. A medida chamou a atenção porque os funcionários não possuíam ações ou participações acionárias na Fibrebond, algo comum em grandes negócios corporativos.

Graham Walker vendeu sua empresa e distribuiu parte do valor pelos seus funcionários

Reprodução/LinkedIn/Graham Walker

Quanto cada funcionário recebeu após a aquisição pela Eaton?

O fundo total de bônus atingiu US$ 240 milhões, o equivalente a R$ 1,2 bilhão na cotação atual. Dividido entre 540 funcionários, a média foi de aproximadamente US$ 443.000 por pessoa, ou R$ 2.240.162,40. No entanto, o The Wall Street Journal explicou que os funcionários com mais tempo de serviço na Fibrebond receberam quantias maiores. Parte do dinheiro seria distribuída ao longo de cinco anos para incentivar a retenção de funcionários após a transição corporativa.

Um dos casos citados pela publicação foi o de Lesia Key, funcionária da empresa há 29 anos. Walker a convocou pessoalmente para entregar uma carta lacrada detalhando o bônus. Ela caiu em lágrimas ao saber o valor. Outros funcionários usaram o dinheiro para quitar hipotecas, financiar estudos universitários, abrir pequenos negócios ou se aposentar antecipadamente.

O que aconteceu após a venda da Fibrebond?

A distribuição também teve um impacto econômico em Minden, uma cidade da Louisiana intimamente ligada à Fibrebond. A empresa era uma das principais fontes de emprego na região. De acordo com a reportagem, vários moradores iniciaram projetos pessoais e fizeram compras significativas após receberem os primeiros pagamentos.

A transação também fortaleceu a presença da Eaton no setor de infraestrutura energética relacionado a data centers. O crescimento da inteligência artificial, do armazenamento em nuvem e da demanda por energia aumentou o interesse de grandes corporações em fabricantes especializados como a Fibrebond. Esse contexto permitiu que a empresa familiar atingisse uma avaliação multimilionária após décadas marcadas por dificuldades financeiras.