‘O Diabo Veste Prada 2’ honra clássico da cultura pop duas décadas após estreia original
O sentimento de nostalgia se apossou de Hollywood há alguns anos. A indústria cinematográfica americana tem criado cada vez mais o costume de reaproveitar filmes de sucesso, seja com remakes ou com novas sequências – todas com garantia de grandes bilheterias. Porém, as continuações, muitas vezes, são criadas décadas após o lançamento original, dificultando a possibilidade de se produzir uma história que seja fiel à anterior – e aos fãs. Não é o caso de “O Diabo Veste Prada 2”, que chega aos cinemas nesta quinta-feira (30), 20 anos após o primeiro filme.
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Em 2006, o primeiro longa se consagrou como um clássico da cultura pop e estabeleceu uma legião de fãs. O público foi apresentado à história de Andy Sanchs (Anne Hathaway), uma jornalista recém formada que se torna uma das assistentes de Miranda Priestly (Meryl Streep), editora-chefe da revista de moda Runway. Depois da tradicional jornada do herói – com erros, deslumbres, transformação e redenção –, a protagonista se empodera e deixa a redação para buscar por outros espaços. A personagem de Streep, vale dizer, foi inspirada em Anna Wintour, editora-chefe da revista Vogue americana, tida como figura de personalidade forte e exigente.
'O Diabo Veste Prada' foi lançado em 2006 e se tornou ícone da cultura pop
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Além dos looks das personagens que se tornaram ícones entre os fãs, vez ou outra cenas e falas ressurgem como memes nas redes sociais. Pensar em uma sequência duas décadas após o sucesso do original parecia quase impossível. Quando anunciado no ano passado, o segundo longa gerou dúvidas e curiosidades quanto ao novo desfecho da história. Mas é justamente o êxito entre os fãs que faz com que a continuação tenha algumas vantagens, como personagens carismáticos e atores que continuam com forte química.
“O Diabo Veste Prada 2” segue com o mesmo diretor do primeiro, David Frankel (que também dirigiu “Marley & Eu” e “Beleza Oculta”). Além da dupla de atrizes que dá vida às protagonistas, Anne Hathaway e Meryl Streep, outros dois atores também retornam à história para fechar o quarteto principal: Emily Blunt e Stanley Tucci, que interpretam Emily e Nigel.
Reencontro após 20 anos
Na continuação, o público acompanha o reencontro de Andy e Miranda, também depois de duas décadas, quando a jornalista retorna à Runway. Diferente da primeira vez, Andy agora volta para um cargo mais elevado, para auxiliar em um gerenciamento de crise da revista. Enquanto Nigel continua como braço direito de Miranda, Emily tem um cargo de liderança em uma grande grife.
Para além da dinâmica do quarteto – que continua com a medida certa de humor, diga-se – e de frames luxuosos que exaltam o universo da moda, o longa aproveita para falar sobre a crise do jornalismo, o esvaziamento das redações e o interesse no lucro a todo custo. O roteiro é previsível e leva o público para um lugar já esperado desde o início, mas mesmo assim o filme não deixa de ser divertido e de honrar o primeiro. Não há um “dedo na ferida” em um grande tema que permeie assuntos mundiais (a premissa nem pede por isso), mas tanto as deixas cômicas quanto as cenas de drama deixam a narrativa ainda mais factível.
Cena de 'O Diabo Veste Prada 2', com Anne Hathaway, Meryl Streep e Stanley Tucci
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A nova trama ainda cria referências diretas ao primeiro filme, que fazem com que as gargalhadas compartilhadas melhorem ainda mais a experiência de assisti-lo nos cinemas. Mas as menções surgem acompanhadas do amadurecimento dos personagens.
Andy está mais forte e empoderada, ciente da importância de seu trabalho, mas ainda busca pela validação da editora-chefe. Enquanto isso, Miranda segue irônica e com respostas afiadas, mas tem momentos de maior fragilidade, evidenciando os problemas que mulheres sofrem ao ocuparem cargos de liderança. No entanto, algumas de suas falas, que em 2006 eram normalizadas, agora são corrigidas a contragosto – há um timing cômico perfeito em sua interação com os jovens da redação, mais antenados às pautas.
Nigel e Emily ganham maior profundidade e destaque, conversando de igual para igual com as protagonistas. O fiel escudeiro de Miranda é ainda mais sensível e forte, enquanto a ex-assistente da editora chega a ganhar um ar de “anti-herói”. Coadjuvantes como Simone Ashley, Helen J. Shen e Caleb Hearon também se destacam, ajudando na nova trama do quarteto. O longa tem ainda participações especiais que devem gerar certo burburinho nas salas de cinema.
Cena de 'O Diabo Veste Prada 2', com Emily Blunt
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Grande estrela de Hollywood, Anne Hathaway ainda vai estrelar outros quatro lançamentos neste ano. “A Odisseia” está previsto para o primeiro semestre ainda, enquanto “O Fim da Rua”, “Verity” e “Mother Mary” estreiam a partir de agosto. Meryl Streep não tem mais lançamentos já confirmados para o restante do ano, mas a atriz está cotada em mais dois projetos: ela interpretará Joni Mitchell na cinebiografia sobre a cantora e compositora e deve estrelar a série “As Correções”, baseada no romance best-seller de Jonathan Franzen.
Com lançamento global marcado para esta quinta-feira (30), de acordo com a revista Variety, o longa deve arrecadar cerca de US$ 180 milhões no fim de semana de estreia. Só na América do Norte, o filme pode faturar entre US$ 75 milhões e US$ 80 milhões.
Além da grande bilheteria que já era esperada, "O Diabo Veste Prada 2" figura como um caso raro de Hollywood: uma sequência que não apenas funciona como "fan service", mas que honra o primeiro filme décadas depois.
