O destino pego pelo gasnete

O destino pego pelo gasnete - Foto
Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

Na vida de uma pessoa, há momentos de virada, ocasiões em que, como se a Terra ficasse de cabeça para baixo, os valores se modificam e as oportunidades se multiplicam. Há avisos, premonições às vezes antes que isso aconteça.

Em outras situações, a coisa sucede de surpresa, espantando a todos e aos próprios sujeitos da história. A reeleição de Lula, no último dia 25, soa como um modelo exemplar de semelhante reviravolta.

E não se tratou ali de uma circunstância gratuita, como se nada houvesse trabalhado ou contribuído para tanto. A espontaneidade das ruas e da torcida, excedendo-se, garantiu a importância dos eventos.

Os perdedores que choram e se abrigam no guarda-chuva trumpista o fazem por inexperiência e doses de ambição, traídos pela exuberância dos fatos. Como observa Gérson, o comentarista esportivo, “quem reclama já perdeu”.

Só um cego ou um que não quer enxergar não percebe a natureza dos acontecimentos. O fator “R” (ruas e redes) gritando nos ouvidos falou mais alto, impossível ignorar as massas alimentadas por estudantes preocupados com o destino do país e a conquista das redes sociais, prestigiando a figura do nosso presidente.

Grandes revoluções ocorreram assim. Sob o ímpeto do que entendem como justo, nenhum anteparo se revela à altura de seus movimentos.

Carlos Drummond de Andrade escreveria: meu nome é tumulto e inscreve-se nas pedras. Nas pedras e, para sempre, na memória da nossa cidadania.

Um povo que deu tal demonstração de coragem mostra-se capaz de assumir seu próprio destino, sem outorgá-lo a ninguém, muito menos a um dirigente estrangeiro, como prometia o candidato derrotado. Diante disso, a população dá de ombros, não ligando que os implicados em falcatruas cumpram sua eventual pena entre nós ou penem lá fora.

Rimos para o papel triste que a Casa Branca desempenha atualmente, transformando sua administração num oásis de marginais, punidos pela justiça dos que dividem com ela o restante do continente. Seja como for, a hora é de comemorar, de ceder aos apelos da alegria e da certeza de que, uma vez nas ruas, a juventude permanecerá vigilante na defesa dos nossos interesses, pouco importam os devaneios do Congresso conservador e as dificuldades que imporá à futura administração.

Com Jorge de Sena, poeta português, as multidões ecoam seus versos: “não hei de morrer sem saber / qual a cor da liberdade”. Porque liberdade, gritantemente em jogo, era o que se achava implícito nos confrontos contra o bolsonarismo, amante da ditadura e dos torturadores.

O destino, pego pelo gasnete, muda a ordem das coisas. O Brasil, motivo de orgulho, nunca mais será o mesmo.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
Acessar no site oficial
Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X
Curadoria e Apuração Editorial QTU Conteúdo jornalístico publicado em conformidade com os nossos Princípios Editoriais e política de transparência.
Conhecer a Redação →