O desafio das escolas de formar leitores críticos no mundo de pós-verdades

O desafio das escolas de formar leitores críticos no mundo de pós-verdades

 

Fonte: Bandeira



Em um ambiente saturado por informação, desinformação e disputas de narrativa, ensinar crianças e adolescentes a questionar é fundamental. Especialistas da Educação e Direito que debateram o tema concordam que a formação crítica dos alunos é forma mais eficiente de promover o uso saudável da Inteligência Artificial. A jornalista, educadora e pesquisadora Priscila Gonsales defende que as decisões políticas sobre as ferramentas também sejam pauta escolar.

“Seja o Marco Civil da Internet, que é de 2014, depois a LGPD que é de 2018, e agora o ECA Digital, Educação fica numa postura passiva, ela não participa dos debates. E todas essas três leis que eu falei agora são conquistas da sociedade. E a escola precisa ter esse papel.”

A promotora de Justiça do Rio de Janeiro Gabriela Lusquiños acrescenta que é preciso abandonar a ideia de que as novas gerações são “nativas digitais” e passar a educá-las para viver com autonomia no mundo conectado.

“Aquilo que dizem ‘são nativos digitais’ não significa que elas sabem discernir os ambientes digitais, significa que elas podem tender a usar o aplicativo, mas elas não sabem, necessariamente, distinguir o que ali é seguro e o que não é. O cérebro ainda não é maduro o suficiente para conseguir andar num ambiente que não foi pensado para a criança. Então a autonomia é uma habilidade e a gente precisa desenvolver isso na criança e no adolescente, assim como no mundo real.”