O corpo sarado é consequência: academias se tornam centros de wellness e aliam exercício físico a atividades de saúde e bem-estar

O corpo sarado é consequência: academias se tornam centros de wellness e aliam exercício físico a atividades de saúde e bem-estar - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

Academias já não são mais lugares só para malhar o corpo, em nome da estética e da saúde. O treino, agora, faz parte de uma experiência que inclui descanso, recuperação muscular, saúde mental, convivência, networking e a possibilidade de resolver outros compromissos sem precisar se deslocar. Elas se tornaram centros de bem-estar, ou wellness, em modelos premium que incluem, para além de vestiário, banheira de água gelada, sauna, massagem, fisioterapia, espaços de trabalho, aulas de consciência corporal e atendimento individual, ou quase. Ao lado do VillageMall: Multiplan construirá novo complexo residencial e comercial na Barra Pedágio vigiado: Linha Amarela terá fiscalização eletrônica nas pistas automáticas A mais nova representante deste segmento é a Fábrica Premium, inaugurada no fim de agosto no Rio Design Barra. A unidade trabalha com um modelo semiparticular, em que um professor atende até três alunos, e limita as aulas coletivas a dez participantes. A proposta é aproximar a experiência daquela oferecida por um personal trainer. Além da musculação, a Fábrica tem aulas de ioga, pilates, funcional e alongamento e uma área voltada à recuperação do corpo. A academia também reservou uma sala para receber profissionais parceiros de áreas como fisioterapia, nutrição e endocrinologia e tem uma área de coworking. — A ideia é que o aluno não precise sair de dentro do ambiente da academia, que acaba se tornando um wellness club, e resolva a vida dele ali dentro — explica Pedro Moreira, sócio da Fábrica Premium.—O bodybuilding saiu um pouco da cena. Um ano e meio atrás o foco era mais musculação, e agora é mais longevidade, saúde e bem-estar. O conforto também está na equação: toalhas, roupões e produtos de higiene ficam disponíveis nos vestiários, que têm cabines com áreas molhada e seca separadas. A proposta é fazer com que o aluno consiga fazer do ambiente sua segunda casa e seguir a rotina, saindo de lá direto para o trabalho ou trabalhando da própria academia. A Fábrica oferece planos anuais (R$ 1.700), semestrais (R$ 1.900) e mensais (R$ 2.100) e prevê limitar sua base a aproximadamente 400 ou 500 alunos. Quando esse teto for atingido, a entrada de novos clientes deverá depender da saída de outros, e será criada uma fila de espera. Hoje, de acordo com Moreira, entre 65% e 70% do público da unidade é formado por mulheres, principalmente a partir dos 35 anos. O perfil revela outro movimento percebido pelas empresas: a maior relação entre atividade física e preocupação com envelhecimento saudável. A palestrante e influenciadora Débora Teixeira, de 53 anos, já praticava exercícios há décadas quando conheceu o modelo de academias que se pretendem centros de wellness. Aluna de outro espaço, migrou para a Fábrica do Rio Design pela proximidade de casa e pela estrutura oferecida. Aniversário: MAC Niterói celebra 30 anos com exposição de 130 grandes obras, música e agenda especial — Enquanto você não vive essa experiência, acha que não é necessária, que é luxo. Mas depois vê o quanto toda essa estrutura é essencial para uma rotina saudável — conta. Para ela, a diferença está justamente em conseguir concentrar diferentes aspectos da rotina no mesmo lugar. Débora frequenta a musculação e usa a banheira de gelo para recuperação, mas também aproveita o espaço de coworking. Em dias mais corridos, consegue treinar e trabalhar na academia e depois almoçar ou resolver outros assuntos no shopping. A estética há muito tempo deixou de ser seu único objetivo. — Tenho 53 anos e já penso nos meus 60, nos meus 70. Quero envelhecer com qualidade, e isso não diz respeito apenas ao corpo — afirma. Para os shoppings, operações desse tipo também passaram a ter um valor estratégico, porque ajudam a reter o cliente por mais tempo. No Rio Design Barra, a administração mudou de lugar para liberar uma área de cerca de 600 metros quadrados para a Fábrica Premium. — Em um cotidiano em que o tempo é cada vez mais disputado, a própria definição de luxo passa por essa facilidade e economia de tempo, já que toda a vida acaba sendo resolvida em um só lugar — observa Henrique Baez, superintendente do Rio Design. Esse consumidor interessado em integrar exercício, saúde e qualidade de vida impulsiona o mercado de bem-estar no mundo todo. Segundo o Global Wellness Institute, a economia global do wellness movimentou cerca de US$ 6,8 trilhões em 2024. Nem todas as marcas traduzem wellness da mesma maneira. Na The Simple Gym, com unidade no VillageMall, o conceito está fortemente ligado à comunidade e ao estilo de vida. Estúdio de pilates da unidade da The Simple Gym do VillageMall Divulgação/Dani Leite fotografia Fundada em 2024, a rede surgiu depois que os irmãos Gabriel e Gustavo Rodrigues identificaram uma diferença entre o mercado brasileiro e o que já observavam no exterior. Enquanto academias brasileiras ainda apostavam na estética e na transformação corporal, eles perceberam que ganhava força um debate sobre longevidade e saúde mental. Além dos shows: Os profissionais que fazem o Rock in Rio acontecer antes de o público chegar A conexão com a Geração Z é parte importante do posicionamento. Para Gabriel, esse público passou pela pandemia justamente numa fase de descoberta e início da vida adulta e encontrou na atividade física uma ferramenta para lidar com os efeitos do período. — Durante muito tempo, treinar era uma obrigação. Você ia para a academia, se exercitava e ia embora. Hoje virou parte do estilo de vida — observa Gabriel Rodrigues. A mudança origina novos hábitos. Alunos combinam aulas, correm em grupo e viajam juntos para disputar provas. A academia deixa de ser apenas uma sala de musculação. Na The Simple Gym, a estratégia é fazer com que ele transite por diferentes pilares da saúde ao longo da semana, combinando treino de força, atividades de maior intensidade, práticas voltadas ao equilíbrio e à consciência corporal e recuperação física. Na unidade do VillageMall, há sauna, banheira aquecida, banheira fria e equipamento para liberação miofascial. A mensalidade custa R$ 567, no plano mensal, e R$ 497, no semestral. O senso de comunidade, dizem os proprietários, não é apenas como argumento publicitário. A marca promove eventos, grupos de corrida e ações voltadas a criar relacionamento entre os clientes. — A Simple é uma plataforma de wellness cuja principal porta de entrada hoje é a academia — define Gabriel, contando que há clientes que permanecem mais de duas horas de cada vez no espaço, seja para treinar, trabalhar ou apenas conviver. A escolha do VillageMall segue a lógica de posicionamento. Além da presença de consumidores com maior poder de compra, o shopping reúne marcas de forte componente aspiracional, observam os sócios. Comunidade e treino personalizado O discurso de comunidade, hoje parte das experiências premium, é central na estratégia de outra rede carioca, a Silva Gym, criada em 2023 e com unidades na Olegário Maciel e no Blue Square. A marca trabalha com matrículas controladas, treinos agendados e formato de até três alunos acompanhados por um professor. Vestiário da Silva Gym, localizada na Olegário Maciel Divulgação/Silva Gym A lógica da rede é focar menos em conquistar matrículas e mais no empenho para manter o aluno. Para isso, promove eventos próprios, como o Silva Day, e criou a Cúpula, formada por representantes dos alunos que participam de reuniões periódicas com a direção. Com nove anos de atuação na Barra, a academia XN mostra que já havia demanda por esse conceito antes de ele se popularizar. A marca trabalha com uma proposta ainda mais restrita: atendimento de um professor para cada aluno. Na unidade do CasaShopping, não existe a possibilidade de simplesmente se chegar, pegar uma ficha e treinar sozinho. Cada sessão é acompanhada do início ao fim, com exercícios ajustados aos objetivos e condições daquele cliente. — A gente não se propõe a ser uma academia de luxo. A nossa academia prima pela exclusividade; quero que a pessoa saia pensando “nunca tive um treino como esse”, e não apenas impressionada com a estrutura — afirma a sócia Bianca Ludolff. Levantamento: Niterói traça plano para reduzir emissão de CO₂ até 2050 Na XN, a maior parte do público é feminino e tem mais de 35 anos. Em um dos horários mais movimentados, a unidade chega a ter cerca de 18 professores e 18 alunos em um salão de aproximadamente 500 metros quadrados. Em alguns horários da manhã, já há fila de espera. O valor dos planos fica entre R$ 700 (uma vez por semana) e R$ 2.200 (cinco vezes por semana). Aluno durante treino com personal exclusivo na academia XN Divulgação/Pense Groove Outro endereço da Barra que aposta nessa transformação de templos de malhação em centros de bem-estar é o Mood Club, na Avenida Rodolfo Amoedo. Apresentado como um wellness club, o espaço reúne musculação, funcional, spinning, pilates reformer, hot yoga, jiu-jítsu e práticas voltadas à mobilidade e consciência corporal, além de uma área de recovery. Turmas reduzidas, atendimento personalizado e número limitado de membros fazem parte da proposta, assim como toalhas de banho e treino, artigos de higiene pessoal nos vestiários e manobrista em horários de pico. A assinatura anual custa a partir de R$ 847 por mês. Para Débora Teixeira, aluna da Fábrica Premium, a principal diferença no novo modelo de academia é desassociar a malhação da ideia de sacrifício necessário: — Isso aqui foge daquela ideia de treino sofrido. É viver a experiência.

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