Recentemente o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), recebeu um conselho de um colega na Corte para se afastar dos ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça e consolidar uma maioria mais inclinada ao governo dentro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nunes Marques é o atual presidente da Corte eleitoral, e Mendonça, o vice. Assim como no STF, o TSE também está dividido em alas, demarcadas a partir de afinidades jurídicas e alinhamento com o modo de pensar do governo de turno. Atualmente a Corte tem de um lado Mendonça e Nunes Marques e, de outro, os ministros Ricardo Villas Boas Cueva, Sebastião Reis, Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha.
A ideia do conselho era que Toffoli deixasse de se posicionar ora de um lado ora de outro e se alinhasse em definitivo com a fatia mais simpática ao governo Lula. Independentemente da posição do magistrado, a atual correlação de forças dentro do TSE tem deixado André Mendonça e Nunes Marques isolados em votações-chave e pode fazer diferença no mais recente cabo de guerra dentro do TSE, a análise de possíveis irregularidades eleitorais cometidas por grupos de WhatsApp ligados ao presidente Lula e ao senador Flávio Bolsonaro. Ambos se acusam de promover fake news contra o adversário. Uma prova da beligerância entre os dois grupos do TSE ocorreu no vaivém de decisões sobre se o canal “Exército de Lula”, organizado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), deveria ou não ser retirado do ar. Em um primeiro momento, Nunes Marques atendeu a um pedido da campanha de Flávio e determinou a derrubada da comunidade, que reúne mais de 4 milhões de usuários. Na sequência, o corregedor Ricardo Villas Boas Cueva, que já era relator de um processo sobre o Exército, deu ordens para a reativação do grupo. Em um terceiro momento, Nunes Marques voltou a banir a ferramenta e, por fim, a autorizou desde que registrada formalmente pela campanha de Lula.
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Entre os argumentos utilizados pelo presidente do TSE para banir o canal estava a alegação de que Janones é um notório propagador de fake news e que utilizava métodos para burlar o controle das próprias plataformas digitais no combate a informações inverídicas. Na avalanche de mensagens espalhadas pelo grupo aparecem mentiras conhecidas, como a falsa articulação de Flávio para derrubar o título de Nossa Senhora como padroeira do Brasil e a alegação de que, se eleito, o Zero Um atuaria para acabar com o Bolsa Família.
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