O câncer que está matando os jovens – e como evitá-lo

 

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A epidemiologia atual de câncer no mundo vem mostrando um cenário marcante: enquanto as taxas gerais de incidência e mortalidade pela doença têm caído para diversos tipos de tumores, o câncer de intestino (cólon e reto) apresenta um aumento alarmante, especialmente entre adultos jovens.

As quedas significativas na mortalidade por cânceres de mama, pulmão, próstata e leucemia se devem em grande parte ao diagnóstico precoce, à redução global do tabagismo e a avanços terapêuticos.

O câncer colorretal é o único cuja mortalidade está subindo entre pessoas com menos de 50 anos. Em idosos (acima de 65 anos), a incidência tem diminuído cerca de 1% ao ano, reflexo de campanhas de colonoscopia que removem pólipos antes de se tornarem malignos. Em contraste, a incidência em pessoas com menos de 50 anos sobe cerca de 2% a 3% ao ano desde meados da década de 1990. No Brasil, estima-se um aumento de 21% nos casos até 2040.

Esse aumento não pode ser atribuído à genética, obviamente. A rápida subida sugere que fatores ambientais e de estilo de vida são as principais causas. Os principais seriam:

Dietas Ultraprocessadas: alimentos industrializados (ricos em corantes, conservantes, açúcar e gordura saturada) são apontados como um dos principais culpados. Especialmente as carnes processadas, aquelas submetidas a salga, cura, fermentação ou defumação. Por exemplo, presunto, peito de peru defumado, salame, mortadela, salsicha, nuggets e empanados de frango, hambúrgueres industrializados, bacon, linguiças.

O baixo consumo de fibras (frutas e vegetais) impede a proteção natural do intestino.

O papel do microbioma é central. Mudanças na flora intestinal — causadas por dietas ruins e uso recorrente de antibióticos — criam um ambiente inflamatório que favorece o surgimento de tumores agressivos em jovens – e outras doenças também.

Obesidade e sedentarismo: excesso de peso e o tempo prolongado sentado (frequente em gerações mais jovens) também aumentam o risco de tumores no trato digestivo.

Diagnóstico tardio em jovens: como o rastreamento padrão começava apenas aos 50 anos (recentemente reduzido para 45 em alguns países), muitos jovens ignoram sintomas como sangramento ou dor abdominal, recebendo o diagnóstico quando a doença já está mais avançada e agressiva.

Devido a essa tendência, órgãos de saúde globais e brasileiros têm enfatizado a redução da idade de rastreamento. A recomendação para iniciar a colonoscopia preventiva caiu de 50 para 45 anos. É fundamental também não subestimar alterações no hábito intestinal (prisão de ventre ou diarreia persistentes), perda de peso sem causa aparente ou sangue nas fezes, independentemente da idade.

Em resumo, como você pode reduzir seu risco?

Aumente o consumo de fibras: a ingestão regular de frutas, vegetais e grãos integrais é essencial para a saúde do microbioma intestinal e para a proteção da mucosa.

Minimize os ultraprocessados: evite alimentos com altos teores de corantes, conservantes e açúcares, que criam um ambiente inflamatório propício ao surgimento de tumores. Carnes processadas devem ser consumidas muito raramente.

Procure controlar seu peso. A própria dieta com menos ultraprocessados e mais vegetais vai ajudar um bocado.

Combata o sedentarismo: manter-se fisicamente ativo ajuda na prevenção dessa e outras doenças, além de promover uma qualidade de vida melhor em todos os sentidos.

Não ignore sinais como sangue nas fezes, dor abdominal persistente ou mudanças no hábito intestinal (como diarreia ou prisão de ventre sem motivo aparente).

Faça a colonoscopia a partir de 45 anos. Se houver casos de câncer de cólon ou pólipos na família, o rastreamento deve começar ainda antes – fale com seu médico.

Reduza o álcool e pare com o cigarro. Ambos são fatores causais de diversos tipos de câncer, incluindo o gastrointestinal.

Evite a automedicação com antibióticos. O uso indiscriminado pode alterar o microbioma, o que tem sido associado ao risco de câncer e outros problemas de saúde. Use apenas quando indicado pelo médico.