'O Brasil vive hoje um apagão de professores', diz educadora mais influente do mundo
No Fim de Expediente, Débora Garofalo é a convidada de Dan Stulbach, José Godoy e Teco Medina nesta sexta-feira (6). Ela fala sobre os desafios da profissão e por que o Brasil precisa tratar a educação como prioridade.
A professora foi reconhecida, em fevereiro, como a educadora mais influente do mundo pela Varkey Foundation, fundação internacional que criou o tradicional Global Teacher Prize, principal prêmio para professores do mundo considerado o "Nobel da Educação".
Débora Garofalo alertou para a falta de professores no país, especialmente nas áreas de exatas. Segundo ela, a desvalorização da carreira, os salários e o desgaste emocional têm afastado novos profissionais da sala de aula, e a educação precisa voltar ao centro do debate público.
"Aqui na cidade de São Paulo, o salário do professor está em torno de R$ 5.200, tá? E muitas vezes ele tem que complementar a sua jornada em três escolas para poder chegar a esse valor. Então, só aí a gente já tem um desgaste muito grande emocional desse professor, porque ele não consegue se dedicar a uma única escola. Ele tem que pegar diferentes escolas para complementar essa jornada dele", explica.
A educadora define o quadro como um "apagão docente", em que até os estudantes de licenciatura não querem seguir a área da educação, "por todos esses problemas que a gente vem vivenciando", entre eles a questão da saúde mental, que gera um esgotamento.
"Os professores estão desgastados. São Paulo mesmo, que tem a rede municipal, que tem, a gente está falando em torno de 40 mil profissionais da educação, 10 mil profissionais da educação estão afastados por questões de saúde mental. Então, esses são dados gravíssimos, né? Se a gente não tomar uma atitude e as redes intervirem em políticas públicas que sejam assertivas, a gente realmente não vai ter nada."
Área de exatas tem mais desfalque
Débora Garofalo diz que muitos estudantes que poderiam se tornar professores no Brasil acabam optando por ir para fora do país, e acabam "não retornando para aplicar todo esse conhecimento", principalmente na área das ciências exatas.
"Hoje nós temos um grande déficit de professores de química, de professores de física, de professores de matemática, na educação básica, porque essas pessoas não querem mais ser professores. Isso é muito triste, né? Porque há uma grande desvalorização. E aí, a gente ainda tem por hábito massacrar os grandes profissionais que nós temos, porque é mais fácil massacrar o professor do que reconhecer o erro que existe em termos de estrutura de política pública."
'Sociedade deveria levar a educação a sério'
"Acho que está na hora da gente realmente reverter essa situação", conclui. A educadora premiada diz que ficou feliz com a honraria, "mas não por conta do título", e sim por poder intensificar o debate sobre as lacunas da educação no Brasil.
"Nós temos uma educação que passa por diferentes privações, um trabalho reconhecido dentro de uma rede, olhando para questões ainda de vulnerabilidade social. Me sinto honrada de poder estar aqui falando de educação hoje, porque eu acho que a gente deveria, enquanto sociedade, levar a educação mais a sério. Ela é a única arma que nós temos realmente para transformar o nosso país."
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