O Brasil tem feriado demais? Nepal tem 35, México tem 8 e a maior jornada da OCDE: o ranking que desmonta o mito da folga

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Países com mais feriados: o Brasil tem 10 por lei, abaixo da média mundial, e quem folga mais nem sempre trabalha menos. Veja o ranking, o custo de cada feriado e por que 2026 tem tantos feriadões.

Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria. Todo brasileiro faz a mesma pergunta no meio de um feriadão: a gente não tem feriado demais?

Hoje, com Finados numa segunda-feira, é o dia ideal para checar. A resposta curta é não.

E a longa é mais interessante do que parece. Por lei, o Brasil tem 10 feriados nacionais em 2026: nove de data fixa e a Sexta-Feira Santa, que é móvel.

O mais novo é o 20 de novembro, a Consciência Negra, nacional desde a Lei 14.759/2023. Carnaval e Corpus Christi são pontos facultativos federais, embora os bancos fechem (a Febraban lista 13 dias de feriado bancário neste ano).

Os levantamentos internacionais contam entre 10 e 12, conforme o critério. A sensação de “muito feriado” tem outra explicação: o calendário.

Em 2026, só a Proclamação da República cai no domingo. Sete dos dez feriados nacionais caem numa segunda ou numa sexta, o que dá feriadão sem precisar emendar.

Com Carnaval e Corpus Christi, os sites de viagem contam 11 feriadões no ano. Pelo levantamento da World Population Review para 2026:

Na América Latina, o Chile tem 20, a Argentina 19 e a Colômbia 18. Os EUA têm 11.

México, Reino Unido e Vietnã ficam entre 6 e 10. Um levantamento de 190 países calcula a média mundial em 16,6 feriados (mediana de 15).

O Brasil, com 10, fica abaixo. Os recordes têm explicações curiosas.

No Nepal, a lista oficial de um ano somava 27 feriados de festival, 6 datas especiais e 2 aniversários, e há debate no país sobre reduzir o número. No Sri Lanka, todo dia de lua cheia (Poya) é feriado.

Na Índia, só três datas são realmente nacionais, e o resto varia por estado e religião. Aqui está a surpresa.

Quem tem poucos feriados às vezes trabalha mais. O México, com cerca de 8, tem a maior jornada da OCDE: aproximadamente 2.200 horas por ano, contra cerca de 1.340 da Alemanha e 1.410 da Holanda.

A diferença passa de 860 horas, mais de dois meses de trabalho. A Colômbia, com 18 feriados, também figura entre os países com jornada mais longa.

O Chile (20 feriados) trabalha cerca de 1.950 horas. O Brasil aparece com algo perto de 1.700 horas por trabalhador.

E mais horas não rendem mais. Uma análise de dados da OCDE mostra que cada 100 horas a mais por ano acompanham cerca de US$ 10 a menos de produção por hora trabalhada.

Holandeses e alemães produzem perto de US$ 94 por hora (2023, paridade de poder de compra); México, cerca de US$ 25; Colômbia, US$ 21. O Brasil fica numa faixa parecida com a da Colômbia, menos de um quarto da produção horária dos holandeses.

O movimento atual vai na direção da jornada: o Chile reduz sua semana legal de 45 para 40 horas, em etapas (42 horas desde 2026), e a Colômbia baixou a sua de 48 para 42, com o último ajuste em julho de 2026. Os números da CNC, de anos anteriores, indicam que cada feriado nacional reduz o PIB em cerca de 0,12% (algo como R$ 12,7 bilhões) e que o varejo perdeu R$ 29 bilhões em 2023, perto de R$ 3,2 bilhões por feriado em dia útil.

A Firjan, em estudos mais antigos, calculava perdas relevantes para a indústria. Mas o efeito é duplo.

Neste Finados, a Artesp espera 19,1 milhões de veículos nas rodovias concedidas de São Paulo. O aeroporto de Guarulhos projeta 824 mil passageiros (3,6% a mais que em 2025) e os terminais rodoviários paulistanos, 517 mil.

Os cemitérios de Curitiba costumam receber mais de 200 mil visitantes. O que um setor perde, o turismo, os transportes e a alimentação fora de casa ganham.

Por isso o calendário importa: feriado perto do fim de semana custa menos que feriado no meio dele. O Brasil não tem feriado demais.

Tem produtividade de menos. O que decide a riqueza de um país não é quantos dias ele para, mas quanto produz em cada hora que trabalha.

A Alemanha folga e rende. O México trabalha muito e rende pouco.

Enquanto discutimos se 10 feriados são muitos, a pergunta que explica o nosso atraso fica no escuro: por que uma hora de trabalho brasileira vale tão pouco? Hoje, aproveite o descanso.

Ele é, sim, uma boa notícia. A má notícia chega na terça-feira.

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