Brasil, 2026. Quase 214,3 milhões de habitantes.
Quando falamos em extensão territorial, somos o quinto maior país do mundo, superando nações como Austrália, Índia, Argentina e todos os demais países da América do Sul. O país, considerado responsável por alimentar aproximadamente 10% da população mundial, atravessa uma “guerra” política que tem se mostrado cada vez mais nociva para os próprios brasileiros.
Seu PIB está entre os dez maiores do planeta Terra. Não se tem a intenção de desmerecer ou apoiar qualquer espectro ideológico, mas de promover uma reflexão: independentemente de quem vença, do que o Brasil realmente precisa para avançar enquanto nação e atender às necessidades de sua população? Não basta apresentar o nome de um político como resposta.
É preciso discutir suas propostas, prioridades e a capacidade de colocá-las em prática. É preciso transformar todos os brasileiros em cidadãos.
Muitos deles são “indivíduos” — esquecidos na rabeira da história. É preciso inclui-los de fato à sociedade.
É importante reforçar que essa governabilidade deve, insistamos, contemplar todos os brasileiros. Independentemente de quem tenha apertado 13, número de Lula da Silva (PT), ou 22, de Flávio Bolsonaro (PL).
Sem distinção. Lembrando que os dois passarão — o povo e o país seguirão em frente.,
Lula da Silva e Flávio Bolsonaro | Foto: divulgação No fim das contas, o brasileiro quer conseguir fazer uma compra decente no supermercado, ver investimentos em saúde e segurança pública e ter acesso à educação de qualidade, desde os anos iniciais até a universidade.
E, claro, se divertir, pois ninguém é de ferro: ir à praia, ao estádio, ao teatro, ao show de música, ao cinema, à Chapada dos Veadeiros (na mágica Vila de São Jorge, em Alto Paraíso) etc. Precisa-se de um governo que compreenda a importância de valorizar a cultura em todas as suas manifestações.
Nos últimos anos, vimos o Brasil desfilar pelo tapete vermelho das principais premiações internacionais. E não venha com esse papo de que isso não significa nada para o país.
O cinema brasileiro também gera empregos, assim como os setores de serviços, agronegócio, indústria e tantos outros. Não há razão para tratar a cultura como inimiga do povo brasileiro.
Precisamos cobrar, sim, mais investimentos em segurança pública, mas entendendo a responsabilidade de cada ente da Federação. Os recursos repassados pelo governo federal devem ser devidamente fiscalizados, assim como sua aplicação.
Entretanto, não podemos esquecer que a atuação das polícias Militar e Civil está sob responsabilidade dos governos estaduais. Sim, a Polícia Militar que patrulha as ruas próximas à sua casa é de responsabilidade do governo do Estado.
Portanto, a cobrança também precisa ser direcionada a quem efetivamente responde por esse serviço. Em Goiás funciona bem, mas em outros Estados não.
Parte das polícias de São Paulo e Rio de Janeiro está cooptada pelo crime organizado. O mesmo raciocínio vale para a saúde.
Os repasses necessários devem ser cobrados, mas é importante lembrar que a gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) é compartilhada entre União, Estados e municípios. Se falta um medicamento ou insumo no posto de saúde do seu bairro, é necessário identificar a responsabilidade pela aquisição, distribuição e disponibilização daquele produto.
O mesmo vale para os hospitais de urgência e emergência, cuja gestão pode ser municipal, estadual ou federal. O governo federal precisa ser mais presente, menos distante.
Cada esfera de governo tem suas atribuições e não pode se eximir delas sob a justificativa de que o candidato A ou B é bom ou ruim. Ao mesmo tempo, é fundamental que exista diálogo entre os chefes dos Executivos para que as necessidades da população sejam atendidas.
Inclusive, a escolha de um político impacta diretamente a economia. E aqui entra-se em outro assunto polêmico.
Há quem diga que o Brasil está estagnado e que pode até quebrar. Mas é importante compreender que determinadas medidas econômicas refletem diretamente no cotidiano das pessoas: no poder de compra no supermercado, na aquisição de um carro ou de uma casa e até na compra de insumos para manter uma plantação.
O que não se pode ignorar, em momento algum, é que a realidade desses mais de 200 milhões de brasileiros é completamente diferente. Não adianta vender a ideia de que todos partiram do mesmo ponto, porque isso simplesmente não é verdade.
A ideia de mérito é positiva para os do andar de cima, não para a turma do andar de baixo. O Brasil sempre foi um país marcado pela desigualdade.
E, infelizmente, ainda se tem um longo caminho para superar essa realidade. É justamente por isso que existem os programas sociais.
Eles são instrumentos para ajudar pessoas que muitas vezes não têm, ou têm de maneira extremamente limitada, acesso ao básico. A retirada desses direitos e mecanismos de proteção não deve ser tratada como solução.
O debate deveria estar concentrado na manutenção, no aperfeiçoamento e na eficiência dos benefícios, para que cheguem a quem realmente precisa. É muito cômodo defender o fim dessas políticas a partir do conforto dos próprios privilégios.
Quando se perde a capacidade de reconhecer a necessidade do outro, demonstramos uma preocupante falta de empatia. E não há discurso de direita ou de esquerda capaz de justificar isso.
Pacificar o país é vital Outro ponto que considero fundamental é a pacificação do país.
Estamos vivendo uma polarização extrema, que tem deixado as pessoas emocionalmente adoecidas, a ponto de defenderem o indefensável e até pronunciarem o impronunciável. A seletividade política e social passou a pautar muitas discussões, quando o centro do debate deveria ser o interesse coletivo.Nesta semana, durante uma conversa com uma figura importante da política, ouvi uma afirmação que me chamou a atenção: “Há um receio de disputar eleição.
Porque veja essa galera que está se elegendo: não quer debater política, está atrás apenas de views”.A reflexão faz muito sentido. Como debater política com pessoas que defendem aquilo que contraria a Constituição? Como construir soluções quando questões fundamentais para a sociedade sequer entram na conversa? O resultado é um debate cada vez mais empobrecido, no qual o confronto ganha espaço e as propostas perdem relevância.
Aqui urge um adendo: as redes sociais têm enorme influência nesse processo. O palco montado nessas plataformas se transformou em uma arma nas mãos de pessoas interessadas em amplificar discursos que, muitas vezes, pouco contribuem para melhorar a vida dos brasileiros.
Entretanto, pela repetição e pelo alcance, esses conteúdos acabam ganhando destaque. Com isso, parte do Parlamento parece ter se transformado mais em um espaço de atuação de influenciadores digitais do que em um ambiente de representação efetiva dos interesses da população.
A preocupação passa a ser produzir um corte viral, e não apresentar um projeto capaz de beneficiar o eleitor. E esse comportamento não se limita ao Legislativo.
Há políticos de diferentes esferas agindo da mesma maneira, o que demonstra um empobrecimento do debate público. Em vez de receber informações relevantes para formar sua própria opinião, o cidadão acaba bombardeado por recortes tendenciosos, cuidadosamente selecionados para fazê-lo comprar determinada narrativa.
Isso é extremamente perigoso. Durante esta campanha eleitoral, vi vídeos em que pessoas com opiniões divergentes conseguiam conversar com cordialidade.
São exemplos que deveriam ser valorizados. Entretanto, o ambiente político atual frequentemente deixa essa cordialidade de lado e aposta no confronto, na hostilidade e, em situações mais graves, na agressão.
A violência política tem adquirido contornos cada vez mais preocupantes nos últimos anos. Isso amedronta a população e afasta muitas pessoas do próprio debate democrático.
Ouso dizer que esse desgaste pode ser um dos fatores que ajudam a explicar os mais de 33 milhões de brasileiros que se abstiveram de votar no primeiro turno. Evidentemente, a abstenção envolve diferentes razões, mas não ase pode desconsiderar o possível impacto do desencanto com a política.
A realidade é que o brasileiro está cansado de discussões que não chegam a lugar nenhum. Está cansado de ver problemas reais sendo substituídos por disputas pessoais, provocações e narrativas que pouco contribuem para o futuro do país.
Seja qual for o resultado das urnas, o Brasil precisa continuar caminhando com soberania, responsabilidade e respeito à sua população. Não é aceitável que um grupo político governe apenas para o lado A ou B.
O presidente eleito terá a responsabilidade de governar para todos, inclusive para aqueles que não depositaram nele sua confiança. Terminado o pleito, o discurso é outro: deve se lutar pelo país, pelos brasileiros.
O brasileiro merece mudanças. Merece desenvolvimento, dignidade, segurança, educação, saúde e oportunidades.
Mas, acima de tudo, merece que essas transformações aconteçam dentro das quatro linhas da Constituição. Isto é básico.
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