É o Bafo da Onça que acabou de chegar em... Santa Teresa: bloco tradicional muda local do desfile nos seus 70 anos

 

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O Bafo da Onça, que tradicionalmente desfila no Centro do Rio, vai inovar no carnaval de 2026, quando completa 70 anos: o cortejo passa a acontecer em Santa Teresa. A mudança de trajeto celebra também outro marco importante: o fim da rivalidade com outro bloco tradicionalíssimo, o Cacique de Ramos, que participará do primeiro desfile do Bafo na Zona Sul da cidade.

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A concentração para o desfile, na segunda-feira de carnaval (16), será às 10h, na Rua Monte Alegre, em frente ao número 306, com percurso até o Largo das Neves. De acordo com a direção do Bafo da Onça, "a mudança não rompe com sua tradição, mas atualiza uma dimensão fundamental do carnaval de rua, a experiência do deslocamento coletivo como forma de produzir cidade". Nos bastidores, diz-se que, trocando em miúdos, o objetivo é renovar o público do cortejo.

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Este ano, o Bafo estreará sua nova bateria, com mais de 100 ritmistas e instrumentos adquiridos por meio de uma emenda parlamentar do deputado federal Tarcísio Motta (PSOL-RJ), como faz questão de frisar Roberto Saldanha, o Capilé, presidente do bloco há mais de 50 anos. A observação é importante, diz ele, porque vem num momento de reconstrução da estrutura do cortejo, cuja sede sofreu um grande incêndio em 2020, que destruiu instrumentos, fantasias e documentos históricos.

A aproximação com o Cacique de Ramos, outra novidade, começou no ano passado, quando este levou sua roda de samba para uma apresentação na quadra do Bafo, no Catumbi, durante o evento Mergulho da Onça, realizado em parceria com o bloco Glorioso Mergulho à Fantasia. O encontro selou a paz entre duas das mais longevas agremiações do carnaval carioca.

Desfile do Bafo da Onça em 1978: bloco foi fundado 22 anos antes, no Catumbi

Paulo Moreira

Fundado em 1956, em um botequim do Catumbi, por Sebastião Maria, o Tião Maria, conhecido no bairro por desfilar sozinho, fantasiado de onça, o Bafo é o segundo bloco mais antigo do Rio em atividade, atrás apenas do Cordão da Bola Preta. Seus desfiles aconteciam na Avenida Rio Branco e, em algumas edições, na Avenida Chile.

Presidente da Associação de Moradores de Santa Teresa (Amast), Orlando Lemos, não vê com bons olhos a chegada do bloco ao bairro, que, segundo ele, já sofre com cortejos demais no carnaval.

-- Já estamos enfrentando problemas demais com os blocos não autorizados, os chamados piratas, já é uma grande dor de cabeça, e com os blocos formais, principalmente nas ruas estreitas de Santa Tereza. Achamos que a quantidade de blocos que estão aqui é grande, mas ainda tolerável. Trazer mais um bloco é dificultar mais a vida dos moradores. Nós não temos nada contra o Bafo da Onça. Mas por que e para que trazer mais um bloco para Santa Tereza? óbvio que há algum inteligente político nisso aí, alguém tá sendo atendido de alguma forma -- suspeita.

Nas redes sociais, teve folião celebrando a mudança para Santa Teresa e outros torcendo para o que o bloco reconsidere, ao menos em parte, a decisão.

"Vai ser lindo!", vibrou um internauta.

"O Cacique vai desfilar três dias de carnaval no Centro. Por que o Bafo da Onça não pode desfilar um dia em Santa Teresa e um outro dia de carnaval no Centro?", indagou outro.

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