O alerta por trás da cirurgia de Lula: lesões no couro cabeludo podem passar despercebidas

 

Fonte:


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retirou nesta sexta-feira uma lesão de câncer de pele no couro cabeludo e fez uma infiltração no punho para tratar uma tendinite no polegar da mão direita no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Ele deixou o hospital por volta das 11h, segundo a sua assessoria de imprensa. Segundo o médico Roberto Kalil Filho, os dois procedimentos ocorreram sem nenhuma intercorrência. Mas, segundo a a cirurgiã capilar Daniele Alves, a situação serve para lembrar o alerta de que aualquer alteração na pele do couro cabeludo merece atenção. O carcinoma basocelula é o tipo mais comum de câncer de pele, causado pela exposição prolongada ao sol.

"Toda mudança suspeita na pele deve ser avaliada rapidamente por um médico. O caso do presidente demonstra a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento médico regular", afirma a médica que é proprietária da clínica novofio, unidade Curitiba (PR), maior rede brasileira especializada em transplante e tratamento capilar.

Segundo Daniele, a cirurgia é simples e corriqueira, principalmente quando as lesões são detectadas ainda em estágio inicial, que é o caso da queratose actínica (lesão benigna), mas que se mal conduzida, tem potencial cancerígeno . "É seguro e bastante rotineiro nos consultórios a detecção e tratamento de lesões em estágio inicial. Geralmente envolve a remoção e tratamento local da lesão, podendo ser realizado de forma ambulatorial, com recuperação rápida", diz.

Couro cabeludo: área vulnerável

Em pessoas calvas, explica a médica, o couro cabeludo fica diretamente exposto ao sol por anos, o que torna a região mais propícia ao surgimento de lesões de pele, inclusive as mais graves. Ainda assim, é uma área que costuma passar despercebida nas consultas de rotina.

"A avaliação não se restringe apenas ao cabelo. É necessário examinar todo o couro cabeludo para descartar lesões potencialmente graves antes de qualquer conduta", diz. De acordo com Daniele, as lesões podem se apresentar de formas variadas — queratose actínica, seborreica ou folicular — e, quando não tratadas, têm potencial de evoluir para condições mais sérias.

Como se proteger

A proteção começa com hábitos simples: uso diário de protetor solar no couro cabeludo, bonés e roupas com fator de proteção solar e consultas regulares ao dermatologista. "A prevenção e o acompanhamento dermatológico são a melhor estratégia para evitar complicações de lesões de pele", reforça.