Nvidia prevê receita de US$ 1 trilhão com chips de IA até o fim de 2027
A Nvidia, empresa no centro da explosiva expansão da computação voltada à inteligência artificial, espera gerar pelo menos US$ 1 trilhão com seus chips Blackwell e Rubin até o final de 2027. Anteriormente, a companhia havia projetado que esses chips gerariam US$ 500 bilhões em vendas até o fim de 2026. A nova previsão, apresentada pelo CEO Jensen Huang durante o evento Nvidia GTC, estende o horizonte em mais um ano.
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A estimativa ressalta a dimensão do negócio da Nvidia, impulsionado pela forte demanda por chips usados para desenvolver e operar modelos de inteligência artificial. Ainda assim, o valor acumulado não indica uma aceleração extraordinária no ritmo de crescimento das vendas.
Depois de subir até 4,8% inicialmente, as ações reduziram os ganhos na segunda-feira. O papel encerrou o dia com alta de 1,6%, a US$ 183,19, em Nova York.
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A Nvidia também apresentou novos produtos durante o GPU Technology Conference (GTC, na sigla em inglês), encontro anual que atrai multidões entusiasmadas a San Jose. A empresa está adicionando ao portfólio um chip baseado em tecnologia adquirida da startup Groq, movimento que, segundo a Nvidia, aumentará a velocidade de resposta dos sistemas de inteligência artificial.
A companhia também exibiu um computador composto por CPUs de uso geral (unidades centrais de processamento), marcando uma nova expansão em uma tecnologia historicamente desenvolvida pela Intel. A oportunidade de mercado para CPUs é “com certeza” um negócio multibilionário, afirmou Huang.
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O lançamento no GTC é a mais recente tentativa da Nvidia de promover a computação voltada à inteligência artificial e manter os clientes fiéis à sua tecnologia. A empresa usa o evento para anunciar parcerias com companhias de diversos setores, buscando demonstrar os benefícios crescentes da IA.
— Eu acredito que a demanda por computação aumentou 1 milhão de vezes nos últimos dois anos — disse Huang durante o evento.— É a sensação que todos temos. É a sensação que toda startup tem.
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Uma onda de investimentos em chips de IA transformou a Nvidia na empresa mais valiosa do mundo. Ainda assim, investidores buscam mais evidências de que o crescimento do mercado continuará no ritmo esperado. A empresa também enfrenta concorrência crescente de rivais como a Advanced Micro Devices e até de clientes que tentam produzir chips próprios para lidar com aplicações de IA.
Nos últimos anos, a Nvidia acelerou o desenvolvimento tecnológico. A companhia tenta renovar toda sua linha de produtos anualmente, ao mesmo tempo em que adiciona novos componentes.
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A próxima geração de seus principais processadores de IA, que deve aparecer em sistemas na segunda metade de 2026, se chamará Vera Rubin. A linha recebeu esse nome em homenagem à astrônoma pioneira Vera Rubin, cujas observações ajudaram a comprovar a existência da matéria escura.
Embora a Nvidia continue registrando crescimento de vendas invejado pela indústria de semicondutores, a valorização de suas ações perdeu fôlego nos últimos meses. Os papéis acumulavam queda de 3,4% no ano antes da apresentação no GTC, deixando o valor de mercado da empresa ainda assim em US$ 4,4 trilhões, sem rivais.
Huang também anunciou que o Groq 3 LPU passará a integrar o catálogo de produtos da Nvidia. Um LPU (Language Processing Unit) é um chip especializado em acelerar a inferência de grandes modelos de linguagem — o processo de gerar respostas para comandos de inteligência artificial.
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Esses semicondutores possuem memória rápida integrada ao chip, o que permite gerar texto quase instantaneamente. A Nvidia oferecerá o componente como coprocessador, complementando o trabalho realizado por seus aceleradores — componentes mais adequados para tarefas mais complexas e de múltiplas etapas.
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Em dezembro, a Nvidia anunciou o que chamou de um acordo de licenciamento com a Groq, que lhe deu o direito de usar determinadas tecnologias e projetos. Embora a startup continue existindo, seus fundadores e uma grande parte de seus engenheiros se juntaram à Nvidia, em uma operação que, na prática, funcionou como uma aquisição.
A Nvidia acelerou o trabalho de engenharia realizado pela Groq para levar o produto ao mercado mais rapidamente. O chip será fabricado pela Samsung, e os sistemas baseados na tecnologia da Groq devem chegar na segunda metade do ano, disse o CEO Jensen Huang.
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A fabricante afirmou que seu próximo processador, Vera, é mais capaz do que CPUs anteriores. À medida que os data centers de inteligência artificial se tornam cada vez mais complexos, a orquestração do trabalho dividido entre diferentes tipos de computadores e softwares, função desempenhada por CPUs de uso geral, torna-se mais importante, segundo a Nvidia.
O Vera vai combinar características de CPUs usadas em data centers, PCs gamers e laptops, afirmou a empresa. O chip será capaz de lidar com múltiplas entradas simultaneamente, ao mesmo tempo em que processa rapidamente tarefas complexas individuais. Também exigirá menos consumo de energia, de acordo com a Nvidia.
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A empresa planeja começar a vender computadores formados inteiramente por CPUs, uma nova abordagem para a gigante de chips. Essas máquinas poderão ser usadas em conjunto com outros computadores baseados em tecnologia da Nvidia ou funcionar de forma independente.
A Nvidia expandiu sua atuação além de sua marca registrada, as GPUs (unidades de processamento gráfico), usadas para treinar e executar softwares de inteligência artificial. Agora, a empresa oferece sistemas completos de computação, que incluem processadores, rede e software.
A fabricante também disponibiliza modelos de IA e outros softwares em código aberto, permitindo que clientes adaptem a tecnologia conforme desejarem. A companhia ainda oferece versões customizadas para usos específicos, com o objetivo de ajudar setores que considera maduros para serem transformados pela inteligência artificial.
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A Nvidia começou no segmento de computação para data centers oferecendo versões de seus chips gráficos adaptadas para acelerar certos tipos de tarefas. Com o tempo, esse tipo de chip passou a superar o domínio tradicional das CPUs vendidas por Intel e Advanced Micro Devices.
Embora isso tenha transformado a Nvidia no maior fornecedor de chips usados em data centers, à medida que os softwares amadurecem, muitas empresas estão explorando o uso de CPUs para rodar serviços que foram treinados anteriormente em chips aceleradores mais especializados.
As CPUs geralmente são mais baratas, podem ser usadas para outras finalidades e costumam consumir menos energia.
Desafio para a Intel
Até agora, a Nvidia oferecia suas CPUs apenas fortemente integradas com seus outros chips. Em um acordo recente com a Meta, a empresa indicou que está pronta para vender seus processadores como produto independente, e Huang tem afirmado repetidamente que uma nova versão da linha terá capacidades ampliadas.
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Uma oferta mais ampla de processadores pela Nvidia pode representar mais um desafio para a Intel, em um segmento que há muito tempo é o mais lucrativo da companhia. A movimentação também aumenta a concorrência para iniciativas internas como a linha Graviton, da Amazon.
O SoftBank Group e sua afiliada Arm Holdings também vêm ampliando suas capacidades nessa área. Embora a Arm se beneficie da entrada da Nvidia nesse mercado, já que licencia tecnologia para a empresa, essa receita pode ser menor do que o ganho potencial com a venda direta de seus próprios projetos e chips.
