Nvdia supera projeções em mais um balanço com crescimento acelerado: lucro avança 211%, e vendas batem recorde com chips de IA
A Nvidia registrou uma alta de 85% em suas vendas no primeiro trimestre fiscal (fevereiro a abril) deste ano, alcançando US$ 81,6 bilhões. A receita ficou acima dos US$ 79,18 bilhões esperados pelos analistas, configurando um recorde para a empresa.
A líder mundial de semicondutores teve um lucro de US$ 58,3 bilhões, alta de 211% na comparação com igual período do ano anterior, e de 36% em relação ao quarto trimestre fiscal. O lucro por ação no 1º trimestre fiscal foi de US$ 1,87, acima dos US$ 1,77 esperados pelos analistas.
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Os resultados superaram também a previsão da própria companhia. Em fevereiro, a Nvidia havia projetado receita de US$ 78 bilhões para o período. No quarto trimestre fiscal (novembro a janeiro), a receita cresceu 73% em comparação com o ano anterior, para US$ 68,1 bilhões, e o lucro quase dobrou, para US$ 43 bi.
Chips da Nvidia: liderança em IA
Bloomberg
Para o seu segundo trimestre fiscal (maio a julho), a Nvidia previu hoje uma manutenção de seu extraordinário crescimento, embora não tão otimista quanto esperavam parte dos analistas. A empresa projeta uma receita de US$ 91 bilhões, com uma margem de erro de 2% para cima ou para baixo.
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No resultado divulgado hoje, a empresa anunciou uma recompra adicional de ações da ordem de US$ 80 bilhões. A empresa também aumentou o pagamento aos acionistas, elevando seu dividendo trimestral de US$ 0,1 para US$ 0,25 por ação.
Apesar de mais um resultado robusto e maior remuneração aos investidores, as ações da Nvidia tiveram leve queda (menos de 1%) no pregão estendido da Nasdaq após a divulgação do balanço. Segundo a Bloomberg, alguns analistas ficaram decepcionados com a receita e com a previsão de crescimento, que esperavam ser mais ambiciosa.
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A reação mais negativa ficou concentrada entre os investidores acostumados a ver a Nvidia superar expectativas de forma expressiva e que vêm especulando sobre o impacto do aumento de concorrentes da big tech americana.
A Nvidia enfrenta os primeiros grandes desafios à sua liderança em computação para IA, com diversos fabricantes de chips tentando conquistar fatias desse mercado.
Destaque para data centers
O negócio de data centers da empresa foi responsável pela maior parte da receita, alcançando US$ 75,2 bilhões. Analistas de Wall Street projetavam US$ 73,47 bilhões. Isso representa um aumento em relação aos US$ 39,11 bilhões reportados pela Nvidia no primeiro trimestre fiscal do ano passado.
Jensen Huang transformou a Nvidia na empresa mais valiosa do mundo
Bloomberg
A Nvidia enfrenta uma concorrência crescente no setor de processadores para inteligência artificial, incluindo a Cerebras (CBRS), que realizou sua oferta pública inicial (IPO) na última quinta-feira.
A Cerebras vende um tipo diferente de processador de IA em comparação com a Nvidia, o que, segundo a empresa, oferece desempenho geral mais rápido graças ao seu design exclusivo.
CEO destaca 'velocidade extraordinária' da IA
“A construção de fábricas de IA — a maior expansão de infraestrutura da história da Humanidade — está acelerando em velocidade extraordinária”, afirmou Jensen Huang, fundador e CEO da Nvidia, no comunicado da empresa.
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Ele destacou a segunda fase de expansão da nova tecnologia, a dos agentes de IA, como um dos fatores que influenciam a alta demanda por semicondutores da companhia.
“A IA agêntica chegou, realizando trabalho produtivo, gerando valor real e se expandindo rapidamente entre empresas e setores. A Nvidia está posicionada de forma única no centro dessa transformação como a única plataforma que opera em todas as nuvens, impulsiona todos os modelos de fronteira e de código aberto e escala em todos os lugares onde a IA é produzida — de data centers hiperescaláveis até a ponta da rede.”
Em busca de sinais sobre futuro da IA
Os dados financeiros da fabricante dos chips mais avançados do mundo divulgados no início da noite de hoje eram um dos mais aguardados em Wall Street, coração financeiro dos EUA, na atual temporada de balanços.
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Isso porque os números da companhia têm sido vistos como um parâmetro de toda a indústria de tecnologia, que tem atraído mais investimentos nos últimos meses por causa dos altos investimentos em IA. Atualmente, a Nvidia é considerada e empresa mais valiosa do mundo, de acordo com a movimentação de suas ações.
Os papéis da Nvidia acumulam alta de 19% no ano e de 34% desde que atingiram sua cotação mínima recente, no fim de março. Mas nos últimos três dias, houve queda de 6,4% no papéis. Ainda assim, as ações da Nvidia estão acima do índica Nasdaq 100, com forte presença de empresas de tecnologia, que acumula alta de 15% em 2026.
Rivais também vão bem
Os resultados da Nvidia se alinham ao tom dos balanços excepcionais de fabricantes de chips no trimestre passado, como Intel, AMD, Texas Instruments, NXP Semiconductors NV e Silicon Motion Technology. Todas registraram altas de dois dígitos após a divulgação de seus resultados. E mais de 90% delas tiveram lucro acima do projetado pelos analistas.
Intel também teve números recentes positivos
Bloomberg
Toda a expectativa em relação ao balanço da Nvidia hoje se deveu a uma tentativa dos investidores de encontrar nos números dela elementos que possam apontar se ainda há espaço de crescimento para as empresas envolvidas na corrida da IA ou se é preciso aumentar a cautela em relação a essas ações já muito valorizadas.
Para continuar investindo nesses papéis nos próximos anos, os investidores têm cobrado das empresas melhores indicadores de faturamento e lucratividade, já que as grandes empresas de tecnologia continuam injetando capital no desenvolvimento de soluções e infraestrutura de IA.
Demanda aquecida
A demanda por semicondutores segue aquecida. As quatro empresas que mais investem em IA atualmente — Amazon, Alphabet (Google), Microsoft e Meta — estão planejando até US$ 725 bilhões em investimentos neste ano. Os chips representam uma grande parte desses gastos, e a Nvidia mantém uma participação dominante no mercado de aceleradores de IA.
Site do Google Gemini, IA do Google
Andrey Rudakov/Bloomberg
Portanto segue tendo como principais clientes big techs ávidas por chips cheias de dinheiro para investir.
As dúvidas do mercado em relação à IA não se restringe aos EUA, já que os papéis das big techs são negociados por investidores de todo o mundo e afetam a demanda por papéis de outros setores, como as commodites agrícolas e minerais. Essa nova onda de atração da IA tem sido apontada por analistas como uma das razões da debandada de capital estrangeiro do Brasil nas últimas semanas, levando a uma desvalorização da Bolsa.
(Com Bloomberg News)
