Nuvens de palavras
Devia ter entre 8 e 9 anos quando tive uma iluminação. Diria epifania, se conhecesse a palavra naquela época. Era algo fascinante (esse adjetivo eu sabia, só faltava ocasião para usá-lo): um texto sem versos ou rimas, mas com os dons encantatórios de um poema. Não contava uma história, como num conto — era mais um comentário, quase confidência. E tinha humor. Muito. Eu, incapaz de rimar ou metrificar e sem me sentir à vontade ao inventar enredos, intuí — com um tiquinho de ingenuidade e muita pretensão — que aquilo eu conseguiria escrever. Bastava ser eu mesmo, tirando partido de tudo o que ignorava (e era coisa pra caramba). Só bem depois vim a saber que aquela camaradagem por escrito se chamava crônica. Matéria exclusiva para assinantes. Para ter acesso completo, acesse o link da matéria e faça o seu cadastro.
