Com o avanço da tecnologia e dos sistemas financeiros, pagamentos físicos ou on-line, feitos com cartão ou via Pix, são concluídos em poucos segundos.
Embora pareça uma operação simples para o consumidor, por trás há uma complexa infraestrutura que precisa funcionar de forma instantânea e sem interrupções, a fim de não se transformar em um risco sistêmico e de imagem para as empresas.
Este cenário, aliado ao fato de que o Banco Central exige metas severas de Acordo de Nível de Serviço (SLA, na sigla em inglês) para a arquitetura do Pix e do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), estabelecendo tolerância zero para instabilidades, tornou a resiliência das infraestruturas uma exigência de sobrevivência para os negócios.
O alicerce atual para adquirentes e bancos é a migração de arquiteturas legadas para ambientes de nuvem híbrida (combinam nuvem privada ou pública com servidores locais), multicloud (utilizam serviços de computação em nuvem de dois ou mais provedores) e data centers que trabalham ao mesmo tempo.
Dessa forma, se um apresenta problema, o outro está lá para assumir parte ou a totalidade das operações previstas e, assim, manter o serviço ativo, especialmente em momentos de pico.
Na Black Friday ou em viradas de lote de pagamento, por exemplo, em poucos minutos o número de consumidores tentando concluir compras pode aumentar significativamente.
Então, uma arquitetura preparada para um dia comum precisa estar apta a absorver esse aumento, e tudo isso de forma invisível, ou seja, sem que o cliente perceba.
“Nos últimos cinco anos, as empresas deixaram de depender de uma infraestrutura física única, dimensionada para um determinado volume de acessos, e passaram a distribuir suas aplicações por diferentes ambientes para ampliar a capacidade computacional de acordo com a demanda”, salienta Fernando Otani, CEO do Grupo Transire, fabricante brasileira de terminais de pagamento.
Fernanda Spinardi, líder de soluções para clientes no Brasil da Amazon Web Services (AWS), acrescenta que a nuvem revolucionou o setor de meios de pagamento por proporcionar justamente essa elasticidade na capacidade, crescendo e reduzindo automaticamente conforme o volume de operações.
“As empresas operam com uma capacidade mais enxuta ao longo do ano e, à medida que a demanda sobe, como na Black Friday e no Amazon Prime Day, alocam mais capacidade”, diz.
Spinardi observa que o mais comum é o cliente escolher um provedor de nuvem primário, onde aporta a maior parte das suas cargas de trabalho, e ter outros secundários, para rodar uma solução mais interessante do ponto de vista de funcionalidade, performance ou custo.
Também entram na equação a disponibilidade, para o sistema não cair e ficar inoperante, a continuidade do negócio frente a imprevistos e a velocidade para inovar e lançar produtos, diz Maurício Fernandes, CEO da Dedalus, especialista em cloud e data/AI.
“A nuvem torna a plataforma de pagamentos elástica, resiliente e inovadora.
Permite aumentar a capacidade automaticamente em períodos de pico, distribuir a operação para evitar quedas e acelerar o uso de recursos avançados, como segurança por IA e analytics.
Na prática, transforma a infraestrutura em uma utilidade sob demanda, garantindo que a empresa foque no seu crescimento, enquanto a plataforma processa milhões de transações de forma invisível, rápida e segura”, afirma Fernandes.
A Cielo tem infraestrutura para processar até 13 mil transações por segundo.
Segundo Carlos Alves, vice-presidente de tecnologia e negócios, o avanço da migração para a nuvem teve início em 2022.
“Hoje, mais de 70% dos nossos serviços rodam em cloud.
Isso trouxe ganhos de agilidade, escalabilidade e desenvolvimento, operando em paralelo com nossos data centers”, relata.
Nuvem evita quedas e suporta picos de acesso
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