Nunes Marques defende urnas brasileiras a embaixadores que ouviram críticas de Flávio

Nunes Marques defende urnas brasileiras a embaixadores que ouviram críticas de Flávio

Fonte: Bandeira



Há cerca de um mês, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Kassio Nunes Marques defendeu a integridade e a confiabilidade das urnas eletrônicas e das eleições brasileiras ao mesmo público de embaixadores e representantes diplomáticos que ouviram ontem as críticas do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao sistema eleitoral.

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O evento em que Flávio e Nunes Marques, um mês antes, estiveram, faz parte de uma série de debates entre presidenciáveis e embaixadores e representantes diplomáticos de 42 países, organizados pela consultoria de comunicação Novo Selo Comunicação e o site The Brazilian Report.


Em 16 de junho, quando participou do evento, Nunes Marques apresentou as medidas de segurança adotadas pela Justiça Eleitoral durante as eleições e os mecanismos de fiscalização para garantir a lisura do processo eleitoral.

O presidente da corte eleitoral deu explicações sobre o funcionamento das urnas, da identificação biométrica dos eleitores, da abertura dos códigos-fonte para fiscalização, os testes públicos de segurança e as etapas de auditoria com a participação de entidades fiscalizadoras.

Na ocasião, ele afirmou que “o Brasil desenvolveu uma das mais sofisticadas estruturas de integridade eleitoral existentes no mundo”.


No evento dessa terça-feira, Flávio pediu a embaixadores para que enviassem “a maior quantidade de observadores estrangeiros possíveis” para acompanhar o pleito de outubro e disse que as urnas usadas no Brasil “têm a mesma origem” das fabricadas pela empresa Smartmatic, que é acusada pelo governo dos Estados Unidos de envolvimento com fraudes nas eleições da Venezuela.


O TSE já desmentiu a informação em 2020 e disse que o Brasil não usa os equipamentos da empresa.

Além disso, não há evidências de fraudes no sistema brasileiro de votação.

O senador nega que sua fala tenha sido um ataque às urnas.


Como mostrou o Valor em março, Nunes Marques quer fazer uma defesa pessoal da segurança das urnas para evitar questionamentos como os que ocorreram em 2022, quando o então presidente Jair Bolsonaro reuniu embaixadores para atacar o sistema eleitoral brasileiro em encontro transmitido pela rede de televisão pública.

Por ter usado a estrutura da Presidência com desvio de finalidade, foi considerado inelegível pelo TSE, no ano seguinte.


Nunes Marques, que foi indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF), tem dito a interlocutores que uma defesa do processo eleitoral partindo dele soaria diferente e poderia diluir algumas críticas.

Em conversas recentes, ele disse a pessoas próximas que ainda não recebeu de representantes partidários dúvidas ou questionamentos sobre as urnas, mas que poderia conversar pessoalmente com interlocutores para evitar discursos que coloquem a higidez das eleições em dúvida.


No evento de ontem, Flávio lembrou da reunião organizada pelo pai e afirmou que o ex-presidente apenas manifestava preocupações a representantes de outros países.

A citação à Smartmatic foi em referência a um relatório do governo americano da semana passada que apontou uma suposta fraude nas eleições da Venezuela em 2012.


Em nota, o senador negou que tenha feito ataques às urnas e disse que “se limitou a relatar dois fatos públicos e amplamente divulgados pela imprensa: 1) o fato originalmente gerador da inelegibilidade de seu pai, Jair Bolsonaro (uma notória reunião com embaixadores); 2) um relatório recentemente divulgado pela CIA, a respeito de fraudes nas eleições venezuelanas”.