Nunes diz que cabe a Milton Leite provar inocência e que prefeitura apoia investigações

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Fonte da notícia: Valor Valor

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), disse que tem "muito respeito" pelo ex-vereador Milton Leite (União Brasil) e que cabe ao aliado provar sua inocência. O ex-vereador foi alvo nesta quinta-feira (17) da Operação Vectura Corrupta, que investiga a infiltração do PCC no sistema de transporte público da capital paulista. Nunes mencionou a colaboração da prefeitura nas investigações e cobrou punição para quem tiver cometido erros, mas afirmou que busca agir com responsabilidade para evitar juízo prévio.

"Tenho muito respeito pela história, pela trajetória do ex-presidente da Câmara Milton Leite, vereador por mais de 20 anos, mas, obviamente, vai competir a ele demonstrar ou não a sua inocência dentro desse processo que vai ter. Da parte da prefeitura, vai ter sempre todo o apoio às investigações", disse hoje, após agenda da prefeitura.

Questionado por jornalistas, Nunes disse que não conversou com Leite depois da operação e que ele deve agora exercer seu direito de defesa. A polícia considera o ex-presidente da Câmara Municipal foragido, o que ele nega. Leite disse que está viajando e que vai se apresentar em até 24 horas. Ele também negou envolvimento com os fatos investigados.

O prefeito disse ainda ter ficado surpreso com a prisão de Levi dos Santos Oliveira, que é ex-presidente da SPTrans e também foi secretário de Mobilidade e Trânsito em sua gestão. A defesa de Oliveira afirmou que pedirá a revogação da prisão, que ele não tem antecedentes e que possui uma "relevante trajetória de serviços públicos" prestados à cidade de São Paulo.

"Eu não vou negar que vi com bastante surpresa a questão do Levi", disse Nunes. "O Levi foi presidente da SPTrans, foi secretário, e, durante o período em que a gente trabalhou junto, eu nunca havia ouvido falar de nenhum tipo de situação de envolvimento, muito pelo contrário. É uma pessoa de carreira da SPTrans, mais de 30 anos de empresa, superconceituado. Mas, obviamente, a gente não conhece quais são as atividades do dia a dia das pessoas."

O prefeito cumprimentou o Ministério Público e a Justiça e falou no apoio da prefeitura às investigações, o que envolve troca de informações entre a Controladoria-Geral do Município e os promotores. Nunes ressaltou que a prefeitura ingressou como assistente de acusação no processo e tem trabalhado para manter a prestação dos serviços de transporte à população, com interdição de empresas investigadas e intervenção nas operações.

"Qualquer dúvida, qualquer situação, tem que investigar. E as pessoas que tiverem algum tipo de envolvimento com qualquer coisa errada têm que pagar pelo que fizeram", disse, defendendo respeito à presunção de inocência e penas duras para quem for declarado culpado. "A gente não pode fazer um juízo de valor [antecipado]. Temos que ter responsabilidade. E investigação não quer dizer por si só que seja a pessoa culpada."

Correligionários de Leite também se manifestaram no sentido de pedir cautela com pré-julgamentos. Ao Valor, o deputado federal Fausto Pinato (União Brasil-SP), disse que tem confiança no dirigente do partido e vê com "estranheza" a ofensiva às vésperas do primeiro turno sugerindo "uso eleitoreiro" da operação.

"Reafirmo o respeito à investigação, mas entendo que ela está sendo usada como instrumento político. Tenho certeza de que tudo vai ser esclarecido", afirmou o parlamentar, que é candidato à reeleição. Pinato também classificou como "desnecessário" o pedido de prisão de Leite, manifestou solidariedade ao ex-vereador e disse ter "plena confiança de que ele será liberado" após se apresentar. Tarcísio tenta afastar operação de eleições O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), buscou desvincular a operação de questões partidárias. Ao falar com a imprensa durante agenda de campanha em Itapetininga, o candidato à reeleição disse que a Polícia Civil e o Ministério Público agem como "entidades de Estado" e que todos os citados terão direito a se defender. "[A operação] decorre de uma investigação que começou em 2024, relacionada à interferência do crime no setor de transportes. Isso mostra também que ninguém está acima da lei. As operações não enxergam pessoas, partidos, posicionamento político. Elas enxergam fatos, e [a de hoje] é uma demonstração importante disso", afirmou. Indagado sobre a aliança política com Leite, Tarcísio respondeu que sempre teve "uma relação institucional" com a família, para discussão de projetos de interesse público. "Sempre foi um relacionamento institucional e propositivo, voltado a projetos, e é assim que a gente tem trabalhado. Isso não tem nada a ver com outras questões que aí são objeto de investigação. Cabe à polícia, ao Ministério Público e a eles prestar os esclarecimentos." Falando sob reserva, um auxiliar do governador negou que a operação preocupe a campanha e avaliou que o assunto não deve afetar a imagem do governador. No mês passado, Tarcísio esteve na zona sul da capital paulista, que é reduto político da família, para o lançamento da campanha de reeleição dos filhos de Milton Leite — Alexandre Leite, que concorre a deputado estadual, e Milton Leite Filho, candidato a deputado federal. Em discurso durante o evento, o governador cumprimentou a família pelo trabalho desenvolvido na região. "Assim que nós chegamos em São Paulo, nós fomos abraçados por eles, uma parceria enorme, e o tempo todo eu vi preocupação com as pessoas, gente que gosta de gente, gente que gosta de vocês", afirmou, na ocasião.

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