O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, defendeu a rapidez da resposta ao alagamento que deixou 26 carros e dois ônibus submersos no túnel do Vale do Anhangabaú, no Centro da capital, durante a forte chuva desta quarta-feira (15). Ele afirmou que os protocolos de emergência funcionaram, mas reconheceu que os procedimentos de segurança podem ser aprimorados. Água toma conta do Túnel do Anhangabaú e motoristas ficam ilhados Imagens BTN O túnel conta com seis bombas fixas, que, segundo a CET, operaram continuamente, sem falhas nos equipamentos. Porém, a vazão não foi suficiente para escoar o volume de chuva registrado na região, de 42 milímetros em 40 minutos. Um protocolo de trânsito da CET prevê o bloqueio de faixas ou o fechamento total do túnel quando há informação de chuva forte prevista. Em nota, a companhia informou que as primeiras interdições começaram às 15h48, quando já havia uma pequena lâmina de água no piso, mas ainda havia veículos dentro do túnel quando a chuva se intensificou. Nunes disse que os meteorologistas não previam um volume tão grande de chuva na região e demonstrou surpresa com o horário informado pela CET: "Mas o que a gente percebe? O volume de água que caiu, 40 milímetros em poucos minutos, o túnel encheu em três minutos. Em três minutos. Eu posso te passar as imagens de onde começou, às 16h07 e às 16h10. Exatamente em três minutos você já tinha mais de um metro de lâmina d'água. A CET te deu essa informação? Em nota? Então, vai ter cabeça rolando. A gente pode melhorar, a gente deve melhorar", disse.
Carros presos no túnel do Vale do Anhangabaú após forte chuva em SP Luiz Delboni/CBN A prefeitura pretende reforçar o uso de caminhões de bombeamento emergencial e o controle da entrada de veículos no túnel durante o início das chuvas. Na avaliação do especialista em eficiência hídrica Wagner Carvalho, as medidas atuais não são suficientes para evitar novos alagamentos. "Chegou a hora de entender que, se você espera resultados diferentes, tem de fazer as coisas de forma diferente. Você vai ter que aumentar o número de bombas, reforçar todo o sistema hidráulico, né? Trabalhar com redundância, porque isso já mostrou que não vai atender. E a única certeza é que isso vai se repetir mais vezes e com um volume de chuva maior e um período menor. Então, a gente já sabe o que vai acontecer, por isso que a prefeitura tem que agir agora para melhorar a o sistema", falou.
Lago transbordou no Parque Ibirapuera O Parque Ibirapuera, na Zona Sul da capital, também foi afetado pela chuva. No local, foram registrados 97 milímetros de precipitação em menos de uma hora. O lago transbordou, alagou caminhos e ruas próximas – e derrubou parte do gradil do Portão 8. Funcionários retiram lixo e galhos de vertedouro após transbordamento de lago no Ibirapuera Pedro Fagundes/CBN A Urbia, concessionária responsável pelo parque, afirmou que o sistema de drenagem funcionou normalmente e atribuiu o transbordamento ao volume de água que veio dos córregos do entorno. O parque voltou a funcionar normalmente nesta quinta-feira.
CBN